novembro 03, 2008

Eu tenho os dedos das mãos iguais ao da minha avó materna. Penso nisso quando, sem querer, me vejo estranha no reflexo negro da tela do notebook. Como se, por milésimos, essa faceta dela me ocupasse sem pedir licença. E eu tivesse que fazer esforço extra para tirar ela de mim. Afinal, o fato de que eu mexo e faço o que quero com os dedos contradiz a informação de que eles são dela. Embora também exista a rixa, o problema de nunca mais ter falado com ela. E de não ter a vontade. Então, é como se eu abdicasse dessa minha identidade. Peço que saia de mim e não volte. Tomei coragem, e fiz isso. Mas quantos pedaços mais perderei pedindo que as pessoas saiam da minha vida? Cada vez mais chego à conclusão de que sou pedaços de coisas e pessoas que passaram por mim. Como xérox, recorte e colagem. Por isso não tomo mais chuva.

3 comentários:

lu castilhos disse...

"quantos pedaços mais perderei pedindo que as pessoas saiam da minha vida?".
isto é tão o meu presente.
adorei.

:]

Lu Thomé disse...

Lu, querida! Obrigadinha. Como vai, menina? Sempre passo pelo teu blog!

Beijos, beijos!

lu castilhos disse...

Acho que estou no momento de "faxinar" a vida... :)
Adoro passar aqui pra te ler e descobrir que todo mundo tem momentos de interrogações internas.

Beijos!!