novembro 29, 2007

Eu estava nisso quando amanheceu na casa de Sucre uma caixa de madeira, sem letras pintadas nem referência alguma. Minha irmã Margot havia recebido a caixa sem saber de quem vinha, convencida de que era alguma sobre da farmácia vendida. Eu pensei a mesma coisa, e tomei o café-da-manhã em família com o coração no lugar certo. Papai explicou que não tinha aberto a caixa porque pensou que era o resto da minha bagagem, sem lembrar que já não me sobravam restos de coisa alguma nesse mundo. Meu irmão Gustavo, que aos treze anos tinha prática suficiente para pregar ou despregar qualquer coisa, decidiu abri-la sem pedir licença a ninguém. Minutos depois ouvimos seu grito:
- São livros!


Viver para Contar, de Gabriel García Márquez

3 comentários:

Lívia Araújo disse...

Que trecho maravilhoso, né? Eu imagino que ia me cair os butiá dos bolso com uma coisa assim, um achado desses na minha vida.
;-)
Beijo.

Mari Thomé disse...

Melhor que isso só uma marca da minha infância, que foi abrir um baú de madeira do meu pai e dar de cara com milhares de gibis do Mickey e Disney afins!!
:D

Lu Thomé disse...

Tesouros! Tesouros da vida!

Beijos!