fevereiro 12, 2008

Eu senti saudades do Mario. Sonhei com ele inclusive. Ele me olhava e me perguntava o que eu estava fazendo. Porque ele esperava que eu entendesse, já que para um poeta tudo aquilo não fazia o menor sentido. Eu disse: não sei, Mario. Não sei de mais nada. Só sinto que existem terças-feiras em que tudo é impossível. E eu tenho vontade de largar tudo, jogar tudo para o alto, e correr de tudo, sem esperar que as coisas caiam e batam no chão. Porque a minha vida parece a vida de uma pessoa embaixo de um guarda-chuva. Eu não olho a rua e a calçada adiante. Não levanto o rosto, com medo da água. Me concentro nas pedras da calçada e na grama... E nada disso vejo direito também. Caminho tão rápido, que sequer presto atenção nos detalhes. Ando rápido. Rápido. Acho que também vou chegar rápido ao final. Vou perder a paisagem, Mario. Vou perder a luz do sol. O gelado da chuva. O barulho do vento nos meus ouvidos... Vou perder. Qual o sentido disso tudo? Vou esperar a tua poesia, para ver se encontro no subtexto a solução desse questionamento. Porque agora, estou cansada demais para pensar em qualquer coisa que seja.

5 comentários:

Nessita! disse...

as vezes também sinto que minha vida é embaixo de um guarda-chuva... e me dá um desespero por me molhar!

bjão!

Lu Thomé disse...

A gente tem que aprender a se molhar, Nessita! Solta esse guarda-chuva! Eu estou tentando...

Beijos!

Milton Ribeiro disse...

Como conheço isso...

Júlia Berenstein disse...

Que lindo... e que sensível!

Lu Thomé disse...

Júlia: eu sinto saudades demais da Casa. E daí, às vezes, fico assim melancólica.
Mas olha: ficou lindo o cabelo! Show mesmo! Legal ter te reencontrado. Beijos!!!!