setembro 29, 2008

O mundo parece lavado. Não limpo. Mas uniformizado, regrado, fórmula repetida à exaustão. Tudo é reproduzido. De bandas que fazem a mesma música (ruim ou boa, deve-se ressaltar) a escritores que escrevem a mesma coisa, com pequenas variações de forma e conteúdo (especialmente os iniciantes, e isso não é uma crítica). A sociedade se tornou uma massa de pensamentos e ações iguais. Abra um livro, uma revista. Escute um CD, uma emissora de rádio. "Já vi isso em algum lugar" será sua frase mais recorrente, caso leve em consideração qualquer nível de pensamento crítico exterior. E vamos além: até que ponto eu mesma não sou uma reprodução (bem ou malfeita) de qualquer padrão existente? Até que ponto as músicas que escuto são as mesmas porque eu me deixo levar? Ou nos meus escritos existe um lopping infinito porque imito sem parar o que leio, cujo imitação também se origina de outro lugar? Até que ponto meus discursos são captados de outras fontes, e saem da minha boca? E por que, mesmo quando tentamos fazer diferente, agir diferente, ver diferente, e aplicamos uma força descomunal para se libertar da lama que prende os pés e suga, a horda massificada é mais forte, e manda a gente calar a boca, porque bom é o que é comum e disseminado, mesmo que ruim? Se fazemos tudo igual, por preguiça de buscar ou pregar o inédito, por que esse meu papo agora seria original? Às vezes acho que só não lemos Made in China nas costas de muita gente porque ainda não estamos olhando direito.

6 comentários:

Anônimo disse...

Concordo inteiramente com o que dizes. Muitas vezes tentamos fazer diferente e caímos em uma esparrela, mas, no mais das vezes é exatamente o que escreves. E aí vem aquele chavão: "tudo já foi escrito". E daí? Só nos resta tentar escrever o mesmo assunto sob outra ótica. Mas nem sempre se consegue. Hoje, fazendo um balanço sobre a minha depressão, concluí que não há motivos, mas quem sabe esta sensação de inutilidade não esteja presente? Depressivo-sonhador.

Marcos disse...

Vivo ouvindo meus ecos por ai, ou seria a própria caverna? Não se faz mais nada original desde que Colombo colocou aquele ovo em pé. Engraçado ler isto hoje porque cheguei a fazer 12 layouts de uma peça e quando olhava pra ela o inevitável "mas eu conheço isso". No final o prazo tava estourando e o eco batendo, acabei ouvindo.

Beijo

Lu Thomé disse...

Querido Napp, acho que o Foer te deprimiu. Vou providenciar algo para leres bem, bem, bem ruim. Tipo a Tia Lya. Bah! Sorry, mas larguei o livro. E tanto clichê não foi o bastante para me fazer me sentir melhor em relação à minha literatura. Sim, eu não me inscrevi no Funarte. E, sim, me sinto uma inútil de marca maior. Uma farsa. Um xeróx. E malfeito ainda por cima. O toner está acabando. Tinta escassa da minha vida. Não te liguei no findi pois fiquei pensando em bobagem e me deprimindo sozinha... Quem sair do buraco primeiro, tira o outro. Combinado?

Marcos: são os ecos dos novos tempos. Já pensou ser publicitário na década de 60 ou 70? Até na de 80, vá lá. Tanta coisa para inventar. O que eu não estou aceitando são esses loopings modernos. O mundo gira. E nós também: em torno das mesmíssimas coisas. Tô ficando tonta já...

Beijos!

Magali disse...

Bom dia,,,as vezes também acho que sou única mas a verdade é que Deus não quebrou a minha forma,,,prova disso é viver se identificando com músicas, roupas, palavras que não foram feitas por mim, mas a sensação que eu tenho é que poderiam...
bjus dando uma passada otimo blog

Lu Thomé disse...

Oi, Magali! É verdade. Difícil não se identificar com as coisas. Mas impossível se achar única. Estava em crise ontem. Acho que passou um pouco - hehehehe...

Beijos!

Mari Thomé disse...

Eu descobri que sou a total e mais perfeita copia mal-feita da minha irmã mais velha.
Mas como tenho orgulho disso. Não imaginas o quanto!!

Há repetições boas nisso tudo, pelo menos pra mim.
Queria poder tirar tu e o Napp do buraco. Há tanta vida lá fora... Mas acho que já ouvi isso em algum lugar. hehehehe

BEIJOS!