Eu queria, nesse momento, parar um pouco. Ficar três meses ganhando dinheiro de alguma fonte divina. E não precisar me preocupar com o trabalho amontado em cima da mesa e socado nas gavetas. Não me preocuparia com prazos absurdos ou com ordens nojentas. Relaxaria. Respiraria fundo umas mil vezes, e estaria pronta para um trimestre de férias intelectuais. Faria yoga todos os dias. Se possível, duas vezes ao dia. Acordaria tarde. Esqueceria do relógio em algum canto. Sairia de casa sem usar brincos, de jeans e qualquer camiseta. Mas usaria maquiagem. Eu teria tempo de ficar na frente do espelho me arrumando. E horas embaixo do chuveiro experimentando meus novos sabonetes. Depois deitaria na minha cama com lençóis limpos e curtiria meu cheiro de banho. Poderia fazer coisas legais durante a madrugada. No dia seguinte, tomaria um longo café da manhã. Leria, leria muito, todas as coisas e todos os livros que gostaria de ter tempo para ler. Escreveria um pouco. Almoçaria fora, jantaria fora. Descobriria novos lugares. Sairia com os meus pais para ir ao cinema ou tomar um refri em qualquer calçada. Talvez fosse sentir falta de trabalho. Nem tanta assim, eu acho. Dormiria de mãos dadas com o Mr. Flag. E me sentiria feliz.
agosto 20, 2005
agosto 19, 2005
Grande notícia! Meu amigo do RJ João Paulo Vaz ganhou o primeiro lugar no 9º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães. Uma maravilha! Conheci o João Paulo no ano passado, depois que o livro dele ganhou o 2º Prêmio Casa de Cultura Mario Quintana.
Parabéns, João Paulo! A única injustiça é que agora, quando falamos por telefone, tu sabes mais da minha vida do que eu sei da tua. Sabes inclusive sobre o meu romance com o fogão. Olha só, manda um beijo para a Sandra e cria um blog também!!!! hehehe.
Postado por Lu às 11:58 AM 0 quilo(s)
agosto 07, 2005
Pensando seriamente, algo não vai nada bem comigo. Mr. Flag trabalhou o fim de semana inteiro. Fiquei completamente abandonada por ele. E hoje à tarde, sozinha em casa, não resisti e experimentei a traição. Entrei na cozinha. E o enxerguei. Nossos olhares se cruzaram. Ele, com aquele trejeito de malandro, meio sujo, mas com tudo no lugar. Eu desprotegida, carente. Nem me lembrei do Mr. Flag. Foi ali mesmo no chão que, entre esponjas e produtos de limpeza, nós nos esfregamos até o esgotamento. Eu e o meu fogão de quatro bocas. Uma loucura total.
Postado por Lu às 11:33 PM 0 quilo(s)
agosto 04, 2005
Êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!! U-huuuuuuu!!!!! Iiiiiiiiiiirráááááááá!!!! Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!
Postado por Lu às 6:06 PM 0 quilo(s)
agosto 03, 2005
Estava lendo o blog da Cintia Moscovich. E tudo realmente faz sentido. Ainda não consegui encaixar a literatura na minha vida. Não consegui cumprir a promessa de continuar escrevendo, feita há um mês, quando a oficina acabou. Incrementei as leituras, aumentei o ritmo e tive vontade de devorar páginas e mais páginas. Mas está quase impossível sentar na frente do micro e escrever. Tive algumas idéias (uma boa, que pode render, no mínimo, um conto...). Mas não escrevi. Sei. Para mim, escrever dói um pouco. Como se arrancasse pedacinhos, para colar no papel. Me cansa. Fico exausta. No entanto, gosto muito. Talvez a dor maior seja não fazer, não escrever. Ultimamente, não estou conseguindo sequer encaixar minha vida na minha própria vida.
Postado por Lu às 11:02 PM 0 quilo(s)
agosto 01, 2005
No sábado, visitei uma amiga. Entrando no apartamento, não tive a menor dúvida. Ela é uma mãe. Em um mês de mudanças radicais na vida, ela já vestiu aquela capa com o M maiúsculo. Uma superMãe. Conversa com a filhota, reconhece a quilômetros de distância todos os tipos existentes de choro, pega a criança com uma mão só e acomoda, canta até ela adormecer. Disse que quer me treinar, que podemos fazer um intensivo. Pensei em explicar que não seria possível. Esta parece ser uma realidade distante na minha vida. Tenho corpo de criança, poucas pessoas atestam que tenho mais de 19 anos. Fico com medo de tudo que ainda tenho para aprender. Hey! Nem o Mr. Flag me chama de esposa. Para ele, ainda não passei da fase noiva. Como serei mãe assim? Ontem, bateu o pavor: saí arrumando toda a casa, lavando toda a roupa, recolhendo todo o lixo. Antes de cuidar de um bebê, tenho que aprender a cuidar da casa. Ai, obsessão. E criei um choro imaginário, me acompanhando por todos os cantos. Também pensei em alguns risinhos. E também treinei em xingar um pouco o Mr. Flag e o seu futebol de domingo à noite. Me deu uma espécie de saudade, do que ainda não conheço. E antes que todo mundo pense o que todo mundo está pensando: não, não estou grávida.
Postado por Lu às 1:27 PM 0 quilo(s)
julho 28, 2005
Existe uma tensão dentro da gente depois que temos uma conversa séria com alguém. Um tipo de papo que é extremamente necessário, e no qual devemos ter o maior cuidado do universo. Todas as palavras podem ser ditas. Bem-sucedido é aquele que, mesmo com o início da tensão, consegue construir frases sensatas, objetivas, concretas. E que tenham sentimento. Caso contrário, pode ter o mesmo efeito de uma faca. Gravada bem no meio do peito. Tudo pode começar com um: "sabe aquelas fotos? Te enviei hoje". O diálogo passa por inúmeras fases. Pode até ter momentos de nervosismo latente. Pode quase chegar no choro. Mas no final, além da tensão, um único sentido deve permanecer: "gosto muito de ti. Estou preocupada. Mas pronta para ajudar no que for preciso. Conta comigo. Vamos superar essa, amiga".
Postado por Lu às 11:32 PM 0 quilo(s)
julho 26, 2005
Uma vez eu era criança. E sentava na frente da televisão a tarde toda. Sessão da tarde, na época em que era boa. A fantástica fábrica de chocolates, Curtindo a vida adoidado, Clube dos cinco, A Garota de Rosa Shocking, O feitiço de Áquila. Me lembro de achar a Michelle Pfeiffer a mulher mais linda do mundo. Ficava apavorada com a maldição do bispo: de dia, Isabeau sempre seria um falcão. E de noite, o cavaleiro Navarre (interpretado pelo Rutger Hauer) tomaria a forma de um lobo. A história se passa no século XII. Criança, eu ficava impressionada. Mas acreditava que este tipo de história nunca poderia acontecer na vida real. Vinte anos depois do lançamento do filme, minha teoria se desfez. Mesmo sem virar águia ou lobo, eu e Mr. Flag raramente nos encontramos. Lembra a cena do amanhecer: quando ele de lobo-para-homem enxerga ela, de mulher-para-falcão, durante um segundo... Quando Mr.Flag chega em casa, eu já estou dormindo... Vejo ele com o canto do olho e me perco no travesseiro. Quando eu saio pela manhã, quem está dormindo é ele. Tenta levantar, me dar tchau, mas acaba perdendo a luta para o edredon. A única diferença é que nosso Bispo de Áquila não é uma pessoa. É uma necessidade. A de sobreviver e pagar as contas, sem se importar com os empregos e horários que aparecem pela frente.
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Arre, estou farto de semideuses!
Fernando Pessoa
Postado por Lu às 6:03 PM 0 quilo(s)
julho 21, 2005
No fim das contas, tudo foi um alarme falso. A livraria que anunciou o tão esperado exemplar de Vida modo de usar, do Perec, abriu o jogo na última terça-feira. A obra está mais do que esgotada. Disso eu já sabia. O que eu desconhecia era esse sentimento insosso de querer algo que não existe mais. Ou algo que está tão, tão, tão escondido, que os que possuem sequer se arriscam a anunciar, temendo o inevitável ciclo do emprestar-e-nunca-mais-enxergar... Sei que posso tirar o livro na biblioteca. O farei, com certeza. Mas juro: será como sexo casual. Que terminará com o até algum dia. Já passei dessa fase. Quero esse francês só pra mim. Agora!
Postado por Lu às 4:17 PM 0 quilo(s)
julho 16, 2005
Na maioria das vezes, o grande medo da vida é esse: de que nada aconteça. Mas, em certas ocasiões, algo imenso, de grande responsabilidade, cai no teu colo e diz: vai encarar? Tenho medo dos dois tipos. E passei o sábado inteiro arquitetando soluções para abraçar este projeto que, desde ontem, me desafia. Por seu tamanho, exigência e projeção. Tomara que eu consiga.
Postado por Lu às 6:59 PM 0 quilo(s)
julho 13, 2005
Uma ajuda, por favor. Estou procurando a obra Vida modo de usar, de Georges Perec. Não há reedição prevista. A biblioteca da PUC não tem. Sebos na Internet não têm. Se alguém puder me emprestar, prometo que devolvo. Se alguém puder me dar uma dica preciosa, prometo que agradeço.
Atualização - 15/07: Depois da dica da Cibele, de que posso encontrar o livro na biblioteca da Unisinos (que é um templo a ser adorado), a Maricota (minha irmã), me ligou hoje. Contrariando as previsões pessimistas, ela encontrou o livro. Chega na terça-feira. Termino o Vila-Matas amanhã para receber, carinhosamente, o Perec na semana que vem. Obrigada, Mari!
Postado por Lu às 2:51 PM 0 quilo(s)
julho 07, 2005

Nós somos bonitos e inteligentes. Nós escrevemos bem. E já temos um livro pronto. Se você é cheio da grana, nós precisamos do seu dinheiro. Mande um e-mail para luthome@gmail.com. E nos ajude a editar a antologia dos 20 anos da Oficina de Criação Literária do professor Assis Brasil. Dicas também são bem-vindas.
Postado por Lu às 12:18 PM 0 quilo(s)
Tenho frio. Vejo as petecas elegantes na rua. Nem o nariz vermelho as bonitas têm. Quase nada de roupa, e nem precisam fazer pose de boneco de gelo. E eu com frio. Com botinas confortáveis, quentinhas e feias. Com meias grossas de algodão até o joelho. Com um blusão de lã meio torto, mas tão quentinho. Com uma manta enrolada em todo o pescoço. E, é claro, o pijama todo embolado por baixo de tudo isso. Qual será o caminho mais curto de volta para a minha cama???
Postado por Lu às 12:07 PM 0 quilo(s)
julho 04, 2005
Me recolhi cedo. Na sala, o som dos gritos ensandecidos do Milton Neves. Domingo à noite, com marido boleiro e adepto dos programas futebolísticos... é fogo... Lá pelas tantas, estava lutando contra o sono. Cansadíssima. Eis que Mr. Flag começa a ouvir risadas vindas do quarto. Minhas risadas. Imediatamente, ele pensa que eu saquei da prateleira um livro engraçado e que estava me divertindo muito. O primeiro impulso dele foi levantar do sofá e conferir o motivo de tantas gaitadas. E a primeira reação foi levar o maior susto: eu estava deitada, dormindo, com a cabeça no travesseiro, a luz do quarto apagada, os olhos fechados... E RIA SEM PARAR... As gargalhadas duraram alguns minutos. Pelo jeito, a piada mais engraçada e misteriosa da minha vida.
Postado por Lu às 6:22 PM 0 quilo(s)
Todo o funcionário-trabalhador-operário-padrão deveria ter o direito de escolher, uma vez por mês, um dia para faltar ao trabalho durante a semana. Ficar olhando Sessão da Tarde, tomar chá bem quentinho, comer uma cuca doce e se lambuzar com o recheio de banana e canela. Olhar pela janela a chuva molhando as criaturas. E ter uma única preocupação: amor, levanta e ajeita o edredon? Meu dedinho está de fora...
Postado por Lu às 6:15 PM 0 quilo(s)
junho 30, 2005

Olha, amor... É uma igualzinha a esta que eu quero...
Elio, Maria Luisa, eu e mamãe Adri. Papai Marcelo tirou a foto.
Postado por Lu às 5:58 PM 0 quilo(s)
junho 28, 2005
A verdade é que eu nunca me preocupei com isso. É. Vou ser sincera de uma vez por todas. Nunca precisei me preocupar com a minha roupa, com a minha comida, com o meu quarto. Aliás, era quase mágica. Eu deixava bagunçado pela manhã (não de propósito... correria, é claro), e tudo está OK quando eu voltava à noite. Minha mãe e meu pai criaram todo um ambiente para que eu e meus irmãos nos preocupássemos somente com a faculdade e nossos estágios e depois empregos. Isso funcionou muito bem. Trabalho desde os 18 anos, na área em que me formei. Só que... A verdade é que todas as verdades têm um só que... Só que há mais de um ano me mudei para o apê do Elio. E fiquei esperando, e nada aconteceu. O espírito da super dona-de-casa baixou em mim duas vezes. A primeira foi no dia da mudança. Com o pano e o lustra móveis, tirei todas as poeirinhas de todos os móveis recém-instalados no apê. A outra vez ocorreu uns meses depois. Enlouquecidamente, peguei o aspirador e limpei o chão e os tapetes. E depois, ainda peguei um balde, um pano e um rodo e passei (no quarto e na sala) um produto especial para piso laminado. Ficou um luxo. Dias depois, eu ainda estava sentada no sofá esperando a Creuza que existe dentro de mim se manifestar. Não aconteceu. Tenho uma inveja natural das pessoas que têm prazer em limpar a casa, em receber as visitas com a sua louça e prataria especiais, com toalhinhas e cacarequinhos... É mais fácil fazer dois, três, quatro, cinco projetos, do que limpar a casa ou fazer supermercado. É mais fácil escrever um conto sobre a mulher que morre soterrada depois que sua casa é tomada pela poeira, do que ligar o aspirador. Ok, a comida eu faço sem problemas. Mas alguém, por favor, me ajude com esse monte de louça!
Postado por Lu às 9:35 PM 0 quilo(s)
junho 23, 2005
É comum ter um dia ruim. É comum o dia ruim se multiplicar por dois, três, cinco mil de potência. Mas, amigos, amigos meus, ontem tive um dia inacreditável. Tudo o que eu tocava, parava de funcionar, ou dava errado, ou outra coisa que atrapalhasse a dinâmica do mundo. E, na minha boca, a indignação se transformou em palavrões. Bati todos os meus recordes. Já sou, desde pequena, uma desbocada. Mas ontem, pronunciei palavrões que eu sequer sabia que conhecia. Me senti a Linda Blair. Só faltou a gosma verde. Porque, em determinado momento, acho que até a cabecinha eu girei...
Postado por Lu às 10:38 AM 0 quilo(s)

