fevereiro 02, 2006

Inventei de elaborar uma lista sobre a minha viagem à Bahia. Isso vai servir para que eu me lembre das coisas que eu passei e para os amigos que ainda não se encontraram comigo saibam tudinho...

Segue cada um dos episódios:

MOMENTO SALVADOR: Descendo do aeroporto, me integrei à cidade. Nada de pegar táxi. De mapa e mala na mão, peguei um ônibus até Rio Vermelho e, depois de fazer o check in no Íbis, segui em outro ônibus até o Pelourinho. Economia total, diversão legal e entrosamento com as pessoas. Era isso que eu queria. O povo de Salvador é show. Show mesmo. Atendem bem o turista, dão dicas preciosas e não ficam te olhando com uma cara estranha quando ouvem: "Sim, estou sozinha". Está repleto de turistas malucos que conhecem Salvador como eu fiz.

MOMENTO CHORO: Sim. Eu não podia viajar sem chorar. E foi lindo. Foi algo que não vou esquecer com certeza. Depois de visitar o Mercado Modelo e encarar o Elevador Lacerda (que eu achei o máximo), cheguei no Pelourinho. E foi paixão (arrebatadora) à primeira vista. Lindo, lindo, lindo... Um vendedor que me parou logo depois do elevador, me deu umas dicas e dois presentes. Foi o que bastou para que nenhum (nenhum mesmo) vendedor me incomodasse durante as cinco horas que eu fiquei lá. Código secretos das cidades turísticas. Visitei cada canto, cada igreja, cada ladeira e rua do Pelourinho. E, quando entrei na Igreja de São Francisco de Assis, não consegui me controlar. Chorei um pouco, coloquei os óculos escuros, e fiquei rezando, pedindo tudo de bom para "os meus".

MOMENTO NOVO AMIGO: Me despedindo do Pelourinho, decidi conhecer a Igreja do Bomfim. Na Terreiro de Jesus, encontrei um ponto de táxi. O primeiro deles estava vazio. Parei, e olhei para todos os lados, esperando que o motorista se manifestasse. Ele se manifestou. Estava logo ali, aproveitando a sombra de uma árvore. Fui logo perguntado: "Quanto sai para ir até a Igreja do Bomfim?". Uns 17 reais, ele respondeu. Achei que valia, levando em consideração que o táxi em Salvador é caro. Entrei no táxi e, um minuto depois, eu já estava conversando e rindo das histórias que ele contava, achando que já conhecia o José Carlos há anos. Além de cumprir a promessa (a corrida até a igreja saiu por R$ 16,50), ele ficou lá me esperando, me mostrou outros pontos turísticos e me deixou no Rio Vermelho. Na volta, liguei para o celular dele e combinei o trecho do ferry-boat até o aeroporto. Gente muito fina, baiano muito bacana.

MOMENTO CLUB MED: Foi um verdadeiro choque cultural para mim. Não pensava que poderia existir tamanha estranheza no mundo. E a minha amiga e GO Letícia me obrigava a dançar todos os crazy e ir a todos os shows. Além disso, ela fez uma agenda interminável de atividades, como caminhada, alongamento, trapézio, arco e flecha, forró e night club. No segundo dia, estava mais cansada do que nunca. No último dia, ainda estava achando graça de tudo...



MOMENTO AVENTURA: Cansada do Club, resolvi me aventurar sozinha pelas ilhas e praias da região. Novamente com o povo... Na mordomia, não conhecemos o mundo como ele realmente é. Saí do Club e peguei uma van na rodovia. Segui até Bom Despacho e de lá peguei uma condução até Ponta do Curral. Peguei um barco e 40 minutos depois estava em Morro de São Paulo. Caminhei no sol, tirei fotos de todas as praias, pedi informações. Resolvi me estabelecer na praia 4 e, calmamente, esperar pela subida da maré. Consegui uma mesa bacana no Pimenta Rosa. Antes do almoço, conheci dois casais de suíços. Eles ficaram felizes em finalmente encontrar alguém que falasse inglês, e sorriram quando os convidei para sentarem comigo. Conversamos muito. Eles também queriam informações sobre Amazônia e Foz do Iguaçu. Me pagaram um delicioso suco de maracujá. Almoçamos juntos e eu segui minha viagem.

MOMENTO LINDO: Morro de São Paulo é lindo, lindo, lindo, lindo, lindo, lindo, lindo. Pena que não pude descer na Tirolesa. Seria difícil conseguir um lugar para deixar minhas coisas... Uma peninha.



MOMENTO O RETORNO: deixando Morro de São Paulo, a volta para Itaparica foi uma viagem completa. E esta parte também reúne os Momentos Sufoco, Paciência e Nervosismo. No atracadouro de Morro, peguei um barco até Valença. Não quis esperar a lancha rápida, então arquei com uma viagem de duas horas de barco. Não chegava nunca. O consolo foi a paisagem lindíssima e 15 fotos e mais na máquina digital. Chegando em Valença, peguei um táxi até a rodoviária e comprei uma passagem até Bom Despacho. Cinco minutos depois, o ônibus chegou. E também a surpresa: todos os que embarcaram em Valença não tinham assento no ônibus. Tudo lotado... Apertada no corredor do ônibus, eu ouvia o bate-boca dos passageiros e a indignação do motorista, enquanto o pessoal da rodoviária empurrava mais pessoas para dentro... Cinco minutos e muito calor depois, um ônibus vazio encostou no lado do nosso... Todos os que estavam em pé desceram. Como eu achei o motorista simpático, e ele iria me avisar quando estivéssemos perto do Club Med, resolvi ficar, mesmo com a insistência de alguns passageiros para que eu descesse. Permaneci de pé por uns bons 20 quilômetros. Em Nazaré, algumas pessoas desceram, e eu consegui lugar ao lado de uma baiana muito querida, que me deu as dicas para desembarcar tranqüila. Cheguei no Club às 20h30min, mais de 12 horas depois do início da jornada.

MOMENTO O RETORNO À REALIDADE: Aventura sozinha novamente... Saí de táxi do Club às 20h30min. Às 20h55min cheguei em Bom Despacho e comprei a passagem para o ferry-boat. O barco imenso e assustador, repleto de gente e carros, saiu às 20h15min (a Bahia não tem horário de verão). Às 21h15min desembarquei em Salvador e segui no táxi do José Carlos até o aeroporto. O vôo partiu às 23h10min. Cheguei em Guarulhos às 2h20min do horário de verão... Dormi em Guarulhos por duas horas, tentando me acomodar da melhor maneira possível entre duas cadeiras. E embarquei para Porto Alegre às 4h15min, chegando na gloriosa capital gaúcha às 6h. Um trapo, cansada, arrastando a mala e os pés... Mas feliz. E sabendo de cor todas as 187 fotos que eu tirei na viagem.

janeiro 31, 2006


Voltei. Cheguei a Porto Alegre hoje às 6 da manhã. Cansada, acabada, mas feliz da vida. As férias foram maravilhosas. E melhor de tudo: além de conhecer lugares lindos, me descobri uma pessoa corajosa e aventureira. E isso permitiu que eu conhecesse muita gente legal. O povo está curioso para saber como me virei sozinha na Bahia. Hoje não vai dar... Tenho muito trabalho. Mas estou preparando um post especial com todos os "momentos". Aguarde aí, meu rei...

janeiro 23, 2006

Então, o período pré-férias acabou. Ingresso, na noite de hoje, no meu primeiro real período de férias em dois anos.

Amanhã pela manhã, sigo para Salvador e depois para Itaparica.




Todas as medidas e conselhos de viagem foram tomados,
vestidos e biquínis separados...

Retorno no dia 31 de janeiro pela manhã.

Não vou atualizar o blog, não vou olhar meu e-mail.





Notícias urgentes, somente no celular.

Até a volta. E um beijo com cheirinho de mar em todos!

janeiro 22, 2006

Vi a sugestão no blog do Milton Ribeiro. E gostei da idéia de fazer um currículo pessoal. Aí vai o meu.

1) Nasci num fim de tarde de março. Um pôr-do-sol lindo, me dizendo que eu estava pronta para o mundo e deveria aproveitá-lo. Mas tenho fases: de ficar em casa durante meses, sem pegar o telefone e ligar para alguém. E de sair todos os dias e todas as noites para conhecer lugares e pessoas. Acho que a culpa é do meu ascendente em libra e da minha lua em câncer. Só pode ser.

2) Eu tenho mania por trabalho. E sou psicótica por perfeição desde criança. Isso faz com que eu seja uma chata várias vezes.

3) Eu tenho medo. Mas quando o perco, enlouqueço de vez. Sim, sou meio pirada, e daí?!?!?

4) Eu me machuquei de todos os jeitos possíveis quando era criança. Na realidade, sempre fui um moleque. Subia em todas as árvores, nadava no rio, dirigia escondido o carro do meu pai, ralava os joelhos e os cotovelos em qualquer canto, roia unhas desesperadamente, caía e levantava. Um osso eu só fui quebrar depois de adulta. E foi o penúltimo dedinho do pé direito, numa aula de yoga.

5) Uma vez quando pequena eu me queimei feio. Caí em cima de um fogão a lenha. Queimei o pescoço. E tenho uma cicatriz de meio centímetro graças aos cuidados da minha mãe.

6) Eu tenho alguns amigos. Verdadeiros amigos. Do colégio não sobrou quase nenhum. Da faculdade tenho os companheiros de bar e de risadas. E do trabalho, os amigos sempre vão e vem. E alguns ficam. Tenho amigos que conheci na Internet, e tenho amizade que só consigo manter através da Web, pela nossa distância.

7) Depois de quatro anos, tive coragem e me matriculei na oficina do Professor Assis Brasil. Depois de um ano, tive mais coragem ainda e participei da edição de um livro. Ainda tenho um frio na barriga. E isso faz com que novas idéias surjam para o meu livro. Graças a Deus.

8) Já entrevistei muita gente legal na minha vida de jornalista. Uma vez, conheci Antonio Skármeta. Ele foi um amor comigo nas duas vezes que nos encontramos.

9) Morei com os meus pais até os 26 anos. Volto duas vezes por semana para visitá-los. E a coisa que eu mais gosto é que a gente ri muito quando está junto. Até mesmo na hora do jantar.

10) Tenho uma tatuagem nas costas. Fiz em 1996. Na verdade, quem queria mesmo se tatuar era a minha irmã. Por amor, eu fiz antes, só para mostrar pra ela que não doía tanto assim.

11) Faço yoga duas vezes por semana. Mas ainda não consegui deixar de comer carne.

12) Choro duas vezes por semana. De tristeza e de alegria.

13) Quando eu dou risada, faço escândalo. Mas não consigo me controlar se acho algo muito engraçado.

14) Meu melhor amigo tem mais do que o dobro da minha idade. Ele é poeta. Quer que eu seja escritora. E se diverte com as loucuras que eu falo todos os dias.

15) Um dos grandes amores da minha vida é vermelho, tem quatro rodas e motor 1.6. Tem nome: Dequinho. E me entende e ajuda como ninguém. É por isso que não deixo ele ir embora nunca.

16) Tenho adoração pelo novo. E principalmente por comidas exóticas e diferentes. Provo tudo sem medo. Adoro carne de búfalo com geléia de framboesa.

17) Nunca gostei muito de chocolate. Hoje em dia não posso mais comer doces por ordens médicas. Nunca gostei de pizza. E sorvete me enjoa rápido.

18) Já sofri um ano inteiro por amor. O médico disse que não, mas tenho certeza de que ficou uma cicatriz bem aqui no meu peito. Quando assisto a um filme ou leio um livro triste, essa cicatriz dói.

19) Já fiz loucuras por amor. Hoje estou mais calma.

20) A primeira impressão que tenho das pessoas é sempre a errada. Sempre.

21) Tenho muito medo de ser rejeitada. E mais medo ainda de que as pessoas não gostem de mim. Mas tem dias que eu esqueço isso. E daí brigo com todo mundo.

22) Queria viajar pelo mundo todo.

23) Quando eu fico braba, xingo, praguejo e falo palavrões por horas seguidas. Uma vez, até dei um soco na parede. Um minuto depois, esqueço tudo completamente.

24) Não tenho medo de me mostrar. Mas, se não quiser, ninguém me obriga a abrir a boca.

25) Um dia, quero ter um filho. E vou tentar ao máximo não obrigá-lo a ser igual a mim.

26) Gostei disso. Vou fazer novamente outro dia.

janeiro 20, 2006

Diálogo de fim de tarde, terminando o trabalho, em período pré-férias, clima melancólico...

- Bah, Sassá. Vou fazer 29 anos em março.
- Te incomoda isso, Lu?
- Não. Mas daqui algum tempo, vou dizer: Bah, Sassá, vou fazer 50 anos em março.
- E eu vou dizer: te incomoda isso?

Tá bem, Sassá. Venceste. É a vida.

A pedido.

janeiro 19, 2006

Esse blog, além da doideira habitual, também tem seu lado "utilidade pública". E especialmente cultural. Então:

ATENÇÃO POETAS!!!

QUARTA EDIÇÃO DO PRÊMIO CASA DE CULTURA MARIO QUINTANA

No ano do Centenário do poeta Mario Quintana, a Casa de Cultura Mario Quintana promove o 4º Prêmio Casa de Cultura Mario Quintana - Edição 2006. Este concurso de abrangência nacional, cuja primeira edição ocorreu em 2003, terá uma edição especial. Em homenagem ao 100 anos de Mario Quintana, o concurso vai contemplar a categoria POESIA, com duas modalidades (Poesia para adultos e Poesia para Jovens).

O concurso é aberto a qualquer escritor brasileiro, residente ou não no Brasil. Abaixo seguem as características de cada premiação:

POESIA PARA ADULTOS: Esta modalidade será patrocinada pela Construtora Sultepa S.A. Cada autor deve enviar originais em poesia com no máximo 150 (cento e cinqüenta) páginas. O prêmio concedido ao vencedor será um contrato de edição da obra com 1.000 (um mil) exemplares com a Nova Prova Editora, prêmio de R$ 8 mil (oito mil reais) e lançamento na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre.

POESIA PARA JOVENS: Esta modalidade será patrocinada pelo Nacional. Cada autor deve enviar originais em poesia com no máximo 80 (oitenta) páginas. O prêmio concedido ao vencedor será um contrato de edição da obra com 1.000 (um mil) exemplares com a Nova Prova Editora, prêmio de R$ 8 mil (oito mil reais) e lançamento na 52ª Feira do Livro de Porto Alegre.

Os originais devem ser encaminhados à Casa de Cultura Mario Quintana em três vias, com um pseudônimo do autor. Não serão aceitas poesias avulsas. A obra vencedora será escolhida por uma Comissão Julgadora nas duas modalidades, sendo que na Poesia para Jovens haverá um Júri Juvenil, formado por 11 estudantes (ensino fundamental e médio).

As inscrições estão abertas até o dia 16 de maio de 2006.

O regulamento completo do concurso está publicado no site da Casa de Cultura, no endereço www.ccmq.rs.gov.br.

Em 2005, o concurso premiou a Literatura para Jovens e recebeu 212 originais vindos de 19 Estados do Brasil, além de Nova York, Londres e Berlim. A vencedora foi Eloí Elisabete Bocheco, com a obra Beatriz em Trânsito. Em 2004, o concurso contemplou a categoria conto e recebeu 226 originais, vindos de 15 Estados do Brasil e Uruguai. O vencedor foi o carioca João Paulo Vaz, com a obra A Mão do Chefe. Em 2003, o concurso foi na categoria romance e recebeu 103 originais, vindos de 12 Estados brasileiros. Os vencedores foram o mineiro Edmundo de Novaes Gomes, autor da obra Falar, e o pernambucano Walter Moreira Santos, autor de Um Certo Rumor de Asas.

janeiro 18, 2006

E se fosse possível voltar no tempo, e mudar alguma coisa. O que você faria? Eu voltava para o dia 08 de dezembro de 2005. E aceitaria o que a vida me ofereceu...

janeiro 16, 2006

Fim de semana do "e por que não..."

- aproveitar o sábado de ócio e colocar um piercing na orelha direita? Coloquei.

- aproveitar o domingo de sol e ir recarregar as energias no templo budista de Três Coroas? Fomos. Eu, a Mari e o Ricardo. As fotos são dele.

janeiro 12, 2006

- Por favor, desligue o carro e saia.

Pela cara do policial, pensei que ele iria me mandar colocar as duas mãos sobre o capô.

- Os documentos do veículo e a carteira de motorista.

O asfalto se transformou em gelatina. Ou meus braços e pernas tinham acabado de assumir a forma de uma batedeira. Tremedeira, tremedeira. Não me lembrava se o documento do carro estava na minha bolsa, assim como já esqueci a carteira de motorista várias vezes em casa.

- A senhorita sabe que estava andando com os faróis desligados? São quase nove horas da noite.

- Desculpa -, eu respondi.

Estendi os documentos. O braço direito esticado, balançava muito. Parecia que iria fugir e me deixar ali, em plena Av. Assis Brasil, sozinha.

- Desculpa -, eu falei novamente...

Na tentativa de evitar uma multa, esqueci da tática ensinada pelo pai: ligar a luz alta. Era a única forma de evitar que eles descobrissem que eu estava com o farol direito queimado. Irresponsavelmente queimado há três semanas... No desespero, desliguei tudo...

- Está escuro. A senhorita deve ligar o farol sempre.

Ele falava. Eu olhava a pistola. Ele falava. Eu tentava levantar os olhos, mas não conseguia.

- Ok... Desculpa.

Idiota. Eu não conseguia falar outra coisa. Desculpa, desculpinha, desculpão... Pensei que deveria começar a agir normalmente... Para não ser presa ou levar chumbo... Começava mal minha carreira como "Bandida dos faróis apagados".

- Abra o porta-malas, senhorita.

Abri. Ele prosseguiu:

- O que é isso?

- É um cabo de vassoura. O amortecedor da porta traseira está estragado há um ano. A porta não pára mais sozinha. E eu ainda não consegui trocar. Já bati a cabeça várias vezes...

- E isso aqui?

- É uma sacola. Com um envelope dentro. Eu ia mandar uma carta cor-de-rosa pelo correio. Mas desisti. Acabei esquecendo tudo aí. A pessoa nem fala mais comigo mesmo. Mandei um e-mail na semana passada...

- Ahã. Abra a porta da frente.

Abri.

- Preciso acender a luz?

Ele não me respondeu. Abaixou o corpo e começou a remexer nas coisas que estavam atrás do banco.

- O que é isso?

- Minha mochila do yoga. Faço duas vezes por semana, com uma professora bem bacana e querida. Aí dentro tenho uma calça, daquelas com cintura especial. Sabe? Para todo o alongamento e tal. E uma blusa, bem básica... Fica muito quente quando a gente faz exercício assim no...

- E isso?

- Outra sacola. Mas cheia de coisas... Eu lavei o carro no dia 08 de dezembro, e eles colocaram todas as minhas coisas dentro dessa sacola. Sabe? Brindes, folhetos, santinhos... Eu tenho alguns santinhos no carro. Tem outros dentro do porta-luva. Quer olhar?

- Pode ir embora. Isso tudo é só um procedimento de rotina.

- Mas não quer olhar o banco da frente?

- Pode ir. E não esqueça de ligar os faróis...

Olhei em volta. Meu carro era o único parado na barreira policial. Pensei em todos os assuntos que poderia falar com o pessoal. Música, viagens, literatura... Ainda nem tinha contado para eles que lancei um livro em dezembro.

Mas minha tática de enrolar o policial até as primeiras luzes da manhã não funcionou. Ele me mandou embora uma última vez. Parecia mais zangado do que no momento em que pediu que eu descesse do carro. Então, eu fui. E tive que ligar os faróis na frente de dez guardas... Um farol ligado. O outro desligado. Eu nem liguei. Continuei em transe. Fingindo que nada estava acontecendo. E rezando para que, algum dia, meu corpo parasse de chacoalhar.

janeiro 11, 2006

Existem empresas e pessoas que utilizam a Internet de forma eficiente, conhecem muito bem seu público-alvo, estudaram noções e efeitos do marketing de precisão e sabem oferecer o produto certo, na hora certa e para o indivíduo certo.

Pois eis o e-mail que eu recebi hoje:

Lu Thomé: quando for comprar peças para empilhadeiras, consulte nossas ofertas.

Como é que eles conseguiram adivinhar que era justamente isso que eu precisava nessa semana?

janeiro 10, 2006

Amanhã, às 19h, a Casa de Cultura promove o evento que marca o início do Ano Mario Quintana: a reabertura do Acervo Mario Quintana. Situado no mezanino da CCMQ, ele funcionará em caráter permanente, atendendo visitantes e escolas. A reforma contou com o apoio cultural da CEEE. Para homenagear o poeta, serviremos champanhe e quindins. Vai ficar faltando somente o cafezinho...

Quem estiver em Porto Alegre, nesse calor insuportável, está convidado para brindar com a gente. Seguem as fotos do acervo. Em primeira mão.

janeiro 09, 2006

Ontem, após ler um conto de Poe, larguei gentilmente o livro de lado, e fiquei olhando para a parede, sem fixar os olhos em nenhum objeto. Olhei para o nada. E pensei no quão necessários para a minha vida são os textos arrebatadores. Ou os filmes que te derrubam com um soco. Não sei quanto tempo fiquei absorta, escondida dentro de mim. Pensando, pensando... E aproveitando cada segundo, e cada idéia. Pensei em hipnose, em loucuras, em viagens, em tentar de alguma maneira segurar esse tempo louco que parece cada vez mais doido e rápido... Termino nessa semana o Histórias Extraordinárias, livro do Edgar Allan Poe que foi traduzido e readaptado por Clarice Lispector. E estou completamente enfeitiçada pelo terror dele. Todas essas sensações foram patrocinadas pelo Mano, que gentilmente me emprestou o livro.

janeiro 08, 2006

Um feedback caseiro de fim de semana apontou que meus leitores não apreciam a publicação de letras de música aqui no 50kg. Querem, sim, de volta as histórias engraçadas. Vou tentar. Iniciei a produção de três novos contos. Os três primeiros da nova safra pós-oficina. E não tenho medo de dizer: só consegue escrever quem vive. Eu não estava vivendo antes. Isso está encancarado até mesmo no blog, com toda a minha verborragia das últimas semanas. Com certeza: a vida é uma cachaça. E eu estou bêbada.

janeiro 06, 2006

You could be my unintended
Choice to live my life extended
You could be the one I'll always love
You could be the one who listens
To my deepest inquisitions
You could be the one I'll always love

I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken
Pieces of the life I had before

First there was the one who challenged
All my dreams and all my balance
He could never be as good as you
You could be my unintended
Choice to live my life extended
You should be the one I'll always love

I'll be there as soon as I can
But I'm busy mending broken
Pieces of the life I had before

Before you

janeiro 05, 2006


janeiro 04, 2006


Eu adoro as tiras do André. Visitem o site. Garante a dose de humor negro... Na veia.

Fiquei viciada nos cartões de débito. Eles são aceitos em quase todos os lugares e são, até mesmo, mais práticos do que ter dinheiro na carteira. Ruim, ruim de verdade, é quando descobrimos que eles não são o nosso pote cheio de ouro no fim do arco-íris. Eles também falham. E, se não é por falta de saldo, é a fatídica frase: o sistema está fora do ar. Justo no dia em que eu, a personagem principal da minha vida, entrei no supermercado para comprar a minha janta divertida na terça-feira solitária, e tinha apenas (nada mais, nada menos) dois reais na carteira. Cheguei a me imaginar preenchendo o cheque: sete reais e cinqüenta e quatro centavos... Então, fiquei no meio do corredor, com o cartão em uma mão, e a sacola de compras na outra. Esperando... e pensando nas formas alternativas possíveis de pagamento. Maldito sistema... Mas eis que fui salva pelo cavaleiro da ordem secreta das maquininhas que sempre funcionam. Sempre... Agradeci a gentileza de tão nobre atitude. E segui para o castelo encantado. Minha versão moderna de conto de fadas.

janeiro 03, 2006


Uma câmera na mão. E uma egotrip na cabeça. O braço? Melhorou. Obrigada por perguntar...

janeiro 02, 2006

Vem... Pode vir me perguntar. Dou todos os detalhes. Descrevo exatamente como é. Canto todas as canções sobre o tema. Recito diversos poemas. Vou chorar baixinho, ali no canto. E esperar tudo passar. Quero a ajuda de todos os poetas, boêmios, amantes e quem já sofreu por amor... Porque é isso o que sinto agora: uma baita dor-de-cotovelo...

janeiro 01, 2006


Sim. Estou fazendo coisas diferentes. Desde ontem. Esse é o lema. Sim, nós fomos no cinema hoje. Sim, o filme não era tão bom quanto eu esperava. Sim, voltamos para casa perto das 17h30min. E sim, a duas quadras da casa dos meus pais, uma louca psicótica não parou no sinal vermelho e quase atropelou duas senhoras na faixa de pedestres... Sim, ela estava a 100 quilômetros por hora. E SIM... ela bateu no nosso carro, no momento em que cruzávamos a avenida, quando o NOSSO sinal abriu e o DELA fechou. Eu só ouvi o barulho, não sabia o que vinha na nossa direção. Fechei os olhos. Pensei em algum carro batendo direto na porta do Elio. E o Mano no banco de trás, sem cinto... Depois da batida, o carro rodou e o mundo parou... O Elio sofreu um apertão do cinto de segurança. O Mano bateu a cabeça no vidro. E eu bati meu cotovelo contra algo que ainda não descobri, visto que foi o esquerdo. Todos ok... Sim. Desci do carro ouvindo os gritos das senhoras da faixa de pedestres: assassina, louca, desgraça... E, do Civic cinza, saiu uma mulher de vestido laranja e saltos enormes... Disse que o sol atrapalhou sua visão. E, pelo jeito, descontrolou também o pé que apertava o acelerador. Fizemos todos os trâmites. E, sim, como o meu cotovelo doía cada vez mais fui para uma clínica de traumatologia. Sim, está tudo ok. Vou tomar um remédio e imobilizar o braço por dois dias. Machuquei um pouco o tendão. Ah! Sim, eu considero isso um bom sinal. Sinal de que 2006 vai ser muito bom! SIM!

Meu início de ano foi inusitado. Fiz coisas diferentes do habitual. Só para variar. Vai que esse é o segredo. Passei a virada na casa dos meus pais. Jantamos antes e fomos ver os fogos no terraço. Tomei sozinha uma garrafa de Freixenet. Dancei. Cantei. Ri. O pai e a mãe saíram rapidinho. E, terminamos a noite na cozinha, dançando no espaço entre a pia e os armários. O Mano e a Moni lavavam a louça. Eu secava. E a gente cantava bem alto...

If I can't have you,
I don't want nobody baby

dezembro 31, 2005

É isso aí! Até o ano que vem! Contagem regressiva... 999.999, 999.998, 999.997, 999.996, 999.995, 999.994, 999.993, 999.992, 999.991... Beijos a todos!

dezembro 29, 2005

Fiz a minha faxina anual hoje. Aquela especial. Aquela de seleção natural. Vou guardando, ao longo do ano, papéis, comprovantes, cartinhas, cartas e cartões. E páginas e mais páginas impressas de textos, orientações, mapas e várias coisas muito úteis para a minha vida. Os papéis se acumulam. Na última semana do ano, sai o veredicto. Depois de uma criteriosa seleção, comunico aqueles que ficam e aqueles que irão partir. Tudo muito bem separado, a pilha dos despedidos se avolumou rápido. Pensei em fugir do clichê. Ou usá-lo com estilo. Fui até a cozinha e peguei a caixa de fósforos. Risquei um palito e joguei sobre a montanha. Lentamente, a onda de calor foi crescendo. Me ajoelhei e, jogando o corpo para trás, fiz o meu ritual para que o fogo crescesse. Balançando as mãos e dançando. Uma dança quente. Hendrix foi um mestre. E eu disse: "burn, baby, burn". No meu apartamento. No meio da sala. Em cima do tapete cheio de estilo e graça.

Ontem na aula de yoga, me concentrei mais do que o habitual. Caprichei nos exercícios respiratórios e nos ásanas. Aproveitei as inspirações e expirações para me lembrar de tudo de bom que aconteceu na minha vida em 2005. Daí inspirava. E para me livrar de todas as coisas ruins que aconteceram. Daí expirava. No balanço geral, depois de estar com as pernas fortes de tanto exercício e com o peito estufado de orgulho de tanta mentalização, concluí que o resultado desse período é totalmente favorável às coisas boas. Conheci muita gente legal, fortaleci o relacionamento com amigos mais recentes e dei boas gargalhadas com amigos de longo tempo. E acho que é isso que realmente importa: saber que existem pessoas na nossa vida. Claro, eu tenho inimigos, gente que vira o rosto quando me encontra, atravessa a rua para não compartilhar a mesma calçada. Mas... elas são tão pequenas perto das outras pessoas maravilhosas que me cercam e que, para a minha felicidade, gostam de mim. Então, aproveitarei os últimos dias do ano para mentalizar tudo de muito bom e sensacional para todos os amigos que tenho nessa vida: na minha família, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em Curitiba, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Salvador, no exterior... E repito o que desejei no ano passado: que 2006 possa ser o ano das novas coisas: novas conquistas, novos amigos, novos descobrimentos, novas risadas com os amigos de hoje e sempre, novo, novo, novo... O novo e sempre necessário primeiro passo em alguma coisa...

dezembro 28, 2005

Nada como uma boa música para levantar o astral que estava lá no dedão. Meu CD do Muse chegou. Agora é Showbiz! E depois um pouco do Absolution! Talvez a madrugada toda.

dezembro 27, 2005

Perfeito para hoje...

EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nós dá incerteza...


Mario Quintana (A Cor do Invisível)

O filme começou e eu não sabia se deveria achar graça ou não, tamanho humor negro. Acomodados entre três na mesma cama de solteiro, assistimos o Kung-Fusão, do Stephen Chow, no notebook da Mari. Pobre do Mano que teve que agüentar minhas gargalhadas. E do pai e da mãe, que acabaram achando muita graça dos nossos gritos... Perdi a hora, cheguei em casa às 00h40. E, de tanto rir, fiquei sem sono. Mas recomendo. Um dos filmes mais engraçados que vi nos últimos tempos.

Menino, você tem uma estrutura óssea com um potencial de mestre de Kung Fu. Com isso você pode ser o maior herói do mundo. Aqui está a palma do Buda. Eu a deixo para você por $10. Só porque é destino.

O mocinho é um malandro desastrado que decide virar gangster para conseguir dinheiro e mulheres. O filme tem sangue, arte marcial, quebra-pau e muita loucura. E já é um clássico. Poderia escrever mais, mas ainda estou preferindo rir um pouco a contar...

dezembro 26, 2005

Eu peguei o CD há uns quatro meses. Tentei ouvir no carro. E me lembro que até comentei com o Mano: Mas como é ruim, hein!?!? . Ele ficou lá, escondido no porta CD, dentro do porta-luvas, dentro do carro. Esquecido. Na semana passada, cansei de ouvir sempre-o-mesmo-Absolution- que-estava-ouvindo-há-três-semanas e resolvi dar uma chance. E foi perfeito. Da primeira à última música, ouvi cutucando o pezinho de leve no pedal da embreagem e batendo os dedinhos na bateria virtual no meu volante. Até sacudi um pouco a cabeça, mas só quando parei na sinaleira. Hoje à tarde, no meu momento clássico de ócio administrativista, resolvi dar uma olhada no site da banda. E entendi por que não tinha gostado antes: esse CD foi escrito para mim, sobre o momento que estou passando, AGORA, exatamente agora e hoje. E isso é uma daquelas coisas que a gente não explica. Mas entende. Muse é muito tudo de bom pra mim. E estou completamente apaixonada pelos caras. Ah! O CD é Showbiz.

I'm falling down, and 15000 people scream,
They were all begging for your dream

dezembro 24, 2005

Feliz Natal e um ótimo 2006. Que o próximo ano seja um período de sorrisos e de muita aventura. Sejam felizes! Muito, muito, muito felizes!

best, you've got to be the best
you've got to change the world
and use this chance to be heard
your time is now

dezembro 22, 2005

Estrela, Estrela
Vitor Ramil

Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer

Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é

No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos

E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer

É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs

Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui

Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão

Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção

Tenho o péssimo hábito de falar no trânsito. Sozinha, dirigindo meu carro, xingo os panacas, peço para os tiozinhos acelerarem e para as senhoras fofas atravessarem a rua com um pouquinho mais de concentração. Também converso com o Dequinho, meu carro. Meu precioso e querido companheiro desde sempre. Mas, ontem, ultrapassei todos os limites. Comprei briga com um outdoor, situado a duas quadras do Iguatemi. Acho que foi o nervosismo do trânsito. Mas não agüentei ver a campanha do Dove no outdoor. Verão sem vergonha... todas elas de biquini e somente uma (só uma...) estava com a barriga aparecendo. Todas as outras estavam atrás de um braço, de uma perna... Alta montagem. Pô, eu tenho uma barriguinha chata que não me deixa... E na praia tenho que assumir... Daí, confesso, falei um pouco alto na direção da calçada: "Tá, mas com todas as barrigas tapadas não vale!". Não vi que tinha uma senhora passando. Ela se assustou. E olhou para cima. Pelo retrovisor eu vi que ela ainda ficou um tempo lá, olhando o outdoor. E eu fui fazer umas compras na Livraria Cultura. Muda... bem mudinha...

dezembro 19, 2005

Hoje quando abri os olhos, tive aquela sensação de perdição total: não sabia que dia era, onde eu estava e (melhor tudo) tinha me esquecido de todos os compromissos do dia. Dois minutos depois, para uma despedida adequada do meu tão querido travesseiro, me levantei e embarquei para a grande aventura diária da jornalista: trabalhar. Saí cedo, não tomei café da manhã para não me atrasar. E, surpresa!!!! Chegando no CRA, a sensação era de perdição total. Déjà vu. Durante o fim de semana, o pessoal trocou o piso. Ficou lindo. Confesso. No entanto, um único detalhe me assaltava os olhos: sobre o piso novo, O NADA ABSOLUTO. Nada, nada, nada. Nada dos móveis, computadores, armários, estantes, cadeiras... Eu sequer tinha onde sentar. As divisórias sumiram. Não tinha mais sala. Agora, temos um piso lindo, que não adianta de nada para me ajudar a terminar todo o conteúdo de dez páginas do jornal que eu teria (hehehe - teria mesmo...) que fechar hoje. Fiquei triste. E resolvi louvar o ócio o restante do dia. Vou tirar as sandálias e aproveitar a sombra da primeira árvore do pátio. Acho que é uma goiabeira.

dezembro 18, 2005

Há muito tempo, corre por aí o boato de que o chester é um bicho que simplesmente não existe e que foi criado em laboratório por meio de mutações genéticas. Não pode ser natural uma ave ter um peito tão grande e com tanta carne. Diziam, inclusive, que ele já nascia sem penas.

Pois foi com total constrangimento que ouvimos a novidade que a mãe trouxe do supermercado: a empresa anuncia uma inovação... Sim! O chester agora já vem desossado.... Milhões de teorias depois, durante o jantar, a família Thomé chegou até mesmo a cogitar radiotividade para desintegrar os ossos sem abrir a pele. Bizarro. Muito bizarro. E pior: esse chester, comprado hoje, é o primeiro convidado a ratificar sua presença no nosso jantar de Natal.

Here we are at the Transmission party
I love your friends - they're all so arty

dezembro 16, 2005

Quase confirmado. Falta somente a divulgação oficial. Segundo nota de jornal, U2 se apresenta no Brasil nos dias 20 e 21 de fevereiro em São Paulo. E Franz Ferdinand vai abrir!!!! Elen!!!!! Vou ficar na tua casa! Me aguarde!

1:44 PM - Atualização: A Elen já me autorizou a comprar as passagens. Tudo certo!

dezembro 15, 2005


Super-gêmeos, ativar!



Porque homens insistem em ter atitudes de guris...


E se fosse Verdade, do Marc Levy, é um dos livros bobinhos mais lindinho que já li. E vai estrear no cinema no dia 23 de dezembro. Mark Ruffalo está em Just like Heaven. E eu adoro ele... Uma história de amor, simplinha, bonitinha, mesmo que inverossímil, e embalada para viagem, é tudo o que estou precisando.

dezembro 14, 2005

Não senti o vento entrando pela fresta da janela. Não senti os pequenos raios de luz que apontavam na parede. Sequer senti o toque do lençol no meu ombro. Mas, com toda a certeza que existe, senti a dor nas minhas duas pernas. Uma câimbra insuportável. Simultânea. Urrei, mesmo pensando em não acordar o prédio inteiro. Agarrei com força as duas pernas. Pedi para que a dor parasse. Não parou. Olhei a panturrilha, e vi um músculo em frangalhos. Retorcido, parecia lutar contra o osso e desejar minha derrocada. Escondi meus olhos contra o travesseiro. Desejei que fossem seis horas da manhã. Com o sol, estaria livre da maldição. Segundos depois, me acalmei. E sonhei com o mais lindo cacho de bananas do mundo.







dezembro 13, 2005

Estou começando a fazer o balanço geral de 2005. Pego todas as coisas: boas, ruins, inacreditáveis, inesquecíveis, melecas gerais, bicicletas, motocas e carrinhos de mão. Coloco tudo dentro de um saco, e balanço, balanço, balanço, balanço, balanço... Sirvo a mistura num copo de vidro e tomo com vodka. O resto é história e lembrança...

dezembro 12, 2005

So if you're lonely
You know I'm here waiting for you
I'm just a crosshair
I'm just a shot away from you
And if you leave here
You leave me broken, shattered I lie
I'm just a crosshair
I'm just a shot then we can die


Uma tarde divertida no Conselho... Eu, as caixinhas do som do computador e o Franz Ferdinand.

dezembro 11, 2005

Domingo. Fim de tarde. Despedida da turma da Oficina 35. Puxa, já está me dando uma saudade de tudo isso...

dezembro 10, 2005

EU PRECISO...

- Assistir Manderlay. Se o novo filme do Lars Von Trier me atingir como Dogville fez, garanto a minha satisfação cinematográfica de 2005.

- De férias. Minha cabeça pede férias. Meu corpo implora por isso.

- Escrever mais. Acredito que as idéias aparecem quando a gente vive. E eu vivi muito nos últimos 15 dias.

- Ler algo que me deixe em transe por vários dias.

- Ficar realmente em transe por vários dias.

- Pegar sol. Muito sol.

- Fazer yoga na grama. E, depois, dormir um pouco bem quietinha. E acordar com o barulho do vento.

- Aceitar os conselhos de um amigo, e deixar a verdadeira Lu aparecer de novo.

- Dizer: feliz ano novo! Feliz vida nova!

- Parar de escrever. E fazer...

dezembro 09, 2005

Se a vida pudesse atingir uma velocidade alucinante, esse meu momento foi ontem. Às 18h55min, nós, os 11 oficineiros do professor Assis, ocupamos nossos espaços e, sem uma folga, autografamos a antologia por mais de duas horas e meia. O Birra & Pasta ficou pequeno para tanta gente. E até mesmo esse blog é pequeno para todos os agradecimentos que eu gostaria de fazer. Família, amigos, pessoal da CCMQ, do CRA, da faculdade, da vida. Teve até leitor do 50kg (valeu, Germano!). Acho que nunca sorri tanto, tirei tanta foto, zoei e me diverti. Quase chorei trocentas vezes. E, no fim das contas, era a mulher acabada mais feliz do mundo. Um agradecimento especial ao professor Assis, pelos dois semestres incríveis, pela generosidade e pela lição de humanidade, carinho e, especialmente, literatura. Um abraço para os meus 10 colegas: ah! Como foi bom!! Valeu! Assim que o fotógrafo-atômico Luis liberar, publico algumas fotos por aqui. Para quem interessar, o livro está na Palavraria (Vasco da Gama, 165), Botequim das Letras (Felix da Cunha, 1143) e Raízes (Cristóvão Colombo, 2199 loja 4).

dezembro 08, 2005

Bem, queridos amigos. Então, o lançamento da antologia Contos de Oficina 35 é hoje. Eu e mais dez colegas faremos sessão de autógrafos no Birra & Pasta do Shopping Total a partir das 19h. Conto com a presença dos amigos que puderem ir e agradeço todas as mensagens que recebi. Beijos!

dezembro 07, 2005

É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã. É amanhã.

Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma. Tenho que ficar calma.

Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca. Já tô louca.

E com certeza tenho que pensar em mantras mais adequados do que esses...

dezembro 04, 2005


Tess, minha sobrinha mais fofa desse mundo.

dezembro 02, 2005

Todo mundo que já viu o Contos de Oficina 35 achou lindo. O livro ficou, realmente, muito bonito. Além disso, ontem, a Maria Wagner elogiou o meu estilo. Hoje, a Lu Vicente me deu os parabéns por dois contos meus que estão na antologia. E o Samir classificou o meu Limite do Espectro Solar de pequena obra-prima.

Gente, eu estou nas nuvens.

dezembro 01, 2005

"O crocodilo entrou no meu quarto mansamente, com passos arrastados que deixaram a ponta do tapete virada. Ele subiu no colchão onde eu estava deitado, se aninhou junto dos meus pés e ficou me olhando.

Estou enlouquecendo, pensei, e com muito cuidado espichei a ponta do pé até a altura do que seria a barriga dele. Senti a pele grossa e levemente fria, de uma textura molhada. O crocodilo fez um movimento brusco para trás, como quem se defende de uma cócega, e me sorriu"
(...)

O Crocodilo I (em Deixe o Quarto como está), de Amilcar Bettega Barbosa, vencedor do Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

Parecia um pesadelo. Eu agarrei os dois fios de nylon... E puxei, puxei, puxei com força. Até que fizessem vincos na minha mão esquerda. O fio todo acabou no chão. E nada aconteceu. Na hora pensei: de quem foi essa idéia? E pensei de novo: onde eu estava com a cabeça quando aceitei puxar o cordão? O fio ainda estava no chão. Todas as pessoas olhavam para mim. E eu olhei para cima. E nenhum (nenhum mesmo) dos 500 balões se mexeu. "Faltou força, Lu Thomé?" Juro que faltou. Faltou força para escalar a parede do teatro e arrancar com os meus próprios dentes aqueles balões do teto. Bem-vindos ao meu show dos horrores.

novembro 29, 2005

change,
everything you are
and everything you were
your number has been called
fights, battles have begun
revenge will surely come
your hard times are ahead

best,
you've got to be the best
you've got to change the world
and you use this chance to be heard
your time is now


"Butterflies And Hurricanes" (MUSE)

novembro 25, 2005

Escrevo do hotel Intercity de Gramado. Saí ontem de Porto Alegre para participar da equipe de produção de um evento do Conselho Regional de Administração. Rodeada de Administradores, me concentro em outro local, outra data, outras pessoas. Orgulhosamente, eu e dez colegas faremos o lançamento da antologia Contos de Oficina 35, resultado do nosso trabalho na Oficina de Criação Literária do Professor Assis Brasil.

A sessão de autógrafos será no dia 08 de dezembro (diferente do que a Zero Hora publicou hoje), no restaurante Birra & Pasta no Shopping Total. Conto com a presença dos amigos para amenizar o frio na barriga que toma conta de mim.

novembro 17, 2005






Uma experiência em alta velocidade. É assim que posso resumir a minha participação na 51ª Feira do Livro de Porto Alegre. Além de reencontrar bons amigos, feitos quando participei da Feira em 2002, conheci e me aproximei de muita gente legal, como o João, a Bina fofa e o André. E também tive a oportunidade de trabalhar pela primeira vez com a Julia e o Mano, e de poder trocar idéias (e ótimas) com o fotógrafo-espoleta Luis Ventura.

Enfim, 19 dias que já são história na minha vida.

novembro 12, 2005

outubro 29, 2005

Equipe do site da Feira do Livro em ação...



outubro 28, 2005

Ficarei distante do 50kg por alguns dias.

Até o dia 15 de novembro, minha nova morada digital será www.feiradolivro-poa.com.br.

Estou trabalhando no site da 51ª Feira do Livro de Porto Alegre. Até a volta. Beijos!

outubro 13, 2005

Feriados no meio da semana, geralmente, acabam comigo. Além de perder a noção do tempo, meu corpo demora a entender por que, em plena quarta-feira, fiquei até tarde na cama, estava em ritmo lento, sem trabalho e ainda sem estresse algum. Tá. Só um. Mas esse não vai contar...

outubro 10, 2005

Saiu no jornal O Globo de sexta-feira e o Publish News divulgou:

Falação que consome o tempo

O Globo - 8/10/2005 - por Miguel Bezzi Conde

Harry G. Frankfurt é o autor de Sobre falar merda (Intrínseca, 68 pp., R$ 19,90, trad. de Ricardo Gomes Quintana), um ensaio que procura definir o significado preciso de um fenômeno tão disseminado (é uma "ubiqüidade impublicável", nos dizeres do "New York Times") quanto pouco estudado: "bullshit", no original em inglês, ou o "falar merda" na tradução. Filósofo e professor da Universidade de Princeton, Frankfurt escreveu o ensaio em 1985, mas só no início deste ano concordou em lançá-lo num volume único, embora o achasse muito curto para isso. O livrinho foi um sucesso. Chegou ao primeiro lugar na lista de mais vendidos do "New York Times" e há planos para traduzi-lo em mais de dez idiomas - o que demonstra a amplitude do fenômeno estudado: "Um dos traços mais evidentes de nossa cultura é que se fale tanta merda. Todos sabem disso. Cada um de nós contribui com sua parte", diz o autor. Frankfurt procura definir o "falar merda" através de uma comparação com outras formas de desonestidade: a mentira, o blefe, a dissimulação. Sua conclusão é que ele não apenas é um fenômeno distinto de todos esses, como também é, de todos, o mais danoso à verdade, porque sua essência é uma "falta de preocupação com a verdade", ou "indiferença em relação ao modo como as coisas realmente são".

Meu companheiro na noite de ontem... Ele e A Coleção Particular...

Uma das coisas que aprendi a valorizar na minha vida é a verdade. Verdade de todos os tipos, de todas as quantidades, tamanhos, formas, qualidades... A verdade está muito ligada ao real, aquilo que se pode pegar com a mão, aquilo que nos afeta e muda a trajetória prevista. Uma verdade como um livro muito bom, uma verdade como um escritor que escreve muito bem, verdadeiramente bem... Algumas pessoas vivem vidas de mentiras, e semeiam essas mentiras pelos mais variados pastos: os deles mesmos e os pastos dos outros. Posso ter poucas coisas nessa vida, poucos amigos, poucas conquistas. Mas tudo o que eu tenho é verdadeiramente meu.

Eu perguntei para o Napp, na semana passada: quem é o melhor escritor, aquele que na sua vida mente ou aquele que busca a verdade? Não chegamos a conclusão nenhuma. Mas, só para garantir, tomei a decisão de me afastar com urgência de um mentiroso patológico que apareceu por aí...

outubro 06, 2005

Afundei minha cabeça no travesseiro. Deitei para a esquerda e coloquei o braço para fora. Virei para o outro lado. Pela primeira vez em semanas, tinha a sensação de que iria acordar bem disposta. Até parecia que tinha dormido mais do que o habitual. Abri os olhos e vi que o sol batia na janela. Olhei na direção do criado-mudo e peguei o relógio. Nesse momento, é que toda a ilusão acaba. Os ponteiros não deixavam margem para engano: 9 horas e 30 minutos. E EU AINDA NA CAMA!!!!!! O despertador não tocou. O despertador caro e cheio de frescuras não tocou. O despertador caro e cheio de frescuras, que o Mr. Flag comprou pela Internet, não tocou. O despertador caro, lixo, porcaria, inútil, imprestável, idiota, imbecil, cretino e cheio de frescuras, que o Mr. Flag comprou pela Internet, não tocou. Não tocou! Não tocou! Não tocou! Foi o que eu repeti todo o tempo enquanto tentava me arrumar, separar minhas coisas, recuperar a hora perdida na manicure e chegar no trabalho antes de ser demitida... E pensar que, depois de semanas acordando cansada, tudo o que eu queria ouvir era aquele pi-pi-pi-pi-pi às 7h30min da manhã. Quem diria...

setembro 22, 2005

Para me exibir um pouco. Hoje, às 19h, será inaugurado o Acervo Elis Regina, no segundo andar da Casa de Cultura Mario Quintana. E, puxa, como o espaço ficou lindo! Abaixo, coloco três fotos para os meus amigos terem só um gostinho. Assim que puderem, visitem!

setembro 19, 2005

Correria nos últimos 15 dias. Daquelas de respirar para prender o fôlego e tentar cumprir a travessia inteira com oxigênio nos pulmões. Saí da Semana do Administrador para entrar nos 15 anos da Casa de Cultura Mario Quintana. Tarefas cotidianas, compromissos de última hora, problemas de solução urgente, telefone que não pára de tocar. Permaneci correndo e, a cada nova curva, um obstáculo. A perfeita corrida com barreiras. Só restava torcer para que as pernas conseguissem alcançar o céu. Cair, numa hora dessas, seria um desastre. Ultrapassei tudo, menos um dos obstáculos. Toda a vez que ele aparecia na minha frente, eu chutava com força e o derrubava. Fiquei assim durante uma semana. Até que, no último sábado, uma amiga segurou a barreira... Estava na hora de eu encarar o problema.
Perto do meio-dia, me despedi dela e entrei no carro. Dirigi até a Zona Norte, entrei no Shopping Lindóia, avistei o laboratório e, com um sorriso e muita calma, pedi para a atendente:
- Gostaria de fazer um exame de gravidez.
Não fiquei mais do que cinco minutos no laboratório. Tirei sangue e saí com a autorização para pegar o resultado via Internet.
- Mas só na segunda-feira, ela me disse.
Tudo bem. Trabalhei ontem. E só fui acordar com um friozinho na barriga hoje de manhã. O papel indicava que o exame estaria disponível às 18h45min. Mas com probabilidades de estar na Internet ao meio-dia. Exatamente às 11h25min entrei no site, me loguei e meu nome apareceu na tela.
Fiquei nervosa. Chamei minhas colegas do Conselho. E pedi que alguma delas interpretasse o resultado já que, para a minha decepção, não estava ali escrito "Grávida" ou "Não Grávida". Minutos de indecisão e discussão. Sinais de maior, menor. O Santo Google resolveu o problema. Menor que 5. "Não grávida".
Daí fui almoçar.

setembro 15, 2005

setembro 10, 2005

Coloquei o CD do Muse no computador do meu irmão. Aumentei o volume. Sozinha na casa dos meus pais, no escuro, vendo pela janela a chuva que molha Porto Alegre, penso em quanto é maravilhoso ter a minha vida de volta. Depois de 15 dias de trabalho constante beirando o insuportável-enlouquecedor, eu estou de volta. Vivendo novamente, amigos...

agosto 25, 2005


Desenho que o Moschini me enviou via MSN. Esse é o espírito.

agosto 24, 2005

Um amigo que vale a pena apresentar para os amigos. Leitor desse humilde blog, Marco Aurélio Ferreira Vianna é Presidente do Instituto MVC e conferencista no Brasil e exterior, além de fã do Google. Selecionou diferentes piadas e textos para que eu publicasse aqui. Decidi não fazê-lo. Ontem, fomos à Novo Hamburgo para uma palestra que ele proferiu para o CRA/RS sobre liderança. Em homenagem à divertida empreitada, coloco a foto que ele tirou conosco - as meninas da Comunicação do Conselho (Lídia, Luciana, Lu Thomé, Marco Aurélio, Eliane e Jane). Sou tua fã, Marco Aurélio!

agosto 20, 2005

Eu queria, nesse momento, parar um pouco. Ficar três meses ganhando dinheiro de alguma fonte divina. E não precisar me preocupar com o trabalho amontado em cima da mesa e socado nas gavetas. Não me preocuparia com prazos absurdos ou com ordens nojentas. Relaxaria. Respiraria fundo umas mil vezes, e estaria pronta para um trimestre de férias intelectuais. Faria yoga todos os dias. Se possível, duas vezes ao dia. Acordaria tarde. Esqueceria do relógio em algum canto. Sairia de casa sem usar brincos, de jeans e qualquer camiseta. Mas usaria maquiagem. Eu teria tempo de ficar na frente do espelho me arrumando. E horas embaixo do chuveiro experimentando meus novos sabonetes. Depois deitaria na minha cama com lençóis limpos e curtiria meu cheiro de banho. Poderia fazer coisas legais durante a madrugada. No dia seguinte, tomaria um longo café da manhã. Leria, leria muito, todas as coisas e todos os livros que gostaria de ter tempo para ler. Escreveria um pouco. Almoçaria fora, jantaria fora. Descobriria novos lugares. Sairia com os meus pais para ir ao cinema ou tomar um refri em qualquer calçada. Talvez fosse sentir falta de trabalho. Nem tanta assim, eu acho. Dormiria de mãos dadas com o Mr. Flag. E me sentiria feliz.

agosto 19, 2005

Grande notícia! Meu amigo do RJ João Paulo Vaz ganhou o primeiro lugar no 9º Concurso Nacional de Contos Josué Guimarães. Uma maravilha! Conheci o João Paulo no ano passado, depois que o livro dele ganhou o 2º Prêmio Casa de Cultura Mario Quintana.

Parabéns, João Paulo! A única injustiça é que agora, quando falamos por telefone, tu sabes mais da minha vida do que eu sei da tua. Sabes inclusive sobre o meu romance com o fogão. Olha só, manda um beijo para a Sandra e cria um blog também!!!! hehehe.

agosto 07, 2005

Pensando seriamente, algo não vai nada bem comigo. Mr. Flag trabalhou o fim de semana inteiro. Fiquei completamente abandonada por ele. E hoje à tarde, sozinha em casa, não resisti e experimentei a traição. Entrei na cozinha. E o enxerguei. Nossos olhares se cruzaram. Ele, com aquele trejeito de malandro, meio sujo, mas com tudo no lugar. Eu desprotegida, carente. Nem me lembrei do Mr. Flag. Foi ali mesmo no chão que, entre esponjas e produtos de limpeza, nós nos esfregamos até o esgotamento. Eu e o meu fogão de quatro bocas. Uma loucura total.

agosto 04, 2005

Êêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê!! U-huuuuuuu!!!!! Iiiiiiiiiiirráááááááá!!!! Vivaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!

agosto 03, 2005

Estava lendo o blog da Cintia Moscovich. E tudo realmente faz sentido. Ainda não consegui encaixar a literatura na minha vida. Não consegui cumprir a promessa de continuar escrevendo, feita há um mês, quando a oficina acabou. Incrementei as leituras, aumentei o ritmo e tive vontade de devorar páginas e mais páginas. Mas está quase impossível sentar na frente do micro e escrever. Tive algumas idéias (uma boa, que pode render, no mínimo, um conto...). Mas não escrevi. Sei. Para mim, escrever dói um pouco. Como se arrancasse pedacinhos, para colar no papel. Me cansa. Fico exausta. No entanto, gosto muito. Talvez a dor maior seja não fazer, não escrever. Ultimamente, não estou conseguindo sequer encaixar minha vida na minha própria vida.

agosto 01, 2005

No sábado, visitei uma amiga. Entrando no apartamento, não tive a menor dúvida. Ela é uma mãe. Em um mês de mudanças radicais na vida, ela já vestiu aquela capa com o M maiúsculo. Uma superMãe. Conversa com a filhota, reconhece a quilômetros de distância todos os tipos existentes de choro, pega a criança com uma mão só e acomoda, canta até ela adormecer. Disse que quer me treinar, que podemos fazer um intensivo. Pensei em explicar que não seria possível. Esta parece ser uma realidade distante na minha vida. Tenho corpo de criança, poucas pessoas atestam que tenho mais de 19 anos. Fico com medo de tudo que ainda tenho para aprender. Hey! Nem o Mr. Flag me chama de esposa. Para ele, ainda não passei da fase noiva. Como serei mãe assim? Ontem, bateu o pavor: saí arrumando toda a casa, lavando toda a roupa, recolhendo todo o lixo. Antes de cuidar de um bebê, tenho que aprender a cuidar da casa. Ai, obsessão. E criei um choro imaginário, me acompanhando por todos os cantos. Também pensei em alguns risinhos. E também treinei em xingar um pouco o Mr. Flag e o seu futebol de domingo à noite. Me deu uma espécie de saudade, do que ainda não conheço. E antes que todo mundo pense o que todo mundo está pensando: não, não estou grávida.

julho 28, 2005

Existe uma tensão dentro da gente depois que temos uma conversa séria com alguém. Um tipo de papo que é extremamente necessário, e no qual devemos ter o maior cuidado do universo. Todas as palavras podem ser ditas. Bem-sucedido é aquele que, mesmo com o início da tensão, consegue construir frases sensatas, objetivas, concretas. E que tenham sentimento. Caso contrário, pode ter o mesmo efeito de uma faca. Gravada bem no meio do peito. Tudo pode começar com um: "sabe aquelas fotos? Te enviei hoje". O diálogo passa por inúmeras fases. Pode até ter momentos de nervosismo latente. Pode quase chegar no choro. Mas no final, além da tensão, um único sentido deve permanecer: "gosto muito de ti. Estou preocupada. Mas pronta para ajudar no que for preciso. Conta comigo. Vamos superar essa, amiga".

julho 26, 2005

Uma vez eu era criança. E sentava na frente da televisão a tarde toda. Sessão da tarde, na época em que era boa. A fantástica fábrica de chocolates, Curtindo a vida adoidado, Clube dos cinco, A Garota de Rosa Shocking, O feitiço de Áquila. Me lembro de achar a Michelle Pfeiffer a mulher mais linda do mundo. Ficava apavorada com a maldição do bispo: de dia, Isabeau sempre seria um falcão. E de noite, o cavaleiro Navarre (interpretado pelo Rutger Hauer) tomaria a forma de um lobo. A história se passa no século XII. Criança, eu ficava impressionada. Mas acreditava que este tipo de história nunca poderia acontecer na vida real. Vinte anos depois do lançamento do filme, minha teoria se desfez. Mesmo sem virar águia ou lobo, eu e Mr. Flag raramente nos encontramos. Lembra a cena do amanhecer: quando ele de lobo-para-homem enxerga ela, de mulher-para-falcão, durante um segundo... Quando Mr.Flag chega em casa, eu já estou dormindo... Vejo ele com o canto do olho e me perco no travesseiro. Quando eu saio pela manhã, quem está dormindo é ele. Tenta levantar, me dar tchau, mas acaba perdendo a luta para o edredon. A única diferença é que nosso Bispo de Áquila não é uma pessoa. É uma necessidade. A de sobreviver e pagar as contas, sem se importar com os empregos e horários que aparecem pela frente.

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Fernando Pessoa

julho 21, 2005

No fim das contas, tudo foi um alarme falso. A livraria que anunciou o tão esperado exemplar de Vida modo de usar, do Perec, abriu o jogo na última terça-feira. A obra está mais do que esgotada. Disso eu já sabia. O que eu desconhecia era esse sentimento insosso de querer algo que não existe mais. Ou algo que está tão, tão, tão escondido, que os que possuem sequer se arriscam a anunciar, temendo o inevitável ciclo do emprestar-e-nunca-mais-enxergar... Sei que posso tirar o livro na biblioteca. O farei, com certeza. Mas juro: será como sexo casual. Que terminará com o até algum dia. Já passei dessa fase. Quero esse francês só pra mim. Agora!

julho 16, 2005

Na maioria das vezes, o grande medo da vida é esse: de que nada aconteça. Mas, em certas ocasiões, algo imenso, de grande responsabilidade, cai no teu colo e diz: vai encarar? Tenho medo dos dois tipos. E passei o sábado inteiro arquitetando soluções para abraçar este projeto que, desde ontem, me desafia. Por seu tamanho, exigência e projeção. Tomara que eu consiga.

julho 13, 2005

Uma ajuda, por favor. Estou procurando a obra Vida modo de usar, de Georges Perec. Não há reedição prevista. A biblioteca da PUC não tem. Sebos na Internet não têm. Se alguém puder me emprestar, prometo que devolvo. Se alguém puder me dar uma dica preciosa, prometo que agradeço.

Atualização - 15/07: Depois da dica da Cibele, de que posso encontrar o livro na biblioteca da Unisinos (que é um templo a ser adorado), a Maricota (minha irmã), me ligou hoje. Contrariando as previsões pessimistas, ela encontrou o livro. Chega na terça-feira. Termino o Vila-Matas amanhã para receber, carinhosamente, o Perec na semana que vem. Obrigada, Mari!

julho 07, 2005



Nós somos bonitos e inteligentes. Nós escrevemos bem. E já temos um livro pronto. Se você é cheio da grana, nós precisamos do seu dinheiro. Mande um e-mail para luthome@gmail.com. E nos ajude a editar a antologia dos 20 anos da Oficina de Criação Literária do professor Assis Brasil. Dicas também são bem-vindas.

Tenho frio. Vejo as petecas elegantes na rua. Nem o nariz vermelho as bonitas têm. Quase nada de roupa, e nem precisam fazer pose de boneco de gelo. E eu com frio. Com botinas confortáveis, quentinhas e feias. Com meias grossas de algodão até o joelho. Com um blusão de lã meio torto, mas tão quentinho. Com uma manta enrolada em todo o pescoço. E, é claro, o pijama todo embolado por baixo de tudo isso. Qual será o caminho mais curto de volta para a minha cama???

julho 04, 2005

Me recolhi cedo. Na sala, o som dos gritos ensandecidos do Milton Neves. Domingo à noite, com marido boleiro e adepto dos programas futebolísticos... é fogo... Lá pelas tantas, estava lutando contra o sono. Cansadíssima. Eis que Mr. Flag começa a ouvir risadas vindas do quarto. Minhas risadas. Imediatamente, ele pensa que eu saquei da prateleira um livro engraçado e que estava me divertindo muito. O primeiro impulso dele foi levantar do sofá e conferir o motivo de tantas gaitadas. E a primeira reação foi levar o maior susto: eu estava deitada, dormindo, com a cabeça no travesseiro, a luz do quarto apagada, os olhos fechados... E RIA SEM PARAR... As gargalhadas duraram alguns minutos. Pelo jeito, a piada mais engraçada e misteriosa da minha vida.

Todo o funcionário-trabalhador-operário-padrão deveria ter o direito de escolher, uma vez por mês, um dia para faltar ao trabalho durante a semana. Ficar olhando Sessão da Tarde, tomar chá bem quentinho, comer uma cuca doce e se lambuzar com o recheio de banana e canela. Olhar pela janela a chuva molhando as criaturas. E ter uma única preocupação: amor, levanta e ajeita o edredon? Meu dedinho está de fora...

junho 30, 2005



Olha, amor... É uma igualzinha a esta que eu quero...

Elio, Maria Luisa, eu e mamãe Adri. Papai Marcelo tirou a foto.

junho 28, 2005

A verdade é que eu nunca me preocupei com isso. É. Vou ser sincera de uma vez por todas. Nunca precisei me preocupar com a minha roupa, com a minha comida, com o meu quarto. Aliás, era quase mágica. Eu deixava bagunçado pela manhã (não de propósito... correria, é claro), e tudo está OK quando eu voltava à noite. Minha mãe e meu pai criaram todo um ambiente para que eu e meus irmãos nos preocupássemos somente com a faculdade e nossos estágios e depois empregos. Isso funcionou muito bem. Trabalho desde os 18 anos, na área em que me formei. Só que... A verdade é que todas as verdades têm um só que... Só que há mais de um ano me mudei para o apê do Elio. E fiquei esperando, e nada aconteceu. O espírito da super dona-de-casa baixou em mim duas vezes. A primeira foi no dia da mudança. Com o pano e o lustra móveis, tirei todas as poeirinhas de todos os móveis recém-instalados no apê. A outra vez ocorreu uns meses depois. Enlouquecidamente, peguei o aspirador e limpei o chão e os tapetes. E depois, ainda peguei um balde, um pano e um rodo e passei (no quarto e na sala) um produto especial para piso laminado. Ficou um luxo. Dias depois, eu ainda estava sentada no sofá esperando a Creuza que existe dentro de mim se manifestar. Não aconteceu. Tenho uma inveja natural das pessoas que têm prazer em limpar a casa, em receber as visitas com a sua louça e prataria especiais, com toalhinhas e cacarequinhos... É mais fácil fazer dois, três, quatro, cinco projetos, do que limpar a casa ou fazer supermercado. É mais fácil escrever um conto sobre a mulher que morre soterrada depois que sua casa é tomada pela poeira, do que ligar o aspirador. Ok, a comida eu faço sem problemas. Mas alguém, por favor, me ajude com esse monte de louça!

A Maria Luisa nasceu hoje.

junho 23, 2005

É comum ter um dia ruim. É comum o dia ruim se multiplicar por dois, três, cinco mil de potência. Mas, amigos, amigos meus, ontem tive um dia inacreditável. Tudo o que eu tocava, parava de funcionar, ou dava errado, ou outra coisa que atrapalhasse a dinâmica do mundo. E, na minha boca, a indignação se transformou em palavrões. Bati todos os meus recordes. Já sou, desde pequena, uma desbocada. Mas ontem, pronunciei palavrões que eu sequer sabia que conhecia. Me senti a Linda Blair. Só faltou a gosma verde. Porque, em determinado momento, acho que até a cabecinha eu girei...