outubro 19, 2006


Dia da estréia. Quase não dormi. Primeiro: pelo excesso de trabalho. Segundo: pela agitação. Tudo certo no fim das contas, hoje foi o dia da coletiva de imprensa da 52ª Feira do Livro de Porto Alegre. Pelo segundo ano consecutivo, sou coordenadora do site do evento. No encontro com meus colegas jornalistas, apresentei em breves minutos as inovações, ferramentas e o design da página.

Portanto, caros, minhas novas moradas até o dia 12 de novembro, são a Praça da Alfândega e, virtualmente, o site da Feira. Façam uma visita. Para um café na Feira. Ou para ver as novidades em www.feiradolivro-poa.com.br.

Olha eu aqui em cima, gente!!! Quase ao meu lado, a querida Cris Ostermann. Foto do Luis Ventura

outubro 17, 2006

A Moni é a minha irmã. Ela nasceu um ano e sete meses depois de mim. Formada em Medicina Veterinária, resolveu desbravar o mundo à moda antiga. Não escolheu Nova York, Barcelona, Sidney, Lisboa, como muitos fazem. Foi ganhar a vida numa cidade chamada Ji-Paraná, no Estado de Rondônia. Foi ser professora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Foi morar na cidade sem conhecer ninguém e, como boa integrante da família Thomé - sucursal Cristo Redentor, se atirou freneticamente ao trabalho já na primeira semana.

Acontece que hoje, dia 17 de outubro, ela está de aniversário. 28 anos... Resolvi, então, fazer um bolo virtual para cantar Parabéns a você, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida... E soprar as velinhas. E dizer que eu amo muito essa fofa de cabelos encaracolados. E dizer que estou morrendo de saudades. E que conto os dias para 15 de dezembro chegar.

Feliz aniversário. Moni!!!

outubro 15, 2006

Algumas pessoas são ligadas em álcool. Outras preferem baratos mais fortes. Outras, ainda, curtem lances que sequer ouvi falar. Mas eu... Descobri que curto trabalho. Difícil, daqueles que dói só de olhar. Do tipo que faz muitos fugirem logo após a checagem do desafio. Aquele que se trabalha, trabalha, trabalha, e parece que as folhas somem lentamente. Como algo monumental. O barato é indescritível. Tira uma força de dentro, uma inconsciência responsável, a total ignorância do celular e do convite de amigos para jantas. Quem precisa comer, afinal de contas? Uma sensação fenomenal. Que faz o tempo se perder, o dia correr. E quando se vê, já é noite. A lua está ali. A cidade está molhada... Choveu? As costas viraram pedregulhos. Os olhos estão secos como vidros. As mãos moídas. E a cabeça... a cabeça... hummm. Não consegue mais lembrar de nada. Então, se chega aqui. O buraco do poço mais escuro do mundo. Um lugar separado do real, que inspira o desejo de parar em qualquer cantinho e descansar. Só cinco minutos, por favor. Cinco... Dormir, bem rapidinho... E depois acordar. E lembrar que o arquivo ainda existe. E que o corpo não está mais tão dolorido. Quem sabe mais um pouquinho? Só uma dose? Só hoje...

outubro 12, 2006


outubro 11, 2006

Eu queria saber. Queria muito saber. Porque eu me angustio com a incompetência alheia. Porque, simplesmente, não me contento em comandar o meu reino de auto-suficiência, e esmagar as cabeças de outrem com o meu cetro de diamantes valiosamente falsos. Porque fico triste se alguma coisa dá errada. Porque tento procurar a minha parcela de culpa no engano, mesmo com as minhas roupas rasgadas e mãos doídas depois de tantas tentativas. Porque meu peito não agüenta um desaforo. Sem provocar a vontade de me esconder debaixo da saia da minha mãe. Ou me agarrar nas pernas do meu pai. Porque eu sempre esperneio, xingo meio mundo e fico magoada. Mas o soco que está armazenado aqui, com toda a força bem no meu punho esquerdo, ainda não foi desferido. E talvez se desmanche em rancor ao longo dos próximos anos. Porque a cara feia sempre fica tatuada nos meus olhos, enquanto o sorriso se desfaz em caquinhos depois de segundos. Porque é tão difícil viver num mundo de gentes. Quando bem mais fácil seria nadar com os golfinhos no mar azul depois do naufrágio. Meu barco está afundando há tempos. Sempre afundando. Já estou cansada de tanta água. E o fundo não chega nunca.

outubro 10, 2006

Hoje foi o dia do lançamento da Oficina 36. Não encontrei o professor Assis Brasil, mas fiz questão de me espremer na fila para pegar os autógrafos dos mais recentes colegas oficineiros. O evento rendeu alguns momentos surreais. O primeiro foi quando uma das escritoras me perguntou: "Luciana?" Respondi que sim. "Tu que é a Lu Thomé?" Sim, eu falei, questionando se ela me conhecia. Disse que não. "Ah, era só pra saber se tu era a Lu Thomé mesmo". Tá. O segundo foi quando o Marcelo e a Tata colocaram na cabeça que eu devia dar entrevista para uma equipe da UniTV. Depois de percorrer todo o Cult Bar atrás do melhor ângulo e da iluminação adequada, a equipe teve uma única conclusão. "Não dá. O melhor lugar é mesmo aqui". Olhei... Adivinhem? Claro! Era o banheiro! Todo branco, com luz clara e direta. Eu achei o máximo. Incentivei a repórter. Não tinha jeito. Falei para a câmera durante três minutos, segurando uma das portas, com o quadro do Laranja Mecânica na esquerda e o Drácula bem atrás. Sim, no banheiro... O momento surreal três vai acontecer na exibição desse programa na TV. Vou virar lenda urbana.

outubro 09, 2006


Orgulho do papai, da mamãe e da profe de yoga...

outubro 06, 2006

Como é a vida? Assim ó... Hoje, perto do meio-dia, parei o carro longe da sinaleira. Na Av. Beira-rio, ao lado da Usina, uma pomba aguardava para atravessar a rua. Distante da faixa de pedestres. Mas passível da minha gentileza. Indiquei com a mão esquerda o caminho. E ela passou rebolando na minha frente.

outubro 05, 2006

Sacode a poeira. Chuta os problemas. Afoga as mágoas. Tritura as dúvidas. Aniquila a inconseqüência. Acaba com o choro. Esquece os desaforos. Alivia o medo. Destrói as péssimas idéias. Fecha os olhos para as pessoas ruins. Os ouvidos também. Reconheça a incerteza. Lembra do passado. Projeta o futuro.

E dá um sorriso. As coisas estão bem agora.

A careca voltou.

outubro 02, 2006

Eu quase não acreditei nas informações da tevê e da Internet. Não porque duvidasse da possibilidade disso acontecer. Mas porque tudo se tornou concreto muito rápido. E essa é uma sensação nova pra mim. Como ser reprovada antes do fim do tempo destinado para a prova. E, depois de transcorridos os próximos três meses, tudo será diferente. Obrigatoriamente. Já foi me dando uma saudade da vida que eu ainda vivo. Ou que vivia intensamente até às 18h50min de ontem. Eu agüentei bem a notícia. Melhor do que esse meu coração choroso poderia prever. Mas não resisti e chorei quando o Governador se emocionou na televisão. Porque parecia alguém da minha família, chamando para uma conversa, e avisando que teríamos que deixar a nossa Casa. Pois ninguém mais nos desejava ali...

setembro 29, 2006

Depois de quase três meses, levantei da cama disposta a fazer diferente. Peguei meu jeans novo. A camiseta nova. E, abandonando o par de tênis, separei o sapato novo. Uma nova mulherzinha. Mas, na realidade, um desafio de correr para todos os lados com um salto logo abaixo do calcanhar, subindo e descendo as escadas da Casa de Cultura, e atravessando o Centro para ir entregar papéis e documentos autenticados. Tudo bem... Quase 30 reais para autenticar 11 documentos. Ok. Não vou falar disso. Conto o seguinte: saí de casa, toda arrumadinha. Do meu prédio até a garagem, o pé já doeu. Doeu mais quando eu tentei ignorar o couro novo. Respirei. Entrei no carro e dirigi até o 7º Tabelionato na Mostardeiro. Consegui uma vaga longe. Estacionei, paguei o parquímetro e saí caminhando pela calçada, elegantemente. O pé latejando. Cheguei no balcão, entreguei os papéis e, claro, reclamei do preço. Os impostos comem o nosso calcanhar, o atendente me respondeu. Literalmente, eu pensei. Fui sentar no banco, próximo do caixa, para aguardar a chamada. Passante vai, passante vem, um menino deixa cair no chão uma carteira de trabalho. A Pollyanna, Super-woman, Madre Teresa em mim sempre fala mais alto nesses momentos. Pedi para o senhor sentado ao meu lado cuidar da minha bolsa, apanhei a carteira e fui correndo até a porta para tentar alcançar o rapaz. "Hey!", eu gritava e o sapato afundava no calcanhar. "Hey, hey!", afundou muito mais. Quase na calçada, ele me ouviu. Estendeu o braço, pegou a carteira e agradeceu a minha gentileza, com um sorriso bem sincero. Eu fiquei feliz. E voltei mancando para o meu lugar. Ainda tenho todo o dia pela frente. Acreditando na força do band-aid e da paciência.

setembro 28, 2006


Cruzem os dedinhos. Cruzem os dedinhos. Cruzem os dedinhos.

Essas eram as três coisas que eu queria escrever hoje. E só...

Atualização (29/09) - Deu certo! Deu certo! Deu certo! Essas são as três novas coisas que eu queria dizer.

setembro 26, 2006

Uma das coisas que eu mais gosto nesse mundo é uma cor especial que o céu tem e que é impossível descrever ou classificar. Um tom especial que o céu de Porto Alegre possui, e que eu percebi em muitos dias de frio, e ontem exatamente às 18h59min. Dobrei na Silva Só à esquerda, saindo da Ipiranga, e parei na sinaleira do Ginásio da Brigada. Bem no meio do Arroio Dilúvio. Olhei para a esquerda, na direção do rio/lago. E lá estava. Uma mescla de um azul forte e um azul escuro, com uma luz que parecia tímida, mas que deixava o céu com o brilho de um olho. E a sinaleira demorou. Porque ainda pude perceber que os tons se misturavam, como se estivessem vivos. E, por instantes, é difícil nominar aquela quase nova cor que não existe, que não poderia ser fixada no papel, no tecido, na tatuagem. Porque seria preciso pegar a escada e recortar o céu. Pode esquecer a máquina fotográfica. Por mais falhas que o olho possa ter, os equipamentos só conseguem captar um vazio. Perdem a luz que esse céu quase sem luz apresenta. É como uma cerimônia de despedida do dia. E um convite para aninhar-se nesse manto de cor respirante, que combina com cabelos castanhos. Perder-se no azul, deixando os dedos e os olhos de fora. Recolhendo tudo bem de mansinho. Sumindo no céu que já fica negro. E que se esconde até a próxima manhã. Pois, o novo dia será brindado pelo dourado ardente. E a esperança vai continuar. Para que o azul apareça de novo. E me abrace.

setembro 25, 2006

Aprendi. Um dos jogos mais divertidos do mundo adulto/profissional é o esconde-esconde... de idéias. E eu aposto com vocês: eles não vão encontrar as minhas. Dessa vez, descobri o esconderijo perfeito.

setembro 22, 2006

Ó último episódio da segunda temporada do House grudou em mim. Eu amo aquele médico cínico e sem escrúpulos. Mas a idéia de que a vida é inconsciência e que passamos de alucinação para alucinação, sem cessar, pode caracterizar perfeitamente o meu dia de hoje. Porque ele começou produtivo. Até me senti gente. Discutindo projetos e sendo convidada a dar sugestões. Participar é a palavra-chave. Depois, ficou um pouco mais amargo. E, antes do almoço, metade de mim desmoronou sobre a mesa de trabalho. Fiquei destruída. Na batalha, perdi uma parte de mim. Acho que nunca a terei de volta. Mas, depois da feijoada de sexta-feira, uma nova porta se abriu. E eu fiquei muito empolgada. Caminhando nas nuvens é a comparação. A cabeça longe. E essa porta tem uma visão diferente. Promissora. Vai um sonho aí, chefia?

setembro 20, 2006

Fui dormir às duas da manhã, depois de trabalhar 14 horas. Sonhei que compareci a uma festa. Num vestido preto, fazia o estilo melindrosa. Cabelos organizadamente desgrenhados, olhos acentuados com sombra preta, colar de madrepérolas fazendo voltas e voltas no meu pescoço. Dançava sacudindo levemente os quadris. E impedindo que o balançar constante do vestido subisse demais a barra. Acordei às nove. Depois às dez. Me lembrei de ligar para os meus pais às 11. Disse que não sabia o que estava acontecendo. Mas tudo parecia mal. Resolvi cancelar o almoço e ficar exatamente onde estava. Entre o cobertor e o colchão. Meia hora depois, ouvi o barulho da chuva. Pensei em comer. Impossível levantar. Passou o meio-dia. A água caindo batia com mais força na janela. Às 13h, me lembrei do meu plantão. Levantei do jeito que consegui. Comi alguma coisa, tomei um banho e me sentei no sofá, esperando que os minutos passassem mais depressa, para que hoje já fosse amanhã e logo depois de amanhã. A cabeça começou a doer muito. E a garganta parecia fechar. Tudo de novo, pensei. Toda essa virose que me mata e não me deixa trabalhar e sequer existir. Coloquei o notebook na mochila. Dirigi até a Casa de Cultura com a chuva diminuindo a velocidade do tráfego. E estou novamente trabalhando. Fechando um roteiro de site, escrevendo para o blog e ligando para o Café dos Cataventos. A torrada e a Coca Light podem aumentar um pouco o meu ritmo prejudicado. Mas esse feriado Farroupilha está lento. O tempo ruim segurou os visitantes em suas casas. E, desde que o meu plantão começou, às 15h, não emiti uma sequer palavra. Não levantei da cadeira. Que saudade das madrepérolas.

setembro 16, 2006

Na sexta-feira, eu trabalhei muito. Muito mesmo. Manhã e tarde. Tive aula até às 22h30min. Voltei para a aula às 9h de sábado. Fiquei até às 18h30min. Quase direto. Pensando direto. Conversando e rindo com os meus amigos do pós. Chegando em casa, ainda redigi um roteiro para um vídeo de seis minutos. Fiz a janta. Arrumei a cozinha. Mandei o e-mail com o roteiro e as orientações para o rapaz que está fazendo o vídeo. E, enquanto o Mr. Flag lava a louça, estou escrevendo este post e sentindo os olhos quase fechando. Um sono incontrolável. 22:55. Em madrugadas como essa que se aproxima, é que sinto os reflexos de toda a loucura. Depois de correr os 100 metros, emendar com a rústica e terminar com a maratona, falo a noite toda. Dormindo, de olhos fechados e sem gesticular. Toda a noite. "Deu, deu!!!!". Deu o quê, pergunta o rapaz no travesseiro ao lado. "Deu com a seringa!". Esse foi o episódio de quinta-feira. E sequer conheço o autor desse roteiro. Péssimos diálogos. Péssimos.

setembro 14, 2006

O gato do prédio tentou me atacar ontem. Novamente. Não sei mais o que fazer. Tenho medo do bicho. Mas agarro na mão a primeira coisa que possa acertá-lo, caso avance. Uma pasta, uma sombrinha... Ontem, olhando fixamente nos seus olhos, abri o cabo recolhido da sombrinha como se fosse uma arma letal. E fui andando. Ele me olhou com o maior desdém do mundo. Sei que dá gargalhadas depois que vou embora. Na primeira vez que me atacou, tentou avançar com as suas patinhas e dentinhos bem no meu pescocinho. Fiquei tão assustada, atordoada, chocada e ...ada, que a única coisa que eu consegui gritar foi "Feio!!!". Claro, eu sei. Desmoralizada para todo o sempre. Meus amigos riem. Mr. Flag ri. O gato ri da minha cara. Na segunda vez, ele tentou atacar a panela que eu carregava, com a sobra da minha massa com molho funghi. Abusado. Tentei bater nele com a panela. Imagino o que meus vizinhos nas janelas devem pensar disso... Em outros encontros furtivos, nos evitamos cordialmente. E, na terceira vez, foi a mais assustadora de todas. Abri a porta do apartamento, e o gato estava ali, no corredor, apoiado no corrimão da escada, exatamente na altura do meu rosto e a menos de um metro de distância. Pensei em entrar novamente em casa. Mas se abrisse a porta, ele avançaria. Horror total. Com certeza destruiria meus livros, meus CDs, minhas roupas, meus cremes... Tudo... Ele me odeia. Deixou claro ontem, quando passei ao seu lado, e ele fazia um barulho direto da garganta, e apoiava as pernas traseiras. Cobrinha, pronto para o bote. Fui andando, com a sombrinha na mão. Andando e encarando ele. Quando atravessei a rua, cuidei seus movimentos olhando do alto do meu ombro. Andando e cuidando. Abri o portão, e quase corri. Quando cheguei na porta do prédio, ele já havia alcançado a escada externa no nível da calçada. E eu, mais embaixo, olhando pra ele. Ele está preparando uma tocaia. Eu sei. Conhece o bairro melhor do que eu. Não é como o Flófi doméstico do Marconi. Ele é da rua, é malandro. E encrencou comigo. Justo comigo. Me sinto naqueles filmes adolescentes americanos. E o gato olha para mim como quem diz: "Te pego aqui fora, magrela".

setembro 10, 2006

Eu prometi que não iria mais brigar. Resolvi abandonar essa característica natural das baixinhas e magrinhas que adoram comprar/vender/distribuir confusão no atacado e no varejo. Cumpri. Uma nova tática de sobrevivência para ambientes de trabalho altamente hostis. Notem: é como se eu tivesse virado uma tartaruga. Também é verdade que, em determinados períodos do dia, quase não consigo seguir a promessa. Mas fecho a boca, tranco todos os insultos, escondo no bolso o dedo indicador que acusa e controlo a tremedeira geral do corpo me agarrando forte a alguma estrutura potencialmente estável. Pode ser um poste, uma viga ou um copo de café bem quente. Passada a crise, sinto um alívio. Me deparo com a cara incrédula de alguns colegas de escritório. E volto a ser a eu mesma que eu nunca fui.

setembro 09, 2006

Cancelei todos os compromissos da tarde e voltei para casa. Eu, sábado à tarde em casa... Uma das coisas mais improváveis dos últimos dois anos e meio. Bem, você precisa trabalhar jornalista. Precisa terminar o roteiro completo de um site e afinar o planejamento gigantesco daquele outro. Sim, sim... A verdade é que estava com um desejo tão ardente de trabalhar hoje à tarde que tomei uma cerveja no almoço. Algo mais inédito ainda. Meus pais arregalaram os olhos quando notaram a conversa que eu travava com o simpático garçom Bernardo do nosso restaurante de sempre. Bernardo, não tem uma Polar dando sopa aí? Ou só tem chopp Brahma? Polar? Só se for Bock. Minhas pupilas se dilataram. Meu reino inteiro de trabalho inacabado por uma Polar Bock bem gelada. As nuvens se dissiparam. Eu juro. O céu inteiro se abriu para esperar a minha tarde magnífica. De trabalho... Cheguei em casa. Liguei o computador. Antes, conversei com a Déia. Precisávamos trocar ainda mais impressões sobre a peça com o texto do Tchekhov que assistimos ontem no Porto Alegre em Cena. Adiei o trabalho. O Luis Mello é ótimo. Sensacional. E o texto? Perfeito. Quer tomar um chimarrão na praça? Não deu. Tinha trabalho. Mas fizemos uma sessão on-line de chimas, cada uma com o seu. Voltando da cozinha com a cuia e a térmica, abri o Word, e tentei iniciar. O telefone tocou e as perguntas jorraram como uma cachoeira provocada pela chuva torrencial. Resolvi os problemas em 20 minutos. Recebido o troféu pelo tempo recorde, voltei para o Word. Mas era hora de outro chimas. E outro, e outro, e outro. Depois, era hora de levantar e trocar o CD. Um atrás do outro. Estou no terceiro CD e no centésimo chimas. Cabecinha quicando para os lados e acompanhando o movimento dos ombros. Hora de trabalhar. Ah, mas justo agora que eu poderia triunfalmente estrear o CD que meu querido amigo Thiago me trouxe de Londres? Vai valer. Eu prometo. São cinco horas. O trabalho está ali. Me olhando. Mas eu estou jurando que é uma simples miragem. Outro chimas aí, por favor...

Publiquei um novo texto lá no Hummmm. Esse foi o segundo trabalho que elaborei para o curso de pós-graduação em Jornalismo Literário. Ainda não recebi o retorno da avaliação, mas como o Hummmm é um campo de teste só um pouquinho menos experimentalista do que o 50kg, acho que está valendo. Por isso, meus fiéis leitores, visitem o Hummmm, e conheçam um pouco da vida do Gregório, o camelô uruguaio motoqueiro gente fina dono do pedaço de calçada em frente ao restaurante Veredas na Rua dos Andradas em Porto Alegre. Porque as pessoas de bem estão ao nosso lado. E, muitas vezes, nossos olhares não estão treinados o suficiente para reconhecer o ouro na pura simplicidade...

setembro 08, 2006

Um pensamento recorre na minha cabeça como um ovo na frigideira. Mesmo que eu tente esquecer o fato de que a casca foi quebrada, ainda ouço o óleo quente e sinto a contaminação da fritura no ar. Acabo envolvendo até mesmo os não envolvidos. E misturo os personagens de diferentes novelas das seis, sete e oito, no seriado dramalhão das dez horas trinta e dois minutos e três segundos que eu criei. Comentei com alguém que me é cada vez mais certa a idéia de que serei uma briguenta até o fim. Sempre. Uma incorrigível marrenta. Meu querido amigo me respondeu que não. Segundo ele, aos 67 anos atingirei a sapiência do "deixa pra lá". Enquanto isso, carrego essa culpa levinha. Que não incomoda tanto assim. Mas que não deixa nunca de martelar aqui dentro. Castigo de saber que, mesmo com toda a raiva, indignação, revolta, ódio e incontrole, minha mão sempre vai doer mais do que a bochecha socada.

setembro 07, 2006

Não sofri da falta de notícias durante alguns dias. Fui, sim, atacada por um excesso quase malévolo de acontecimentos. A história não é confusa. Mas a sua total infinitude de possibilidades pode nublar o entendimento. Foi assim... Numa sexta-feira, que parece ter acontecido há milênios, eu fui acusada por alguém, que me passou a perna, e igual Teresa, eu fui ao chão. Atortoada, tentei ganhar no grito a razão roubada. A trouxe de volta, mas em migalhas. Sobrevivi com a ação de fortificantes e antiviróticos. Na quarta-feira, eu fui caluniada por outro alguém, que me nocauteou, e como a barata de GH, permaneci em choque. Não tive forças sequer para falar. Ultrapassei o fim de semana com a ajuda de equipamentos e calmantes, que mais pareciam criar teorias alucinógenas de conspirações administradas pelos homens do mal. Escapei por pouco. E, tal o soldado que nunca desiste, no último minuto, oficializei todo o caso num documento, me aliviei de algumas questões, e recebi a rubrica de um texto que não foi lido. Quando a leitura aconteceu, era tarde. E uma trégua provisória foi instaurada. Tirei os sapatos, e desisti de caminhar pelo espaço. Será preciso evitar as minas e os bombardeios. Pelo menos até alguém me expulsar do front. Porque essa guerra só vai terminar assim.

setembro 06, 2006

Mr. Flag me acordou às 7h15min. Foi se despedir e me dar um recado importante. A frase "Lulis, o chuveiro está estragado" perfurou meus ouvidos como agulhas de tricô. Perguntei se ele havia tomado banho. Claro que não, respondeu. Questionei "e agora?". Ele ordenou que eu me afastasse do chuveiro e, em hipótese alguma, tentasse trocar a resistência sozinha. "Isso não é coisa de menina". Ele se deslocou na direção da sala, mas eu tenho certeza que ainda ouviu meus gritos de "tomar banho é que é coisa de menina!!!!". Dez graus na rua. Dez. Um pouco mais dentro de casa. E o horário contado para não perder a manicure e não chegar atrasada no trabalho. A maratona começou às 7h42min. Permaneci alguns minutos embaixo das cobertas, arquitetando um plano infalível. E já meditando. "Não está frio, não está frio, não está..." Vesti um roupão por cima do pijama. Com um banquinho da cozinha, tentei por três minutos abrir o chuveiro. Mexe aqui, mexe ali. Pensando a todo o momento que poderia ser eletrocutada. As mãos já doíam de tanto forçar o plástico. Desisti. Perda de tempo. E, de maneira alguma, sairia descabelada pela rua para caminhar três quadras até a ferragem. Dez graus na rua. Plano B. O mais corajoso de todos. Liguei o aquecedor no banheiro. Enchi a espagueteira de água. Lotei a chaleira de água. As duas no fogo, e eu separando toda a minha roupa. O banheiro estava ficando quente. Mas eu ainda estava de blusão de lã. A água estava ficando quente. Mas nunca se sabe na hora do banho. Sem pensar agora. O segredo foi não pensar. Levei a água quente até o banheiro, abracei minha bacia plástica rosa de estimação e me desejei toda a sorte do mundo. Temperei um pouco a água, me ajoelhei no chão e me atirei penhasco abaixo... Chuá, chuá, chuá, por infinitos minutos. Peguei a água na bacia, com a conchinha da mão, e joguei nas costas. Ensaboei, ensaboei. O joelho doendo no tapetinho gelado. Dez graus na rua. Joguei água na cabeça, e distribui o xampu do jeito que deu. Joguei água, água. Coloquei um pouco de condicionador, o resto da água na bacia e tudo por cima de mim, como cachoeira. Tremendo, peguei a toalha e comecei a dançar e cantar "Alalaô-ôôô-ôôô". Mais dois minutos e estava vestida. Gelada, dos pés à cabeça. Sai de casa. Limpinha. Cheirosa. Na rua, 12 graus. Dentro de mim, ainda o termômetro vital em oito. Até agora.

setembro 05, 2006

Eu ainda estou aqui. Mas juro que...

20-20-20-4 hours to go
I wanna be sedated
nothing to do, nowhere to go,oh
I wanna be sedated

just put me in a wheelchair, get me to the show
hurry hurry hurry before I go loco
I can't control my fingers, I can't control my toes
oh no oh no oh no

ba-ba-baba, baba-ba-baba I wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba I wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba I wanna be sedated
ba-ba-baba, baba-ba-baba I wanna be sedated

setembro 01, 2006


agosto 29, 2006

Não estou mais centrada. E acho que me sentirei deslocada por um bom tempo ainda. Porque tenho verdadeiro pavor de me sentir obrigada a fazer algo. Tenho ódio de me sentir obrigada a fazer algo que odeie. Mesmo que, infinitas vezes, eu vasculhe dentro dessa imensa sacola universal a melhor das razões e a mais redonda justificativa para continuar fazendo. Para colocar tudo dentro do meu carrinho. A verdade é que a feira anda fraca. Os chuchus estão passados, as batatas enrugadas e o alface murcho e jogado em qualquer canto. E me dizem que devo fazer uma sopa saborosa com isso. E me cumprimentam, chacoalhando os meus braços e fazendo nham, nham, nham, enquanto passam suas línguas sebosas nos beiços rachados. Eu fico ali, mexendo a panela, diminuindo o fogo em alguns momentos. Sentindo que, daqui a pouco, vai começar a feder. E daí, eu não poderei fazer mais nada. E talvez seja tarde para convencer as criaturas a não tomarem esse caldo nojento. A mudarem de idéia, de comportamento, de conduta. De vida? Quem sabe um bolo? Uma banana? Ou coquinhos? Quem sabe coquinhos?!?!

agosto 28, 2006

O final de semana foi diferente. Porque, em primeiro lugar eu me propus a realizar coisas diferentes. Tudo igual. Mas diferente. Um pequeno diferente bem gostosinho com um toque leve de cheirinho de flor e calor do sol e música nos ouvidos. É verdade, é verdade... Eu me estressei muito na sexta-feira. Perto do meio-dia, já estava chorando, brigando, chorando, gritando, chorando, e colocando todas aquelas verdades para fora. O nível do estressonômetro foi até lá em cima, com aquela pontinha vermelha inchando e quase estourando tudo. O prêmio máximo... Que doeu um pouco, mas me libertou do castigo eterno de carregar a culpa e sensação de ineficiência. Eu falei tudo. Pedi demissão também. Não sei se ele aceitou, pois eu já estava soluçando tanto, que metade das palavras saíam incompreensíveis. Desliguei. O gancho novamente no aparelho de telefone. Senti a cabeça doendo, os olhos pegando fogo. E resolvi esquecer. Mesmo. Então, logo após o sinal de igual, a soma do meu final de semana mostra soninho, um livro inteiro, um pela metade, dois filmes no cinema, dois filmes no DVD, um jeans como eu procurava, um sapato novo, chuva, preguiça, família, comida/comida/comida, café na Casa de Cultura, Arctic Monkeys no CD do carro, Keane em casa, roupas para guardar, episódio de House, alguns blogs, nada de MSN, dois e-mails, um pouco de Orkut, contas em dia, recibo da empresa, chimarrão e um alívio do tamanho de um urso branco e fofinho de quatro andares me abraçando e dizendo viu, eu disse que tudo ia dar certo, não falei?

agosto 23, 2006

E para explicar essa minha ausência toda, comunico que, atualmente, o telefone da minha vida faz um único barulho. E é assim ó: tuu, tuu, tuu, tuu, tuu, tuu, tuu, tuu... Tente mais tarde, por favor.

agosto 20, 2006

Há alguns dias que venho pensando nisso... Como é possível dimensionar a bondade de alguém? Levando-se em conta diversos fatores como intenções, trocas, prêmios, gratidão, interesses... Da mesma maneira: como é possível quantificar a loucura de alguém? Julgando coisas como preferências, aventuras, vontades, opiniões. Pergunto isso porque tenho ouvido bastante. Devo ser a louca mais bondosa de Porto Alegre. Então só consigo pensar o seguinte... Se para os padrões normais, tenho tanta bondade assim, é porque tem muita gente ruim infestando esse mundo... Se nos critérios usuais, eu sou assim tão louca, deve ter muita gente que deixou de viver e aproveitar a vida há tempos. E se mundo é uma bola de golfe, eu gostaria de saber para onde a humanidade está sendo direcionada depois da tacada. Para o buraco oito?

agosto 18, 2006

Pensei em uma coisa bem feliz para escrever aqui. Impossível. Porque só de lembrar, comecei a rir muito, rolando no chão com a mão na barriga. Ê mundão que gira esse...

agosto 17, 2006

Enfiei a mão no fundo do casaco. Meus dedos bateram nas chaves de casa no bolso direito. Caminhando pela Andradas, me diverti em contar as moedas do bolso esquerdo. Repetidas vezes. 50 centavos, 25 centavos, um real, dez centavos... Até completar dois reais e setenta centavos. Uma maníaca obsessiva péssima em matemática, mas nota 100 em ética. Imagina a minha vergonha se o motorista da lotação cogitar que, mesmo por um ínfimo segundo, eu tenha pensando em passar a perna mesmo por dez centavos que fossem. Isso não poderia acontecer. 25 centavos, dez centavos, 50 centavos. Ainda caminhando pela Andradas, quase tive a orelha acertada por uma bola, chutada por um hippie de cabelos enrolados e chinelos de dedo. Tudo bem. Mais adiante, um camelô quase me derrubou ao retirar com força a lona que cobria a sua barraca. Voou poeira para todos os lados, e eu senti uma vontade de espirrar. Bem de novo. Perto da esquina, uma senhora andava exatamente na minha direção, e me empurrou com sua enorme sacola de alças contra a parede do prédio. Claro, bem. Desisti de colher raios das tempestades. Resolvi colecionar rastros luminosos de borboletas invisíveis. Aqueles que eu vejo à noite, da janela da minha casa, da sacada da minha sala na Casa de Cultura, entre as pedrinhas do calçamento da Praça da Alfândega. Tão especiais que me protegem da culpa pelos meus textos virulentos e de fatos como o motorista da lotação ter esperado eu chegar até a porta para arrancar o veículo, me deixando parada no asfalto, absolutamente incrédula. Rastros... Isso. Rastros luminosos de borboletas multicoloridas.

agosto 16, 2006

Eu não acredito. Eu estou tão revoltada que não consigo acreditar. Não posso contar, nem revelar detalhes. Porque essa história não aconteceu comigo. E não tem ligação com violência urbana, ou acidente, ou perda de qualquer forma. Tem relação com discriminação, violência contra a pessoa, e traição a um desejo profundo... Meu Deus, como existem pessoas cretinas nesse mundo, que humilham os outros, que obrigam alguém a fazer algo pelo prazer de ver o outro sofrer... Por quê? Era só o que eu queria saber hoje. Que grande merda é ter um chefe de bosta...

agosto 15, 2006


agosto 14, 2006

Não me lembro muito bem. Lembro de ter analisado minhas olheiras bem de perto no banheiro de casa. Nariz quase colado no espelho, vertigem matinal úmida de vapor quente. Me lembro de estar no carro, pé no acelerador, passando alguns sinais. Verdes. Vermelho. Amarelo gosto de laranja. Lembro de apertar 3 no elevador do trabalho. Me lembro de sucessivas xícaras de café. Meio texto. Café. Um e-mail. Café. Telefonema distorcido. Café. Café. Café. Os pés flutuaram na hora do almoço. Lembro que comi muito arroz. Não lembro do pedido, mas o garçom disse que não tinha mais Coca Light. Me lembro da sombrinha minúscula que minha mãe me emprestou. Dos cachorros amontoados debaixo da marquise para escapar dos pingos d'água. Lembro de voltar para o trabalho. Café. Café. Café. Banheiro, finalmente alívio. Lembro dos olhos fechando, se despedindo do monitor, os dedos se encolhendo de leve, e o corpo encurvando. Lembro do barulho. Do solavanco. Lembro de pensar: acorda, Lu. Acorda! Lembro de me ver na cama. Tentando acomodar os cobertores embolados nas minhas pernas. Me lembro da noite clareando no fim, do meu desespero. Do meu sono. Lembro da tortura do relógio, arrastando ponteiros-correntes e assombrando a minha tarde. Lembro que tem muito tempo ainda. E que poderia desmaiar de tanto relaxar no yoga. Lembro dos olhinhos fechando por completo. E dos risinhos nada contidos das coleguinhas. Café. Café. Café. Um sanduíche para embrulhar o estômago para viagem. Lembro de contar os minutos para ir embora. Depois, lembro de escrever no blog sobre cama, travesseiros, olhos, café preto quentinho descendo pela goela. Só isso que eu lembro.

agosto 13, 2006

Tenho ficado exigente. Auto-exigência. Na frente da telinha do notebook, escrevo um texto inteiro, com todo o argumento na cabeça. Escrevo tudo... Reescrevo algumas partes. Leio, leio... Nada parece me agradar. Penso que o raciocínio pode circular de forma diferente. Tento me lembrar de imprimir os sentimentos às linhas. Me apego à simulação dos anseios dos meus leitores. Sim, porque tenho a pretensão de dizer que conheço os meus leitores. Aí, reescrevo uma segunda versão, logo abaixo da inicial. Tudo diferente. Mas tudo muito parecido no fim das contas. Coloco uma música no fone de ouvido. Nem assim.

E a pressão das horas me intimando, para não perder o calendário automático de publicação. Um post por dia, média de quatro comentários por post. Auto-exigência, auto-superação, satisfação inatingível. Sei que às vezes sou o meu pior concorrente, meu mais terrível carrasco, a encarnação daquele mestre absolutamente insatisfeito e descrente do pupilo. Seguro o mouse com delicadeza, seleciono tudo e teclo Del.

Hoje não. Quem sabe amanhã.

Um sábado inusitado. Chá de fraldas do bebê Santiago no Garagem Hermética às três da tarde. Cachorrinho-quente e cerveja. Varal de recordações da Bina e do André, com prendedores de roupa, fotos e sapatilhas da bailarina. Um zine clássico como lembrancinha, com textos sobre parto humanizado e fotos da nova mãezinha. Amigos, toda a felicidade do mundo para vocês.

agosto 12, 2006




O prazer das pequenas coisas. Eu e o meu finalmente meu exemplar de O cavalo perdido e outras historias, do uruguaio Felisberto Hernandez. Tenho que dizer: valeu Cosac Naify. E obrigada, Mari... Pelo presente.

agosto 11, 2006

Eu sou má. Principalmente quando estou trabalhando. Especialmente quando estou escrevendo. São nesses momentos de maldade que tenho alguns hábitos especiais. Normalmente chego em casa, ligo a televisão, permito que a minha cabeça descanse por 17 ou 28 minutos (depende do dia e do calendário lunar), como alguma coisa, faço o planejamento do cenário, desloco as almofadas, ligo o notebook na tomada, armo a bandeja com apoios, coloco o equipamento nessa pseudomesa, sento no sofá, situo a bandeja no colo, me ajeito, acomodo e, depois de duas ou três viradas, estou literalmente presa e pronta para começar o texto.

Na terça-feira, teclei A - G - O, e a música começou. A todo o volume. Usualmente, trabalho com música. Mas não Ana Carolina. Não na potência máxima das caixas de som. Pensei. Um segundo. Dois segundos. Três milésimos de segundo para me desvencilhar das coisas e ir até a janela e descobrir que tudo fazia parte da grande noite de amor que o meu vizinho de porta preparou para alguém. Oh, que querido! Pelo jeito ele pretendia compartilhar o momento com todo o bairro. Me senti na obrigação de contribuir. Peguei o CD do Rancid, coloquei na terceira gaveta do meu som, selecionei a música nove e girei o botão do volume até 38, 39, 40, 39... Tá bom! E lá fomos nós.

Fiquei tão feliz com a integração que pulei, dancei, caminhei pelo apartamento todo. Durante toda a bela canção de punk rock. Quando terminou, desliguei o som e percebi o mais pretensioso silêncio. Suspirei. Desejei boa noite aos pombinhos e fui escrever o trabalho do pós-graduação. Enfim, só.

agosto 10, 2006

Fiquei pensando ontem... Com as mãos bem agarradas no volante. O que é pior? Enquanto olhava a água molhar o pára-brisa. Qual o momento de fugir? E pisando no acelerador. Então... É quando vemos o raio? Ou quando ouvimos o estrondo do relâmpago? Preciso saber.

agosto 06, 2006

A campainha tocou. Eram 11 da manhã. Domingão, chuva, trabalhos domésticos. Eu estava sozinha em casa. No susto, o copo ensaboado escorregou das luvas e foi bater numa xícara dentro da pia. Quebrou. Fechei a torneira e, na frente da porta, estiquei a ponta dos pés para enxergar o olho mágico. Tudo escuro. Pensei um pouco. Olhei de novo e enxerguei o vulto de alguém nem alto nem baixo. Eu ainda estava observando, quando a pessoa esticou o braço, acendeu a luz do corredor e tocou a campainha de novo. Puxa... Era a minha vizinha de cima. Apanhei a chave e abri a porta. Ainda cogitei: ela só poderia ter vindo reclamar do volume do meu som. Lavando louça e ouvindo Arcade Fire... Ah, maravilha interrompida. Deixei fechada a grade depois da porta, e apareci de luvas, descabelada, calça de abrigo e o meu blusão mais velho do universo inteiro. Ela nem esperou. Já foi sorrindo, mostrando o papel que estava na mão e perguntando pelo Mr. Flag. E eu só pensando: Mr. Flag me mata se souber que deixei ela entrar. Disse que ele não estava. E vi. Eva. Isso! Pelo papel, descobri que o nome da vizinha que faz péc, péc, péc com o sapato na minha cabeça, e plim, plim, plim com alguma outra coisa também em cima da minha cabeça é Eva. Eva Regina. E sem Adão ou pudor, ela passou a me contar sobre sua paixão pelo Internacional, como ela estava feliz, que o Inter ganharia a Libertadores, blá, blá, blá... Perguntou se eu tinha computador. Respondi que não. Menti para a Dona Eva. Mas disse que não se preocupasse. Eu mandaria a belíssima frase dela para a promoção do ClicRBS. Poderia até revisar e fazer algumas correções, se ela permitisse. Permitiu, agradeceu, e com as duas mãos agarrando a grade, as bochechas quase encostando o ferro, ela ficou na ponta dos pés, como eu ficara antes, e pediu: abre aí, deixa eu entrar, quero conversar sobre o texto aí dentro, abre aí... Foi me dando um pavor. Sei que, desde 98, ela tenta sem sucesso entrar no nosso apartamento. Eu pensava na fúria doméstica do Mr. Flag, no meu domingo arruinado, no desejo ardente da dona Eva de conhecer a minha casa. E a câmera focou bem no meu rosto, e eu fiquei com aquela cara de fim de capítulo de novela no sábado, e a trilha sonora aumentando, e os créditos subindo...

agosto 05, 2006

Estou mal há dois dias. Sofro porque não entendo o que tenho. Interpreto os sinais, mas não compreendo ou identifico a fonte da minha dor. Na quinta-feira à noite, estava com dor de garganta. Tomei um analgésico e um antiinflamatório para amenizar a possível gripe. Na sexta-feira, acordei tão mal que não fui trabalhar. A garganta e os olhos estavam inchados. Quase um claro sinal de intoxicação. Ou quem sabe uma reação alérgica. Do quê?! Dos quatros gatos da Fer, que ficavam no colo da Marrí e faziam a Sonia espirrar? Do vinho? Dos lotes de comida pronta que comemos antes da minha garganta começar a aumentar? Não resisti ao enigma. Desafiada, resolvi desvendar o mistério sem recorrer aos artifícios médicos de estetoscópios e exames. Sherlock Holmes do meu corpo. Estou juntando as peças. Irresponsavelmente, empurrada por essa curiosidade. Enquanto isso, me arrasto. Sentindo a garganta, a cabeça, os braços, as pernas, os pés, a barriga, o peito, e essa vontade irresistível de virar um caramujo por alguns dias. Encolhida. Encolhida. Bem encolhidinha...

agosto 01, 2006

O bom quando as tempestades cessam é que ficamos com uma perfeita noção da diferença entre o antes (dos raios e trovões) e o depois (anúncio da calmaria). Então, até mesmo reorganizar a vida e as minúcias é um prazer sem precedentes. Organizei algumas coisas hoje. Entre elas, a manutenção do meu blog para (não riam...) divulgar meus textos sérios. A avaliação do pós-graduação já chegou. E, com a autorização do meu amigo e ex-colega da Gazeta Mercantil, publico o primeiro texto do curso de jornalismo literário - a minha entrevista com o Jimi Joe. Visitem o Hummm e comentem. O endereço é http://www.luthome.blogspot.com/.

julho 31, 2006

Fiquei o dia todo acompanhando a rotina alterada da autarquia. Uma movimentação nervosa, conversas aleatórias nos corredores e muita linha solta para fisgar os peixes desavisados. Assim é a política. Assim é como eu vivo e analiso a política. As eleições da nova diretoria acontecem em outubro. E tudo pode mudar. De qualquer jeito, muda. A situação está dividida, gerando os opositores que trazem mágoa e rancor na mala. Vieram a pé, dispensando avião, trem, ônibus e até mesmo mula. Mas prometem agitar as urnas, entregando doces e distribuindo beijos para os profissionais. A minha vida depende um pouco dessa decisão. Um pouco. Porque nunca se sabe. E porque o meu destino depende ainda de outra urna. Juntas, elas me apresentarão a possibilidade... Mas, de novo: nunca se sabe. E política... política é sempre política...

julho 30, 2006

Não preciso duvidar. Tenho certeza que esse sentimento é cultivado por todos os que trabalham na Casa de Cultura Mario Quintana. Essa espécie de apego, de carinho extremo, de atenção afetuosa por esse prédio enorme na Rua dos Andradas. E de uma mágica sintonia com o poetinha de Porto Alegre, o seu Mario Quintana.



Funcionários, colaboradores, colegas... Com aqueles olhos atentos que não permitem que nada saia do lugar, seja estragado... Aquelas mãos que se estendem para concretizar direções e orientações de passeios e salas para visitar. O Quarto do Poeta, as exposições, o Acervo Mario Quintana, o Memorial do Hotel Majestic, os teatros, os bonecos prontos para a fotografia com os visitantes.

"Hoje, o nosso poeta estaria completando 100 anos. Nós estamos comemorando". E com um sorriso de satisfação, estivemos durante todo o dia recebendo pessoas, realizando atividades para registrar o 30 de julho.

Pela manhã, na muito, muito gelada Travessa Rua dos Cataventos, mais de 400 pessoas assistiram o concerto da Orquestra Jovem da Ospa. Até os Beatles, uma das bandas que o poeta gostava, estavam presentes no repertório. Apresentação que também contou com os bailarinos do projeto Quinta,Quintana na Dança. Além disso, fizemos a entrega do Prêmio Mario Quintana, um agradecimento a todas as empresas que apoiaram projetos do centenário.



Depois, no Teatro Bruno Kiefer lotado, mais de 200 pais e crianças curtiram a peça Lili Inventa o Mundo. As anedotas de Quintana, os causos que já são clássicos e as frases hilárias e irônicas ao extremo foram apresentadas no Teatro Carlos Carvalho na peça Ora Bolas!.

No fim da tarde, um recital com piano e voz abrigou mais de 100 pessoas no Auditório Luis Cosme. E, novamente lotado, o Teatro Bruno Kiefer foi o palco para a peça Sobre Anjos e Grilos.



Entre uma e outra atividade, eu andava pelos corredores, vendo as pessoas passearem. Muitas delas, conhecendo a Casa de Cultura pela primeira vez. E eu sorrindo sempre. "Bom dia. Boa tarde. Boa noite. Sejam bem-vindos". Faceira, como se estivesse recebendo amigos na minha própria casa. Que, se valer pelo meu sentimento por esse prédio, é isso mesmo. A comemoração do centenário do meu poeta. Na minha Casa.

Feliz aniversário, Mario!

julho 29, 2006


Parabéns à verdadeira inspiração da minha vida.

Feliz aniversário, mãe!

julho 28, 2006

Voltamos à nossa programação normal...

Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém comemorava algum alívio dos colorados, que eu não sei sobre o que, de que campeonato dizia respeito ou se alguém defendeu ou fez gols.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém exibia orgulhoso um anel de noivado, feliz por tudo o que se anuncia na vida do casal. Parabéns, parabéns.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém cantou uma música, e eu ouvi, e achei bonita.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém entrou em uma lotação qualquer, saído de um hospital qualquer, e derramou várias lágrimas, sofrendo de verdade, e eu pensei, e chorei junto, e achei muito triste essa coisa de vida e de morte.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém de uma banca de jornal qualquer, de uma esquina qualquer, ficou me esperando com um sorriso, só para me dizer oi.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém jantou quieta, assistiu tevê e nem precisou esperar o sono chegar.
Ontem eu estava triste. Mas, em algum lugar, alguém caminhou devagar até a cama, acomodou a cabeça no travesseiro e, sem chegar a conclusão alguma dos porquês e motivos e razões e desafios que não cessam nunca e questionamentos que implodem a consciência, fechou os olhos e dormiu.

Minha voz ecoou pelo quarto vazio, quicando nas paredes como ping-pong, e não encontrando resposta alguma. Não foi uma pergunta difícil. Tampouco foi pronunciada no fraco tom dos covardes. A voz foi impulsionada por essa coragem tardia, que insiste em proferir que sente a tua falta, mesmo não sabendo onde estás. Talvez tão perto quando, de olhos fechados, sinto a tua névoa que cobre o meu corpo, como um céu de algodão doce, quente e cheiroso. Talvez tão distante, que minhas mãos encostam e sentem o gélido nada, o universo do não que engole e consome. E some. Eu sonhei contigo, e te imaginei no longe mais próximo de mim. E eras um astro de rock. Entre os meus dedos, um copo de vodka. E novamente a música na minha cabeça me dizendo para esquecer tudo. Que era o momento de cristalizar a imaginação, posicionar os pés para fora da beirada, e saltar de cabeça no precipício que terminava na água límpida com gosto de cereja. No sonho, nós dançamos. Afastados. Requebrando. Levantando os braços e desarrumando os cabelos. Mas sem tirar os olhos um do outro. Isso eu me lembro. E, no quarto vazio, falei de novo. Como uma nova raquetada contra a bolinha branca.

julho 27, 2006

Assaltaram a Casa de Cultura nessa madrugada. Estresse. Muito estresse. Isso também significa outra coisa: além de atender todos os repórteres de cultura do Estado, desde hoje também estou atendendo a editoria de polícia...

julho 25, 2006



Então é isso! Me obriguei a ter cinco minutos de intervalo para convidar os amigos. Dia 30 de julho é o motivo da minha ausência. Dia 30 de julho é o motivo da minha pseudo-loucura. Dia 30 de julho é o motivo de felicidade e confraternização. Estarei o dia todo de plantão na Casa de Cultura, comemorando o centenário de nascimento do poeta Mario Quintana. Orquestra Jovem da Ospa pela manhã, teatro infantil à tarde, recital no fim de tarde e teatro adulto à noite. Tudo com entrada franca. Quem quiser/puder, aparece por aí. Um encontro meu comigo mesma e com os amigos vai acontecer somente no dia 31 de julho. Até lá, muito trabalho me espera.

julho 24, 2006


Eu sumi.
Sei.
Se alguém me achar por aí, por favor, me avisa.
Eu também estou me procurando.

julho 19, 2006

A proposta foi apresentada. Os convites, devidamente oficializados e aceitos. A jornada pode começar a qualquer momento. Basta ligar o carro. Repito: basta ligar o carro... O cartaz desse filme das nossas vidas é que já está pronto. A arte, uma cortesia do Mano, apresenta Lu (como Thelma), Moni (como Louise), Déia (como a caroneira misteriosa) e Mari (como o sol dos Teletubbies). Em breve, num cinema longe de você.

julho 17, 2006

Hoje, me lembrei da minha viagem a Salvador. E de que, entre os vários conselhos que recebi, estava o fatídico: não vai ser boba de pedir carne nos restaurantes de lá. Tem que comer peixe! Tem que comer camarão!! Viva os frutos do mar!!!... Ok. Como era a primeira vez, na vida, que eu viajava sozinha, tentei considerar os inúmeros avisos, dicas, lembranças, recados, ameaças, terrorismos e informações que todas as pessoas que conheceram a Bahia antes de mim acharam importante mencionar. Certo. Entrando no Pelourinho, às 15h de uma terça-feira, eu estava com uma fome do tamanho da minha curiosidade pelo lugar. Mas achei conveniente almoçar antes de passear. Entrei em um café simpático, procurei por uma mesa vazia e pedi o cardápio. Depois de analisar por 22 segundos, meus olhos não desgrudaram da sugestão do chefe. Me parecia boa. E sempre tive confiança nessa intuição gastronômica: tenho grandes chances de pedir o melhor prato quando conheço um novo restaurante. Pois bem... Garçonete, eu vou querer a carne à moda do chefe... A carne... Isso aí!!! C-a-r-n-e!!! Porque se eu estava sozinha, em uma cidade desconhecida, pronta para desbravar, a primeira coisa que eu deveria fazer era quebrar qualquer regra pré-estabelecida. E confesso: até hoje, eu ainda sonho com aquele suculento pedaço de carne coberto com o molho mais inesquecível que eu já provei... Ah, essa vida de rebelde é realmente fantástica.


X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X


Eu e a Moni concordamos de brincar de Thelma e Louise. Momento mais propício do que esse não poderia existir. O plano é fácil e a lista de necessidades é um clássico cinematográfico. Os problemas já existem. Basta prosseguir com o plano de fugir deles. A medida seguinte é alugar, comprar ou roubar um conversível. Claro que deve ser vermelho, potente e forte, para agüentar os trancos das estradas brasileiras. No mapa, está definido o roteiro. E, especialmente, a clássica queda. Depois de fugir da polícia e mostrar uma banana para todo o universo, vamos acelerar na direção do precipício da Chapada dos Guimarães. Velocidade, velocidade, velocidade. E as mãos dadas voando pelo vazio. O melhor de tudo: eu é que vou ficar com o Brad Pitt. Pelo simples motivo de que a Moni sempre achou que lidava melhor com armas do que eu... Ah, esse mundo de crime, do sexo e da fantasia é realmente fantástico.

Eu pedi que me deixasse aqui quietinha. Estava achando suficiente todo o meu mundo de papel e letras impressas em laser. Eu achava importante tudo o que fazia. Essencial tudo o que pensava. Eu implorei para que me deixasse aqui em paz. Eu tinha prometido que não importunaria mais ninguém. Eu rezava todos os dias para ter paciência e ser ainda melhor. Eu me concentrava para executar tudo o que pudesse. Eu gritei com toda a minha força para que me esquecesse um pouco. Já não bastavam as cobranças. Já não bastava a falta de reconhecimento e os pedidos mesquinhos e ridículos. Eu fiquei com raiva. Fiquei com nojo. Fiquei com muita pena. Agora, só te peço que me devolva o tapete bem limpinho. É o mínimo que eu mereço. Depois que ele foi puxado dos meus pés.

julho 14, 2006

O menor dedinho do meu pé direito puxou as minhas orelhas. Elas reclamaram um pouco. Doeu e o sermão foi pesado. O dedo gritava o que seria da minha vida, o que eu faria. O quê? O quê? A consciência nem ligou. Continuou ali, jogada no chão, fumando um cigarro e falando impropérios a todos os que tentassem lhe puxar e provocar qualquer movimento. A vontade sorria de tudo, fingindo alienação faceira, mas torcendo para que a situação fosse incendiada pela discórdia entre o desejo e o pudor. Esses dois velhos conhecidos, que partiram para a briga depois de algumas doses de uísque. Indiferente, a vergonha disse que se matassem. Ela não ligaria, e não teria problemas com escândalos, com as reclamações das senhoras de família ou com a polícia. O pé esquerdo chutou o balde. E as mãos foram correndo fechar as janelas, para evitar que todo o caos virasse saborosa fofoca na língua dos vizinhos. O pensamento continuava procurando soluções nos livros, e boca já rezava para todos os santos de todos os milagres de diferentes religiões. Nos olhos, dava para perceber que a paz tardaria, e o estômago estava nervoso demais para pensar em outra coisa que não fosse chocolate, damasco e uma cervejinha. E eu? Continuei ali, incrédula, dividindo uma Coca Light com o meu coração. E pedindo, pelo amor de Deus, que ele me ajudasse, antes que tudo isso virasse novela mexicana ou romance de quinta.

julho 13, 2006

Porque, algumas vezes, eu tenho medo de fechar a boca. E abrir os olhos. E sentir o corpo ser inundado por esse completo catálogo de possibilidades que é o mundo. Coisa bem produzida, com fotografias requintadas e nuances e com descrições simples e essenciais como bolo de cenoura com cobertura de chocolate em dia de chuva. Eu olho, olho. Mal consigo desviar o olhar. Minhas mãos recuam um pouco. Meu sorriso se esconde atrás de lábios rígidos. Penso que pode ser tarde demais. Que não existem ouvidos em parte alguma dispostos a conhecer as minhas necessidades. Ou minhas dúvidas. Esses questionamentos que infestam minha cabeça como pequenos vermes. E eu sigo, adquirindo esse formato de vaso de cerâmica. E, no topo, logo acima dos meus cabelos, cresce uma margarida.

julho 12, 2006

- Olha... Eu recebi um powerpoint da minha irmã.

- Quem são?

- A seleção italiana de futebol.

- Hummm.

- É...

- E eles estão de cueca?

- Sim. Dolce&Gabana.

- Nossa...

- Verdade...

- Olha a barriga daquele ali!

- Ah...

- Olha o tamanho do braço!

- É.

- Puxa...

- Um homem desses pode até destruir uma mulher...

- ....

- Alice? Tá me ouvindo?!?!

- Sim... É que estou pensando nessa destruição toda...

julho 11, 2006

Eu estou atucanada demais para mandar e-mails ou pegar o celular... Então... Vou experimentar isso aqui...

Mano - Vou precisar daquele Grande Sertão Veredas que eu te dei te aniversário. Tá?
Mari - Que tal um cinema hoje? Também estou precisando.
Moni - Lembra do CD Pearl Jam ao vivo em Porto Alegre? Tu não deletou, né?
Pai - Lembra de me trazer a foto.
Mãe - Lembra o pai de lembrar de me trazer a foto.
Sonia - E o nosso encontro?
Marrí - Ih, tô devendo as fotos. Prometo, prometo...
Marcelo - E a foto minha com a Malu? Beijos pra vocês!
Mr. Flag - Obrigada pelo novo estoque de Farinha Láctea e suco de uva.
Manu - E o nosso café? Ah, o CD da nossa corrente vai amanhã.
Tati - E o nosso café? Tu não vai me abandonar, né?
Ane - Gostei da reformulação do Clandestina. E os escritos, como vão?
Danilo - Até agora fico imaginando o pequeno Murilo ouvindo Mozart.
Angela - Que tal combinar outro passeio no Brique?
Napp - Volta logo de Montevidéu.
Miguel - Saludos de Brasil!!!
Kemi - E o nosso almoço na CCMQ?
Edmundo - Tô com saudades.
Alice - Fica melhorzinha. Tira um gatinho da cartola.
Letícia - Manda calor da Bahia pra mim.
Déia - Vou te ligar para aquele café com cinema. Ou pipoca com cinema.
Rodrigo - Mas aquela cabeçada foi mesmo feia. E os filmes, como vão?
Sassá - Ainda não tenho retorno do CD branco dos Beatles.
Dany - E a nossa festa? Sai quando?
Lu - E um post decente nesse 50kg? Sai quando?

Atualizando: compromissos sociais geram compromissos sociais.

Nando - Vamos fazer a janta com a Pietra ainda esse mês. Confirmado.
Samir - Estava anotado na agenda. Confirmo o TPS amanhã. Beijos!

julho 10, 2006


Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas. Enrique Vila-Matas.

"Ela não vai parar de falar nesse cara?"

NÃO.

Vila-Matas me apresentou Felisberto Hernández, me relembrou Jorge Luis Borges, me fez sentir saudades de Kafka, me transportou para o tempo em que eu idolatrava Ítalo Calvino, me fez ter vontade de seguir adiante com os planos de ler Miguel de Cervantes, de redescobrir Shakespeare, de conhecer ainda mais Georges Perec, de me aventurar de mãos dadas com James Joyce, me encorajou para tentar Charles Baudelaire, começar algo com Fiódor Dostoievski, e ter o sentimento de que agora é a hora de desfrutar Guimarães Rosa. Sinto como se fosse uma festa, promissora... E que está apenas começando.

julho 09, 2006


Parabéns ao verdadeiro super-herói da minha vida.

Feliz aniversário, pai!

julho 08, 2006

Todos desejamos resgatar por intermédio da memória cada fragmento de vida que subitamente nos volta, por mais indigno, por mais doloroso que seja. E a única maneira de fazê-lo é fixá-lo com a escrita.

A literatura, por mais que nos apaixone negá-la, permite resgatar do esquecimento tudo isso sobre o que o olhar contemporâneo, cada dia mais imoral, pretende deslizar com a mais absoluta indiferença.


Não resisti compartilhar um pouco de Enrique Vila-Matas, e seu Bartleby e companhia.

julho 07, 2006


- Tô com o pé gelado.

- Ai... Ai, que horror...

- Esquenta aí... E não reclama.

- Que sacrifício...

- E me abraça.

- Hã?

- Tô mandando, Maurício.

- Tá.

- Hummm.

- Que pé gelado.

- E fala umas coisas bem podres no meu ouvido.

- O quê?

- Fala. Já disse que tô mandando.

- ...

- Não vai falar?

- Não consigo, Beatriz.

- Santinho.

- Qual é?

- Eu quero ouvir. Vai...

- Não consigo.

- Bah! Pergunta pros teus amigos. Duvido que eles não falem sacanagem.

- Só o que faltava.

- Puxa... Terei que incrementar as tuas leituras...

- Sei...

- Vamos começar com Quarup.

- Por quê?

- O padre Nando é realmente quente.

- A-hã.

- Que decepção.

- Sei lá.

- Que falta de criatividade.

- Eu acho que tu anda lendo demais Revista Nova.

- Sei... Mas fala algo bem podrão, fala...

- Boa noite...

- Qual era mesmo o canal que passa filme pornô?

- Vai dormir, Bia...

- Maurício?

- Hã!?!?

- Nada...

julho 06, 2006

Do you have the time to listen to me whine
About nothing and everything all at once
I am one of those
Melodramatic fools
Neurotic to the bone
No doubt about it

Sometimes I give myself the creeps
Sometimes my mind plays tricks on me
It all keeps adding up
I think I'm cracking up
Am I just paranoid?
Or am I just stoned


Não sei se eu estava delirando ontem com a febre. Mas eu sonhei que o Green Day estava tocando na televisão. Uma música feita só pra mim. E que dizia todas essas coisas. E, no final, me mandava fugir para o Paraguai.

julho 05, 2006

Tudo o que eu queria hoje era que a Tina Turner, enfermeira que trabalha na SAMU aqui em Porto Alegre, viesse me salvar. E me levasse para um lugar bem quentinho. Longe de todas as pessoas. Todas. E me dissesse que essa dor no meu peito não é nada grave. Tina, me saaaaaaaaaaaaaaaaalva!!!

Atualizando: Me arrastei a tarde inteira na CCMQ. Tive até dor no peito. Cheguei ontem em casa e peguei o termômetro. 38.8, hummm... Liguei para a minha mãe e memorizei todas as dicas possíveis para tirar a febre de mim. Fiz tudo, tudo... E, literalmente, delirei por duas horas e meia. Sozinha em casa. Lembro de ter atendido a Nóia no celular. E lembro que o Mr. Flag atendeu outras pessoas no meu celular e no telefone de casa. Galera, foi o maior sufoco dos últimos tempos. Mas hoje estou beeeeeeeeem melhor. Agradeço a preocupação de todos. Principalmente da Tina...hehehe.

julho 04, 2006

Da primeira vez, não nos acertamos. Ele chegou assim, meio grosseiro. Parecia me desafiar. E eu não gosto disso. Não me chama para a briga se não quiser levar um soco bem no meio do nariz. Foi o que eu respondi. Ele riu, me disse que ficasse quieta e aproveitasse. Mas, ah... Como se eu fosse conseguir depois de toda essa provocação. Ainda tentamos ficar juntos. Ninguém pode dizer que eu não tentei... Tentei, sim. Procurei a melhor posição no travesseiro, me acomodei no cobertor e até o rádio do criado-mudo eu desliguei. Tudo para criar a melhor situação. Mas não teve jeito. E confesso que não foi com tristeza nos olhos que me despedi dele. Foi com um certo alívio. Pronta para outra(s), me embrenhei em novas aventuras. E até gostei. Curtição de verdade. Foi aí, que outro bateu à minha porta. Um tal de Bartleby. Quieto, "lamentavelmente arrumado, lamentavelmente respeitável, extremamente desamparado". Ele dizia: "Acho melhor não". "Acho melhor não". E, depois de tristemente acabar, trouxe meu amigo grosseiro novamente. Ele entrou com um sorriso de canto de boca no meu quarto. Como quem se questiona se, dessa vez, eu estaria pronta para ele. Disse que estava. E me entreguei totalmente, com a luz de cabeceira como nossa única testemunha. Contrariando todas as expectativas, Bartleby e companhia, do Enrique Vila-Matas é uma das mais deliciosas leituras dos últimos anos. Com o Melville e o seu Bartleby como nossos padrinhos, é claro... Ai, ai... Romances novos são sempre... Bem, vocês devem saber o que...

julho 03, 2006

03 de julho é o dia do aniversário de um dos meus mais queridos amigos. Poeta, amigo e chefe. A ironia em pessoa. E o deboche no gatilho, pronto para disparar em qualquer direção. Um dos meus confidentes, e um dos maiores apoiadores na minha empreitada de escritora. Um amor de pessoa, mas um doce bandido em alguns momentos. Companheiro de risadas na tardes da Casa de Cultura. E pai do Ariosto, o passarinho gordinho que ganhou vida nas páginas de um livro na última quarta-feira. Na foto, Sergio Napp e eu no lançamento do Passarinhar-se dele. Feliz aniversário, Napp!

03 de julho também é o dia do aniversário de outro querido amigo. Colega de oficina do professor Assis e primeiro leitor das coisas loucas que escrevo. Feliz aniversário, Samir!

julho 01, 2006

Ainda restavam algumas horas do dia. Olhei para os meus pés, e vi que os pequenos dedos se apoiavam com força no tecido. E provocavam o impulso necessário para projetar o tronco levemente para a frente e, com o braço direito, abaixar a aba da rede. Meu pai estava em pé, ao lado da grande árvore que sustentava uma das pontas. Virei o rosto e sorri para ele. Pedi que embalasse a rede. Continuamente. Esquerda e direita. Esse lado aqui e o lado de lá. Eu tocava a grama no chão, sentia a terra sujando a mão com vontade. Agarrava algumas folhas secas e analisava cada um de seus retículos. Como se fossem os fios condutores que relatassem a história dessa semente que originou a folha, que lá do alto analisava o mundo. E que, um dia, despregando-se do galho, decidiu alçar vôo. E se atirou na direção do desconhecido. Veio parar aqui. Perto de mim. Sempre perto de mim. Coloquei-a próxima do meu rosto, e adormeci. De um lado para o outro. Sem sentir o tic-tac, sem precisar contar nada. Estendendo as mãos e ganhando os abraços mais inesquecíveis do mundo. Morrendo de rir com a Moni, à sombra da pitangueira. Sem que nos déssemos conta de que nossos rostos estavam completamente sujos e roxos depois de comer as frutas. Brincando de escolinha com a Mari. Ensinando que um mais um fazem dois. Ajudando a mãe a fazer o Mano adormecer. Tocando de leve a sua testa e fazendo um carinho bem, bem suave. Dormi sorrindo com tudo isso. E acordei quando já era noite. Ainda deitada na rede, avistei a luz da casa. Segui pisando forte pelo caminho de pedregulhos, para chegar até a porta, abrí-la, e contar para todo mundo que esse meu mundo de sonhos era real.

junho 29, 2006

Eu queria que as idéias saíssem pelos meus dedos e ganhassem vida pelo teclado. E que, na tela do meu computador, as letras começassem a dançar e a cantar. Como num show da Broadway. E o espetáculo contaria a história da minha vida. Repleto de figurinos, personagens e cenários. Paredes de um colorido que poderia lembrar o meu sorriso. E de uma noite mais brilhante como eu sempre sonhei. Eu poderia relembrar todas as coisas, como se fosse um almoço com um velho amigo, de muitos anos, de muitas risadas, de conhecer a minha vida até o avesso. Eu perguntaria, depois que ele posicionasse os talheres no prato: "Me acompanha num cafezinho?" E os atores começariam a cantar, meu pé já batendo no chão, o dedo tocando com ritmo a alça da xícara, a cabeça de um lado para o outro. E as canções falariam sobre mim. Sobre as coisas que eu penso, sobre o que as pessoas acham que acham, mas na verdade não podem achar nada. E as canções me diriam para onde seguir. Eu ficaria feliz. Porque teria um mapa completamente novo na minha cabeça. E perderia o medo. Pois direções são preciosidades. Mais valiosas que um baú abarrotado de jóias. A música continuaria. Eu teria cada vez mais certeza. Até o momento em que as cortinas se fechassem. E o meu coração ardesse em desespero na curiosidade de saber se alguém aplaudiria ou não...

junho 27, 2006

Mais uma música adicionada à discoteca particular da minha cabeça. Do Muse... Vai! Canta aí comigo!

Far away
The ship is taking me far away
Far away from the memories
Of the people who care if I live or die

Starlight
I will be chasing the starlight
Until the end of my life
I dont know if it's worth it anymore

Hold you in my arms
I just wanted to hold
you in my arms

My life
You electrify my life
Lets conspire to ignite
All the cells that would die just to feel alive

But I'll never let you go
If you promised not to fade away
never Fade away

Our hopes and expectations
Black holes and revelations
Our hopes and expectations
Black holes and revelations

junho 26, 2006

Tranqüila. Bem tranqüila. Levantei da cama. Com notas musicais na cabeça. Tranqüila. Tomei banho. Aproveitei o sabor do suco de uva. Olhei o relógio. Na medida. Nem atrasada. Nem adiantada. Pintei os olhos. Arrumei os cabelos. Enrolei o cachecol no pescoço. Vesti o casaco grosso. E andei pela calçada. Até o estacionamento. Olhando para o chão. Protegendo os olhos. Do vento. Do frio. Abri o meu carro. Dirigi até o trabalho. Cantando. Rindo do remix forçado. Dos pulos do CD. Cada vez que eu passava em um buraco. Nem os buracos. Nem eles me incomodariam hoje. Trabalhei bastante. Organizei todo o material. E fui até a Vila Nova. Conversei com os meninos da gráfica. Combinamos toda a impressão do jornal. Voltei cantando mais. Retornando para a mesma música. Sempre a mesma. Que fala da luz de uma estrela. Fala de seguir essa estrela. Porque ela eletrifica a vida da gente. E é isso. É isso que se precisa. Almocei. Também na medida. O caminho estava gelado. Uma ventania. Mas a comida quentinha. A companhia agradável. Brindei a tarde com um café. Para descongelar o corpo. Me aprontar para o turno. Terminar de organizar mais coisas. Tudo já planejado. Mas um telefonema. Um telefonema bastou. Para abrir a passagem do caos. A pessoa foi muito pedante comigo no telefone, e eu confesso. Até aquele momento ainda não tinha notado que o céu estava carregado de nuvens. Muito carregado de muitas nuvens e eu tive vontade de xingar o cara, falar coisas horríveis. Mas me controlei. Não podia deixar nada estragar a minha segunda-feira na medida. Justo no momento em que entram novamente na minha vida para me dizer que o trabalho ainda não estava finalizado que eu talvez tivesse sonhado isso mas que a verdade era que teria que escrever ainda nessa tarde mais duas páginas do jornal que eu tinha produzido ontem durante toda a tarde enquanto chovia muito e eu bem que poderia estar dormindo e sonhando mas estava trabalhando e pra nada pra nada porque daí fiquei nervosa e daí eu me descontrolei e comecei a ficar ainda mais furiosa quando li o material prévio dessas novas páginas e vi que não tinha nada nada nada tudo era um lixo completo e teria que ser refeito por mim é claro em menos de uma hora porque eles fizeram o favor de não alterar um minuto sequer do cronograma pois não podemos atrasar a entrega e aí nesse meio tempo digitando feito uma louca ainda consegui chatear uma pessoa via MSN e deixei o assunto mal resolvido porque tinha que trabalhar e discuti com uma colega porque fui dispensada de uma viagem que eu queria muito ir e não achei justo e gritei que ninguém reconhece um milésimo do meu esforço que depois ficam reclamando dos meus dramas sem fim mas a minha vida é um drama pesado cheio de lágrimas e exageros e também não pedi desculpas para as cinco pessoas que eu xinguei muito e nem me lembrei que um dia a minha promessa na aula de psicossíntese foi de nunca mais brigar no meu trabalho nunca mais fazer bolos e deixar todo mundo desesperado tentando me conter mas eu pensei que se ralem que se ralem que se ralem todos porque essa vida é muito injusta e hoje eu estava a fim de quebrar tudo mesmo bem no meio na medida da minha segunda-feira destruída. Vou pro yoga.

A brincadeira toda deixou um gosto de algodão-doce na minha boca. Abri o dicionário, como quem procura por formas de animais ou gostosuras nas nuvens. Procurei por palavras. Inusitadas, surpreendentes, para que eu as aprenda e imprima um toque de clássica erudição às minhas piadas de menina grande. E eu fiquei olhando a tela do computador, admirando as palavras, pensando que elas se pareciam com coelhinhos, depois com um navio imenso, e também com sorvetes de chocolate, e aquela ali mais parece um pezinho todo jeitoso. E só fiquei imaginando a tua cara de surpresa, quando eu despejasse todas elas, uma a uma, da minha boca para o teu ouvido... Bem baixinho.

junho 25, 2006


Ontem, 50kg e Clandestina ultrapassaram o mundo virtual. O encontro aconteceu no Café do Lago e foi regado a muito café, guaraná diet, gato preto, coincidências, literatura, diferenças, miopia e astigmatismo, confissões, paixões pelo Rio, encanto por Salvador e muita, muita Era de Aquário nas nossas trajetórias. Um dos encantos da vida são essas afinidades instantâneas, feito Polaroid do tempo em que éramos crianças. Pois tem o potencial de durar muito. Ane, adorei ter te conhecido assim, longe da fronteira do blog, pessoa completa.

junho 24, 2006

Direto de Ji-Paraná, com banda larguíssima e cachos acentuados... Bem-vinda ao mundo moderno! Está inaugurada a temporada de conversas na Internet.

Tá. Ontem eu estava louca. Desculpa se eu gritei contigo. Desculpa se fui grossa naquele e-mail. Desculpa se joguei aquela colher cheia de Farinha Láctea contra a parede e fez um buraco e a massa ficou endurecida no bege caramelo claro. E o resto ficou ali jogado. E eu não limpei. É claro. Pisei forte com as minhas pantufas de cachorrinho, e girei, girei só com os pés, até cair e bater com a bunda no chão. Foi engraçado. Mas eu fiquei irritada. E liguei o rádio, e coloquei aquele CD de punk rock que eu amo, e a vizinha que gosta de tango não suportou. Bateu na porta repetidas vezes, e ameaçava me mandar para a ponte que partiu. Não sei por que. Acho que foi destruída por um temporal. Esse mesmo que está sobre a minha cabeça. E sobre a cabeça do mundo. Vai, olha! Olha! A nuvem tá bem aqui, ó!

junho 23, 2006


Ê, sexta-feira!

junho 22, 2006

Porque tudo começou ontem à noite. A Lê foi jantar na minha casa. Eu fui no supermercado e comprei vinho para a comida e Polar Bock para mim. Eu estava com vontade de tomar Polar Bock há um mês. E não encontrava nunca. As garrafinhas estavam lá, na geladeira do corredor das bebidas, só esperando pela minha vontade. Cozinhei. A Lê ficou sentada num banquinho na minha cozinha. E eu mexendo as panelas, fazendo as minhas tradicionais poções e superstições culinárias. E nós falando... Falando, falando, falando... Conversamos sobre todas as coisas que aconteceram desde que eu fui para a Bahia em janeiro. Muita coisa. Mais de quatro meses de novidades. Sentamos na sala. E conversamos mais. E eu jantando e tomando a minha Polar. ÊÊÊ! Contei pra ela dos meus planos, do trabalho e das confusões. Fiquei com as bochechas quentinhas. Claro, ri sem parar. E a cerveja subindo para a cabeça. Subindo, subindo. Levei a Lê até a Anita Garibaldi para pegar um táxi. E voltei para casa cantando, e imitando com os braços a bateria de uma música do CD novo do Muse que entrou e ficou, ali, num cantinho do meu cérebro. Lavei a louça. Cantando, cantando. E fui dormir... A primeira coisa da manhã, depois do banho, suco de uva e café com leite, foi a manicure. Maravilha, maravilha. Peguei a lotação e sentei no lado esquerdo, para ficar com o rosto encostado no vidro, pegando sol e ficando bem quentinha de novo. Claro, cantei mais. Eu adoro cantar na lotação. E, às vezes, eu também falo. Coisas que até as pessoas concordam. Ou eu fico com vergonha quando falo alto demais, e aquelas senhoras de casacos grossos e jóias transbordando pelas mangas acham que sou maluca. Desci no Centro. E atravessei toda a Praça da Alfândega, analisando os camelôs que vendem qualquer coisa que se queira. Os da Praça são mais sofisticados, têm artesanato e umas cuias lindas. Em uma das bancas, alguém fazia um tratado maravilhoso sobre Leonardo da Vinci. Fui fazendo o caminho do sol até chegar à Casa de Cultura. Cheguei e sentei no computador. Li os e-mails. Conectei o MSN. E comecei a andança pelos blogs afins... E comecei a conversar com a Moni pelo chat do Gmail. Conseguimos falar bastante, pois a conexão de Rondônia não atrapalhou nada. E ela me contou do trabalho, da poeira, do modem de banda larga que não chega nunca. Me contou da Tess e de histórias engraçadas de estufas, alfaces e gatinhos. E eu ri muito. Gargalhei. E nem senti o tempo passar. Olhei o relógio. E fiquei com medo de almoçar sozinha hoje. Liguei para o Napp. E, ao mesmo tempo, ouvi um toque de celular no corredor. E ele atendeu bem baixinho, pra fingir que não estava ali. E eu desliguei e peguei ele na tampinha, fazendo a brincadeira comigo no momento em que chegava na Casa. Voltei para computador, para fazer uma hora. E li uma coisa tão linda, linda, linda no blog da Manu. E me concentrei em alguns parágrafos. E admirei a coragem dela por ter contado tudo, tudo, tudo... E fiquei feliz por saber que ela é minha amiga. E que eu sou amiga dela. E que tenho tantos outros amigos. Que eu acho especiais, essenciais, luz. Olhei para a mesa ao lado da minha. E o sol, se esgueirando e se refletindo em vidros de prédios e carros, conseguiu entrar na minha sala. E ele dançava, como que querendo me mostrar alguma coisa. E eu nem liguei. Levantei da cadeira, aumentei o volume do rádio, e saí dançando com ele. E eu nem liguei que era meio-dia. Nem liguei que estava na minha sala, e que algumas colegas passaram e riram da minha discoteca particular. E achei que seria interessante escrever no blog sobre todos os pensamentos da minha cabeça. Num post enorme. Do tamanho dessa coisa boa que estou sentindo por dentro há algum tempo.

junho 19, 2006

O ar empurra os balões coloridos para ainda mais alto. A menina do vestido azul tenta enxergar por entre a luz do sol as bolas coloridas ganhando altura. Sentada no balanço de madeira, ela determina a velocidade do tempo com o ir e vir. Vai devagarinho. Olhando o chão e imaginando atingir o céu quando os pés quanse decolam. Indo e vindo. Como um tic-tac de um tempo infinito. Um tempo de brincadeiras e invencionices. De mundos inteiros criados entre as árvores do jardim, de descobertas das idéias. Um tempo em que era possível pintar as nuvens cor-de-rosa, e também de procurar bandidos com armas de mentirinha. O mundo inteiro era uma folha branca de papel, só esperando o toque do conjunto completo de canetas coloridas. Tudo podia ser o que ela quisesse. E continua sendo assim. Neste jardim de lembranças de sua infância. Como uma fonte de inspiração inesgotável, como matéria-prima para a sobrevivência de uma alma adulta. Alma que encontra seu refúgio perfeito na nostalgia e em todo o universo imaginário que faz parte dela. A bola vermelha continua perto da árvore. Mas o tic-tac não pára. Está quase anoitecendo. Hora de parar de brincar de adulto se imaginando criança. Sua mãe já lhe chama para o jantar.


Domingão.

Mais família Thomé em Mari - Dicionário de Idéias Afins

junho 16, 2006

A melhor de todas, todas, todas, todas e todas (absolutamente todas) as notícias que eu poderia ter nesta sexta-feira pós-feriado.
Proporcionada by Mari's Piratarias Inc.

junho 15, 2006

Há dias tenho tido pesadelos. Diferentes dos habituais, nos quais estou trabalhando durante toda a madrugada, discutindo com alguém aos gritos, ou tentando gritar e sem voz para fazê-lo. Nesta semana tem sido pouco usual. Acordo, no meio da noite, com a sensação de que alguém está no quarto. Mas não uma pessoa somente. Lotes e lotes de pessoas. Elas caminham pelo espaço, se encostam no guarda-roupa. Algumas até sentam discretamente no cantinho do colchão. Elas conversam e não me deixam dormir. Como um encontro de velhos colegas de colégio. E eu ali, com os olhos fechados, escondendo o rosto no travesseiro. O tempo passa, começo a ficar com calor, e eles começam a inventar coisas. Pior: me mandam fazer coisas a noite toda. Inicio todo o processo de estresse e nervosismo. A madrugada é infinitamente menor que a lista de tarefas. Na quarta-feira, tive a nítida impressão de, às 2h59min, dizer para o Mr. Flag: "Tchê, da próxima vez não traga tanta gente para a cama, por favor". Hoje eu vou ter que dar um jeito. Se esse povo está ali esperando drinks e canapés, estão é muito enganados.

junho 14, 2006

Delicadamente, inclinei meu corpo para a frente, apoiei as mãos e sentei no chão. Senti um leve relaxamento. Começando do topo da cabeça, e percorrendo o caminho até o pescoço como pequenas correntes elétricas. Me arrepiei um pouco... Firmei os braços no chão, relaxei a coluna e joguei o rosto para o sol. Esperando que ele me inundasse de calor, ou de outras e outras e outras sensações de desprendimento. Inspiração. Longa, profunda, completa. E um suspiro quase infinito. Quase. Dobrei os joelhos e aproximei os pés do quadril. Uma mão acima da outra, com a coluna erguida por uma força invisível, fechei os olhos e me concentrei nele. O tudo. Pupilas serenas e me vi. Pronta. Com o tíquete na mão, os pés na plataforma, olhando fixamente para os trilhos. Esperando o primeiro sinal de fumaça do primeiro trem com destino para um universo particular. E secreto.

junho 13, 2006


O quê? Copa do Mundo?!?!? Onde? Quando? Como?!?!?! Não vi nada.
Não vi garra, não vi qualidade. Não vi jogo.

junho 12, 2006


Você é tão Paris
Eu sou um Zé qualquer


Moptop

Fim de semana em forma de notas musicais. Na sexta, churrasco com direito a discotecagem na nova casa do Marcelo e da Adri, com muito anos 80. A Malu está fofíssima, e esta é a mansão mais aconchegante que já conheci. No sábado, a coisa

ficou forte. A Família Metal se dirigiu a Taquara, para assistir o IV Thrash Attack Festival. O Mano tocou com a Dark Asylum e, simplesmente, detonou a batera. No domingo, pós-plantão congelante, assistimos os

cariocas do Moptop no Bar Ocidente. Eu, Dany, Sassá e Vivi. Com direito a polenta e mesa "Terror em Amityville" na Lancheria. E os pezinhos insistem em continuar dançando. Até agora...

junho 11, 2006

A pergunta que não se cala há vários meses: quem é a pessoa que acessa o meu blog de Roma?!?!? Apresente-se, por favor, e acabe com essa minha curiosidade.

O dia amanheceu frio hoje. Depois da chuva de ontem, até minha memória foi lavada. Num estalo, me lembrei do meu plantão. Estava desfeito o meu sonho de um fim de semana de folga plena. Liguei para a Casa de Cultura e verifiquei a informação. Castigo confirmado. Sem saída, preparei a cuia, saquei a bomba e, de mateira no ombro, adentrei o Centro deserto de Porto Alegre. Poucas almas passeavam pela CCMQ. A maioria delas, penadas.

"Cinema a R$ 8,00. Teatro Carlos Carvalho no segundo andar, saindo do elevador à direita. Ingressos para o cinema na Sala Eduardo Hirtz, do outro lado da Travessa. Museu do Brinquedo no quinto andar. Quarto do Poeta no segundo andar na outra ala. Teatro Bruno Kiefer no sexto andar. Café Concerto? No sétimo andar pelo elevador da outra ala".

E o Mariozinho atrás de mim, ouvindo as perguntas, e rindo das respostas. "São sempre as mesmas. As perguntas e as respostas. As respostas e as perguntas". Sim. Sou um gravador com casaco e cachecol, e posso até mesmo repetir as indicações em seqüência, sem prejuízo algum. Ele achou divertido na primeira hora. Depois, se cansou. E acabou enfiando os óculos enormes no jornal, concentrado nas notícias sobre o sermão do jogador de futebol no presidente. "Uma bolada na cara dele". Literalmente.

Conversamos sobre poesia. Sobre autores franceses. E, antes que eu pudesse perceber, ele havia caído em sono profundo. Não pude nem conversar sobre a agenda de passeios e visitas a escolas no mês de junho. Passei o resto do tempo cuidando para que os visitantes falassem baixo, e que as crianças diminuíssem a algazarra. Precisava preservar o soninho do poeta. Nananana, nananana, nana-na-nananana, nananana, nananana, nanana-nana-nana...

junho 08, 2006





Então, o seu Mariozinho chegou perto de mim e disse: Alegre miséria. Os teus sapatos parecem que estão rindo! E, é claro, eu achei muita graça. E fui pra casa. Sorrindo como meu sapato furado.

junho 07, 2006


Uma das minhas casas, com o sol do fim da tarde, sob o olhar da Sassá, em uma semana de muito trabalho, boas risadas, algumas descobertas e um friozinho de dar uma baita preguiça.

junho 06, 2006

Quando se pensa que o limite foi alcançado, é daí que estamos realmente enganados. A todo o momento, o mundo inteiro conspira para que os desafios sejam maiores, os prazos menores e as pessoas que aparecem mais insandecidas. Ao mencionar insandecidas, quero dizer realmente insandecidas, loucas de pedra, malucas, piradas, piscóticas em mais alto grau e nível de periculosidade. Tudo isso para dizer que a minha tarde (ou seja, mais ou menos 4 horas) passou como se fosse cinco minutos (ou seja, praticamente nada). Isso significa que, entre um telefone, um e-mail, um problema, outro telefone, alguma solução e muita, mas muita gritaria, fiz váááááárias coisas que sequer lembro. Assim automática. Precisei agendar para alguém duas escolas diferentes com alunos de idades diferentes para uma matéria diferente para o Jornal Nacional. Alguém me pediu para arrumar o tamanho de uma foto possivelmente de outro alguém. Alguém novamente me pediu uma foto do poeta que inacreditavelmente não tenho autorização de outro alguém para passar adiante. Alguém me ligou para pedir para exibir um DVD sobre o poeta em uma festa no fim de julho que uma reunião de vários alguéns ainda iria definir como será. E foi exatamente nessa reunião que alguém perguntou para outro alguém como era possível que alguém como eu pudesse falar tudo aquilo sobre outrem sem ter bebido antes. Sei lá. Alguém pode me explicar o que está acontecendo? Porque eu ainda estou com vontade de dar uns gritos para uma tal de Miriam. Porque se eu sou a heroína dessa história, ela realmente parece ser uma das mais perversas vilãs que apareceram por essas bandas. Alguém me alcança a minha capa, por favor?

junho 05, 2006

Pois começo a pensar em conspiração subliminar. Alguém está tentando mexer com a minha cabeça. E a música dessa segunda-feira ééééééé...

Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos
Vento, ventania, me leve sem destino

junho 04, 2006

É dificil se acostumar com as mudanças. Pelo simples fato de que elas viciam. Tornam-se imprescindíveis como o ar, como colocar uma perna a frente da outra para provocar o deslocamento. Depois de trabalhar-estudar-me-cansar, dediquei o resto do fim de semana a uma tarefa nova: livrar-me de mim mesma. É isso. Livrar minha fala, meu olhar, meu toque, minha influência, minhas produções... Afastar tudo isso de mim mesma. Porque está cansativo esse caminho que escolhi. Está cada vez mais complicado encontrar soluções que provoquem a mudança automática e plena. Sem mencionar o fato de que, mudando tanto, corro o risco de completar a volta inteira e chegar ao mesmíssimo ponto de onde eu parti a primeira vez... Aquela mesma, em que decretei guerra contra o soldado-eu. Então esse será o desafio do mês: farei coisas que eu nunca faria, falarei coisas que eu não falaria, tocarei tudo de jeito diferente. Mesmo que quebre. E mais importante: não escreverei uma linha sequer do que seja eu... Serei outra pessoa e o universo ao mesmo tempo. Talvez melhore um pouco. Mas com certeza a lista dos defeitos aumentará.

maio 31, 2006

Terminei o trabalho da pós-graduação, com o perfil do Jimi. Foram quatro dias intensos em que, praticamente, não pensei em outra coisa que não fosse o texto. Foi uma decisão louca me matricular numa especialização justo esse ano, em que o trabalho no Conselho aumentou e o centenário do Mario Quintana invadiu a CCMQ. Bem, fiquei gripada, atucanada e psicótica. Mas consegui finalizar o texto em tempo recorde. Assim eu considero... Quero compartilhar com os meus fiéis leitores o texto do Making of, que faz parte do trabalho, mas não é a matéria principal. Essa, só divulgarei quando a avaliação retornar...

Making of

Trabalhei com o Jimi Joe durante um ano na Sucursal da Gazeta Mercantil Rio Grande do Sul. Além de ser um músico e jornalista reconhecido no Estado, era idolatrado pela gurizada estagiária da redação pois dominava o assunto música e contava histórias hilárias. Uma enciclopédia musical ambulante. Diziam inclusive que podia entrevistar alguém durante horas, sem fazer sequer uma anotação. E, depois, reproduzia no jornal o diálogo fiel. Essa e outras muitas lendas que o Jimi nega.

Ao pensar no trabalho para o bimestre, a lembrança do meu colega jornalista foi automática. Além de ser duas pessoas em uma (Arzelindo Ferreira Neto e Jimi Joe), ele havia passado por uma jornada completa do herói. E talvez esse fosse o momento ideal para que eu também aproximasse a minha vida da dele novamente, depois de tantos anos de correria e sem poder se encontrar.

Fiz o perfil dele com um misto de susto e encanto. Num primeiro momento, me censurei por ter levado apenas duas fitas-cassete para o encontro. Mas depois percebi que foi um ritual necessário. Cumprido o protocolo da cronologia de sua vida e das duas horas oficiais de gravação, ele abriu seu coração e deixou que eu anotasse os seus sentimentos. Embargou a voz em diversos momentos. E eu quase chorando junto. O que as disciplinas do curso de pós-graduação podem me ensinar sobre isso? Como se faz o perfil de alguém, quando o coração dessa pessoa está nas nossas mãos? Talvez esse tenha sido o meu primeiro erro real: tentar fazer uma matéria sobre alguém que eu conhecia.

Esse compromisso e essa responsabilidade simplesmente me bloquearam. Passei a ter medo de não conseguir transmitir para o texto toda a sensibilidade e o sentimento que tínhamos vivido naquelas quatro horas de entrevista. Tentei, nesse sentido, me apropriar o máximo da literatura. Foi nesse momento que a minha experiência pessoal me prejudicou. Tive muita dificuldade em conseguir aliar o jornalismo e a literatura no texto. Passei horas escrevendo 20 linhas de literatura. E os dados foram jorrados em poucos minutos para o papel quase da forma como um repórter produz suas matérias. Faltava costurar tudo, deixar o texto agradável... Entendo que a decisão que tomei foi um pouco audaciosa.

Optei por ressaltar apenas uma parte de sua vida: aquela relacionada à música, e por tentar usar ao máximo a estrutura da narrativa mítica do herói. Resolvi desfragmentar o texto todo, mesmo sendo fiel à cronologia. E, cada um desses pontos, foi ilustrado por frases das músicas do CD que Jimi Joe lançou no ano passado, Saudades de Futuro. O texto do trabalho do bimestre e esse texto de making of foram feitos quase por instinto, tomando por base alguns conhecimentos obtidos na aula, mas seguindo um critério pessoal meu para julgar o que seria mais adequado para obter um resultado final razoável.

Confesso: doeu um pouco tudo isso. Foi quase exorcismo. Mas como o Jimi mesmo falou: pelos menos, eu escrevi (...cantei). E um pouco da tristeza foi embora.


Valeu, Jimi! Te adoro muito!

maio 29, 2006

Troque seu cachorro por uma criança pobre (Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre (Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre


Da série: "Como é possível acordar toda a segunda-feira com uma música na cabeça?!?!?!. Do nada?!"

maio 28, 2006

Meu sábado passou rápido. Cadenciado pelo ritmo de uma guitarra gaúcha e nervosa. Alimentado por xícaras e mais xícaras de café. E embalado por uma conversa deliciosa que durou mais de quatro horas. Sábado foi o dia escolhido para concretizar o meu primeiro projeto do curso de pós-graduação. Entrevistei o roqueiro cara de malvado e coração de ouro Jimi Joe. Levei duas fitas para gravar a conversa. E foi insuficiente. Sobraram, isso sim, gargalhadas no meio do Café Azul Cobalto, histórias de jornalismo e de música, ou de música e jornalismo. Ele me contou tudo. Desde o nascimento em Pedro Osório, as loucuras com os colegas de ginásio, o início como jornalista e a barra de estar enfrentando hemodiálise há alguns anos. Saímos quietinhos do café. De braços dados, andando bem devagar, contando ainda outras novidades e caminhando pela Cidade Baixa aproveitando o temporal que já alagava tudo. Gotas se confundem com lágrimas. E sentimento tem total relação com rock and roll. Verdades absolutas. Agora é deixar que tudo isso escape pelos meus dedos, direto no teclado do micro.

maio 26, 2006

- Tu viu que guria bonita essa da foto?

- Do jornal?

- É...

- Tão bonita que parece uma boneca.

- Que nojo.

- É verdade.

- Não te deu vontade de vomitar?

- Um liiixo...


Só podia ser. Sassá e eu. Sobrevivendo ao fim da sexta-feira.

maio 25, 2006


Eu decidi fazer alguma coisa. Não sei o que. Decidi ir embora. Não sei para onde. Decidi parar a rua e gritar para todos os carros. Mas ainda não sei o que dizer. Decidi que é hora de mudar o guarda-roupa. E se demorar, acabo andando pelada por aí. Decidi que quero escrever um livro. Só que ninguém me contou essa história ainda. Decidi que sou uma farsa. E, posso jurar, a tinta está saindo. Estou em crise. Só ainda não decidi o que fazer com ela. Estou me sentindo uma nota de vinte reais. De longe, até passa. Mas quando chega mais perto, se consegue perceber que a textura é diferente, o tamanho é estranho e até o corte é desigual. Porque, por mais que eu tente, nunca vou conseguir ser igual às notas que o Banco Central faz.

maio 23, 2006

Saí do trabalho a pé. Como toda a terça-feira. Na Travessa dos Cataventos, apertei a manta no pescoço, fazendo ainda mais uma volta. Dobrei à esquerda, e senti o odor característico da passarela da gordura. A reunião de três botecões de primeira e muito filé e fritas com azeite. No relógio, 19:42. Aguardei a mudança do visor digital. 12º. Frio, frio. Um vento que cortava minhas orelhas. Saudei o bom e velho Rossi, meu lugar preferido para aumentar a taxa de colesterol e comer o melhor a la minuta do mundo. Várias fontes confirmam isso. Atravesso a João Manuel e já sinto o perfume da bergamota. Delícia. Sigo até o novo café, pertinho da faixa de pedestres da Caldas Júnior. Ali, debaixo de uma das sacadas do Correio do Povo, o cheiro do Big Mac embrulha meu estômago. Adentro a Praça da Alfândega, terreno que concentra os prédios mais lindos do Centro. Continuo andando, olhando para cima. Com calma, pois a rua estava vazia e eu não corria o risco de trombar com ninguém. O céu do mesclado mais lindo. Violeta se misturando com azul escuro e negro profundo. Como o inverno do Sul. Ao final do corredor dos camelôs, encontrei o Lineu e sua carrocinha de milho verde. Exitei mais uma vez. A pasta impediria de comer prazeirosamente o milho com as duas mãos. Como ele merecia. Também avistei a churrasqueira do Zé Waldir e seus espetinhos de carne suculentos. Entrei na rua do estacionamento das bicicletas, longe do fluxo da Andradas. Sempre torcendo para que ninguém me siga. Ouvi passos, e apurei, com o olhar fixo na esquina que, aos poucos, ia se aproximando. Dobrei à direita e avistei a lotação. O segredo é andar pelo meio da rua. Aprendi isso. O fiscal desconfia que pode ser um passageiro, e segura o ônibus por mais um segundo. Nem precisei sinalizar. Ele já me conhece. E me indicou a escada. "É a Mont'serrat. Não vai precisar esperar hoje". Entrei. E encostei o rosto na poltrona, para me esquentar um pouco. Cantando até chegar em casa. Bem baixinho. "Purify the colors, purify my mind. And spread the ashes of the colors over this heart of mine!"