março 24, 2009

Desliguei o celular e vi a lotação chegando. Acenei e parou. Adentrei o que parecia ser um frigorífico sobre quatro rodas. As pessoas encolhidas nos bancos, um louco conversando com alguém aos gritos. Sentei quase no fundo e me aninhei, com o Pergunte ao pó nas mãos. Leitura emendada, esqueci de tudo. Despertei com o motorista aos berros:

- Vai descer onde? Eei! Vai descer onde?

Estávamos longe da minha parada. E, olhando ao redor, vi que era a única criatura ainda na lotação. Porque o motorista parecia um animal. E gritava para mim.

- Onde tu vai desceeeeeer?

Na esquina da Carlos Gomes com a Plínio, eu respondi. E ele me olhou como se não existisse ligação das duas ruas. Repeti: Carlos Gomes com a Plínio, perto do posto Ipiranga. A cara dele fez um ah... o posto.

Decidi sentar no primeiro banco. Não tinha acomodado a minha bolsa, e ele estendeu a mão. Peguei mais nojo. Entreguei o dinheiro da minha passagem, e fiquei esperando o troco. Nada... Ele costurou no trânsito. Passou um sinal no amarelo. Não deu passagem para um senhor que tentava sair de uma garagem (acho que há horas, por conta do rush). Acelerando.

E o motorista só contando moedas...

A uma quadra de descer, resolvi sair e caminhar o resto.

Vou descer aqui, quase gritei. E ele abriu a porta. O senhor (tentando manter a civilidade) esqueceu de me dar meu troco!

- Que troco?!

Os dois reais.

- Não.

Senhor, eu lhe entreguei uma nota de cinco reais, uma moeda de 25 centavos e uma moeda de cinco centavos. A passagem é três reais e 30 centavos.

Não, ele não ficaria com os meus dois reais. E acho que ele não sabia nem quem ele era. Se inclinou para o lado, e começou a mexer nas moedas. Pegou várias na mão, e começou. Um... dois... três... quatro... cinco... E eu de pé ali... seis... sete... oito.

- Toma. Dois reais. Pode descer.

Right... Abri a bolsa, joguei todas as moedas de 25 centavos para dentro, e desci as escadas contando. Um... dois... três...

Nesse ponto, eu já estava doente da garganta. A grosseria feriu minha imunidade. Mas só isso, viu seu motorista?! De resto, sigo encarando o inferno astral com um sorriso. Meio torto. Mas tá aqui... Olha os dentinhos, ó... Rumo aos 32!

2 comentários:

Ana disse...

Lurdees!

Morri de rir com esse post, principalmente com a parte das moedas...bem explicativo. Agora, nessa minha fase de educadora enxergo isso como bem didático! hahahaha
Saudades Luuuu!

PS: O que tu fazia neste ponto da cidade? Afff Maria, chega a dar arrepiooos!

Lu Thomé disse...

Putz! Tu está toda "escolada" - hehehehehehe. Saudades tuas também, NaMaria.