Dezembro 18, 2009

Sexta-feira é dia de almoçar com os amigos. Não eu: o Mr. Flag. Almoço sagrado almoço. Eu não fico mais chateada. Aprendi a respeitar certos rituais dele. Claro que com a quantidade de travessuras que meu marido tem aprontado ultimamente, estou enfrentando uma fase Halloween eterno. Nem doces ou travessuras. Seriamente, como uma moça de 32 anos, sem filhos e não-fumante, tenho explicitado todo o meu descontentamento. Eis que, antes de sair para o tal almoço, depois de ter realizado a famosa sequencia de dez perguntas que sequer merecem resposta e ter recebido um olhar meu congelante, Mr. Flag arrebata:

- Ah, sou muito mais apaixonado por ti quanto estás braba.

O que me leva a pensar que ele, sim, faz tudo isso de propósito. E, sim, vem de uma vez 2010 que eu estou precisando de férias.

Dezembro 07, 2009

Ok. Para quem reclama que esse blog está abandonado: ok. Está mesmo. Os arquivos não mentem. Maaaaas, as justificativas tornam tudo compreensível. Vamos a elas:

1) Comemoração:
O jornal literário Rascunho, de Curitiba, publicou um conto meu na edição de dezembro. U-Hu! Para conferir Todas as sentenças de todas as lápides, clica aqui http://migre.me/dyhM.

2) Trabalho
Entrou no ar o site novo do Estúdio de Conteúdo, minha agência de assessoria de imprensa e literária. Para conferir, aqui http://migre.me/dw8p.

E por hoje é só. Eu volto. Volto, sim!

Outubro 30, 2009

Seguinte: nova news da Não Editora. Importante: traz todos os não-eventos da 55ª Feira do Livro de Porto Alegre. A partir de hoje, mais fácil me encontrar na Praça da Alfândega.

Outubro 15, 2009

Marcelo me convidou e me apresentou a proposta.
A Mari me mostrou a nova ecografia de sua filhota de três meses.
Dois assuntos que parecem distintos, mas que estão totalmente interligados na minha vida. Eu sei que grande parcela da solução dos problemas climáticos está na mão das potências mundiais. Mas acho importante contribuir com o que eu posso. Seja iniciando um debate ou no modo como cuido da minha casa. Cuidar do mundo por mim, pela minha sobrinha que ainda não nasceu, pela minha família, pelos meus amigos...
Para quem ainda não visitou, segue o endereço do Blog Action Day: www.blogactionday.org.

Então, olhe ao redor. Cuide do seu lixo. Selecione o que você vai realmente imprimir no seu escritório ou home office. Regule seu carro. Pode parecer pouco, mas é um começo.

O Marcelo também divulgou outra campanha: Tck, tck, tck, uma união de vozes que querem ser ouvidas pelos governantes que estarão reunidos em Copenhagen no dia 7 de dezembro. Vale a pena a visita: http://tcktcktck.org/.

Outubro 14, 2009



www.blogactionday.org

Outubro 05, 2009

Notas mil. Para matar as novidades:

- Amanhã (06 de outubro), participo da II Jornada Sesc de Estudos de Poesia em Bento Gonçalves (RS). O tema da palestra será Publicação de poesia: horizontes e fronteiras, e divido a mesa com Alexandre Brito e Ronaldo Machado. Às 20h30min, com mediação de Ronald Augusto.

- No dia 15 de outubro, Airton Ortiz lança seu décimo livro pela coleção Viagens Radicais da editora Record no Theatro São Pedro. Farei a assessoria de imprensa de Vietnã pós-guerra.

- Já falei no Twitter, mas aqui não. A Não Editora prepara, para novembro desse ano, o livro Desacordo ortográfico. Com a organização espetacular de Reginaldo Pujol Filho, o livro trará uma seleção de autores lusófonos de primeira. Mais detalhes em www.desacordo-ortografico.blogspot.com.

- Passei o domingo em uma sessão de fotos para a capa do novo CD da Luciah Helena com músicas do Sergio Napp. Em breve mais novidades.

- A Dublinense lançou, no fim de setembro, Olhar a Finitude, do psicanalista Alberto Abuchaim. Quero escrever sobre esse livro aqui no blog. Mas depois. Por enquanto, eles preparam mais dois lançamentos em outubro. Eu sigo na assessoria.

- Tô cansada.

- Mas tô feliz.

- Como nunca.

Setembro 30, 2009

A marmelada voltou. Novamente, reconheço caras de vidro onde eram anunciados diamantes brutos. As personas não deixam de existir. Ok, cada um escolhe a sua máscara. Culpa minha de cultivar o socialmente improdutivo hábito de arrancar máscaras. Pior ainda quando elas caem por si. Porque é chato constatar que o dito gênio é, na vida real, um cara chato, sem graça e mais repetitivo que disco riscado. A fama, as turmas e o mainstream sempre existirão. O papo furado também. O ponto agora é saber selecionar a qual propaganda aderir. No fim, Pynchon tem a mais absoluta e genuína razão. Entre todas as possíveis.

Setembro 22, 2009

A segunda edição da Cadernos de Não-ficção, revista virtual de crítica literária da Não Editora, chega à web. Com edição de Antônio Xerxenesky e projeto gráfico de Samir Machado de Machado, a publicação traz um especial sobre Poesia Contemporânea e ilustrações de Ieve Holthausen (imagem da capa) e Marcelo Ferranti. Entre os autores estão Carol Bensimon, Diego Grando, Paulo Scott e Fábio Fernandes. O número dois também apresenta novidades: a seção Prateleiras Comentadas exibe a prateleira de livros e os por ques de um leitor.

Download do PDF, aqui vivente - www.naoeditora.com.br/revista/

Versão folheável, também aqui vivente - www.naoeditora.com.br/revista/

Resumo: clica aí, tchê - www.naoeditora.com.br/revista/

Estou me sentindo na novela que acabou. "Você não faz nada e reclama de tudo, mas eu gosto de você." E os pezinhos em cadência, na ponta, na planta, arrastando, puxando. Eu sempre no samba do convívio social. Sina.

Setembro 21, 2009

E o mundo tornou-se tosco demais para que fosse possível respirar fora dessa bolha de condescendência.

Setembro 20, 2009

Não consegui dormir. Assim que deitei, meu estômago foi doendo mais e mais e mais, e eu só tinha conseguido marcar o médico pro final de semana seguinte com aquela bosta de plano de saúde. Tinha vontade de beber muito pra me anestesiar, mas só de pensar em ingerir qualquer coisa vagamente alcoólica eu já me imaginava estrebuchando sobre o piso da sala, com uma hemorragia interna, babando sangue que o Churras lamberia da minha boca e do chão depois que tudo estivesse acabado. Revirei o banheiro e os bolsos da calça em busca de analgésicos, encontrei dois comprimidos e tomei os dois ao mesmo tempo. Só fizeram efeito depois de uma hora, e então eu já não tinha mais sono. Fiquei à beira da janela, ora em pé, ora sentado no braço do sofá, acendendo cigarros a intervalos irregulares, soltando a fumaça na brisa da noite, que chegava àquela altura trazendo o cheiro do asfalto morno e das calçadas mijadas. Me debrucei sobre o parapeito por alguns minutos, ficando alguns centímetros mais próximo dos telhados encardidos e dos letreiros em neon dos hotéis baratos que circundavam o prédio.

Até o dia em que o cão morreu, de Daniel Galera

Setembro 08, 2009

É como tirar os rollers depois de andar um bocado e sentir que os pés e o chão não se entendem mais. Você quer deslizar, passar flutuando pelas coisas e pessoas, e já não pode. Então pensa Tudo bem, adiante, vamos caminhar agora, caminhem direito por favor, mas não tem jeito de conseguir sem um pouco de tempo, porque os rollers ainda estão em você de certa maneira. O cérebro diz Caminhe, os pés Deslize. E caso alguém venha pela rua, estará pensando: Olha lá um garoto com um grande problema. O que faz com que eu goste cada vez menos das pessoas e cada vez mais da Antônia, que dizia que o mundo era como um monte de gente recém-saída do oculista ainda sentindo o efeito do colírio-de-dilatar-pupilas: nos enche de mais luz do que podemos suportar e por isso ficamos sem ver nada. Mais luz, mais escuridão.

Sinuca embaixo d'água, de Carol Bensimon

*o lançamento em Porto Alegre foi na semana passada. Hoje, às 19h, acontece na Saraiva Higienópolis em São Paulo (SP).

Setembro 04, 2009

Nossa! Quanto tempo! Também senti saudades. Dá um abraço apertado aqui e clica na imagem abaixo. Ê, coisa boa.

Setembro 03, 2009

- Alô?

- Sim?

- Gostaria de falar com a Luciana!

- É ela quem fala!

- ...

- Alô?

- É a Luciana mesmo?

- Sim...

- Mas tu não tem a voz da minha nora!

- E a senhora não tem a voz da minha sogra.

- ...

- ...?!?

- HAHAHAHAHA. Essa valeu pelo fim de semana.

- HAHAHAHAHAHA. Também achei.

- Gostei muito de falar contigo.

- Eu também.

- Bom fim de semana, mesmo não sendo minha nora.

- Igualmente!

Amizades instantâneas modernas que preenchem o vazio criado pela nossa existência meteórica na direção do desconhecido. Ou: algumas vezes as pessoas conseguem olhar a paisagem. Ou: desculpa, liguei para o número errado.

Setembro 02, 2009

A cabeça de Simon estava levemente voltada para cima. Os olhos não podiam se desviar e o Senhor das Moscas pairava no espaço diante dele.

- Que está fazendo aqui sozinho? Não tem medo de mim?

Simon fez que não.

- Não há ninguém para ajudar você. Só eu. E eu sou o Bicho.

A boca de Simon torceu-se com esforço, produzindo palavras audíveis.

- Uma cabeça de porco numa vara.

- Que engraçado achar que o Bicho é algo que podem caçar e matar! - disse a cabeça. Por um instante, a floresta e todos os outros lugares indistintos ecoaram com a paródia de uma gargalhada. - Você sabe, não é? Sou parte de você? Quase, quase, quase! Sou a razão por que ninguém pode ir embora? Por que as coisas são o que são?

A risada irrompeu de novo.


O Senhor das Moscas, de William Golding

Agosto 28, 2009

Bah! 20 dias sem escrever. E tenho novidades. Vou me inspirar em Marcelino Freire e mandar ver nos tópicos.

- Terminei a biografia ghost-writer. Agora, é tudo com o meu editor e com o autor. Parece que dei um filho para a adoção. O lançamento é na Feira. E, não: não terei relação nenhum com isso... hehehe

- Na próxima segunda-feira, acontece o lançamento oficial da editora Dublinense, com sessão de autógrafos de dois livros: Sanga Menor, de Cíntia Lacroix, e Um guarda-sol na noite, de Luiz Filipe Varella. Fiz a assessoria de imprensa para eles. Mais informações no site .

- Mr. Flag foi para Brasília. Volta só na segunda-feira. Então, estou colocando as leituras em dia. E, como um casal coisa mais querida da minha vida, me deu um vale-presente bem rechonchudo, gastei tudo em livros.

- Nessa semana, reservamos as datas de autógrafos da Não Editora na Feira do Livro. E também um evento. Mais novidades em breve.

- Acho que até o talentoso Marcelo Juchem vem apresentar sua dissertação na Feira do Livro. Estou batalhando!

- Eu engordei um pouco. E estou feliz da vida.

- E, claro: muitas outras coisas secretas cercam a minha vida nesse momento. E não contarei... Sem um pouco de suspense não tem graça.

Fui!

AÊ! A Não Editora prepara mais uma viagem! Dessa vez, coordenada por Antônio Xerxenesky e rumo ao Rio de Janeiro. Alexandre Rodrigues lança, no dia 04 de setembro, o livro de contos Veja se você responde essa pergunta. A sessão de autógrafos será na Livraria da Travessa (Shopping Leblon) e inclui bate-papo do autor com João Paulo Cuenca e Paulo Scott. Convite abaixo. Amigos nas terras cariocas, convocados!

Agosto 08, 2009

Escrevi um livro em três semanas. Por isso sumi, por isso meus dedos ainda doem um pouco. Terrível mania de socar o teclado do notebook. A obra será lançada em breve. Esse foi o motivo da correria e justificativa (talvez não justificável) para o meu sumiço. Feito fantasma, comemoro essa façanha como se sentisse um novo caminho aberto e disponível para futuras investidas. Mas, fantasmagórica conspiração textual, precisaremos esperar um pouco pela minha estreia literária. Não é este o meu momento ainda, amiguinhos. A boa notícia é que pela centésima vez, eu voltei ao blog.

"Eu quase me benzi como se estivesse entrando numa casa de religião." O motoboy, todo molhado da chuva que inundava Porto Alegre, me disse isso enquanto me entregava a caixinha com curry de telentrega. Eu ri, porque sabia exatamente do que ele estava falando. Embora, não pudesse justificar o que acontece no meu prédio sem recorrer a explicações surrupiadas de CSI ou Fringe, se quisermos ir mais longe ainda. O fato, verdadeiro e incontestável, é que uma das vizinhas do segundo andar pode estar sofrer de uma moléstia ligada ao seu olfato. E, por consequência, irritando o nariz dos outros. Diariamente, ela inunda o apartamento com um incenso fortíssimo. O segundo andar do prédio é quase proibitivo. Não resisto e cubro o nariz enquanto percorro os dois lances da escada, e sigo pensando que o melhor seria evitar visitas e quem sabe os entregadores enquanto o cheiro continuar infestando até mesmo o terceiro andar onde moro. É enorme a quantidade de incenso aceso no apartamento. Quando passo pela frente da porta, ao fazer a curva do corredor, vejo as nuvens de fumaça escapando pelas frestas. Parece incêndio. Enquanto os bombeiros não chegam, penso em teorias do mal como alternativas aromáticas para evitar a gripe A, ocultação de cadáver, guerrilha de odores contra as frituras e cebolas de outra vizinha, templo de limpeza da alma e trago seu amor em sete dias, ou extraterrestres com fragrância de patchouly. Brigada de incêndio é no 193? E do Phillip Broyles, alguém sabe o telefone?

Julho 20, 2009

Atenção: essa será uma das poucas oportunidades que você terá para me ver em público durante os próximos 30 dias. Então, acho um bom motivo para comparecer ao lançamento de Veja se você responde essa pergunta, de Alexandre Rodrigues, pela Não Editora. Te vejo lá!

Julho 10, 2009

Oi. Tive alta do olho. Tive alta do hiperinsulismo. E tenho comido tanto doce que até o olho "pós-transtorno da obra" está gordo. Em breve, novo banner: 59,5 quilos.

Junho 30, 2009

Sumirei um pouco. Machuquei o olho com um pedacinho minúsculo (mas que parecia gigante) de concreto. Volto depois. Enquanto isso, quem não se comportar vai para a prancha do navio. Bj!

Junho 25, 2009

Minha mãe deve ter me dado centenas de banhos. Mas é do meu pai me enxaguando com o caneco roxo de metal que eu me lembro mais claramente.

A propagação do calor conforme a água quente caía...

...e o súbito e intolerável frio de sua ausência.

Se ele foi um bom pai? Eu queria dizer "pelo menos ele ficou com a gente", mas, é claro, ele não ficou.

É verdade que ele só se matou quando eu tinha quase 20 anos.

Mas sua ausência ressoava retroativamente, ecoando por todo o tempo que o conheci.

Talvez seja o inverso daquela dor que sentem os amputados no membro que perderam.

Ele estava lá todos aqueles anos, alguém de carne e osso arrancando o papel de parede, plantando cornisos, polindo os acabamentos...

... cheirando a serragem e suor e colônia de marca.

Mas em mim doía como se ele já tivesse ido embora.


Fun home - Uma tragicomédia em família, de Alison Bechdel