abril 12, 2009

O urologista que diagnosticou meu câncer quando eu tinha sessenta e dois anos comentou comigo depois, solidário: "Sei que isto não consola ninguém, mas o senhor não está sozinho - essa doença virou uma verdadeira epidemia nos Estados Unidos. Tem muitos outros homens engajados na mesma luta que o senhor. No seu caso, é uma pena eu não lhe dar esse diagnóstico só daqui a dez anos", dando a entender que, num tempo futuro, a impotência causada pela remoção da próstata seria uma perda menos dolorosa. Assim, resolvi minimizar a perda me esforçando para fazer de conta que o desejo havia diminuído naturalmente, até que entrei em contato, por menos de uma hora, com uma mulher bela, privilegiada, inteligente, tranqüila, lânguida, de trinta e dois anos, cujos temores a tornavam sedutoramente vulnerável, e conheci a amarga sensação de desamparo de um velho que, sentindo-se provocado, morre de vontade de voltar a ser um homem inteiro.

Fantasma sai de cena, de Philip Roth

2 comentários:

Anônimo disse...

Finalmente, depois de um longo inverno, a senhora resolveu sair da casinha e atender aos fãs! Leopoldo Collor (o pai).

Lu Thomé disse...

Precisamos conversar sobre A Chave da Casa. Tenho que organizar minha agenda. Ideal seria não precisar mais dormir.
Como foi a oficina na quinta?

Beijos!