outubro 19, 2007

O café, com olhos deles, por mais açúcar que eu pusesse, estaria sempre salgado à mesa depois de um banho de domingo. Café com sal, decorei, se toma assim:
mói o pó preto dentro de ti;
não tentes fugir da água quente que cai;
espera a pedra-brasa doer tuas águas;
não temperes com os olhos que te beberam;
olha pro nada preto do café - ele é parte de ti;
não chores - aceita o choro inverso.


Se choverem pássaros, de Altair Martins

5 comentários:

Lu Geiger disse...

Esse guri foi meu professor de literatura... Talentosíssimo!
Abraço de Lu para Lu!

IcaroReverso disse...

Choro inverso. Uau.

Delicadeza de sílabas e vogais.

Lu Thomé disse...

Lu: gosto muito da literatura do Altair. Muito talentoso!

Icaro: esse conto é lindo!

Beijos!

sergionapp disse...

O Altair é muito bom, Lurdes. Pena que nasceu em Porto Alegre e não é marketeiro como alguns. abraços.

Lu Thomé disse...

Napp: o livro está pronto para voltar para a tua biblioteca. Vai para a Feira no findi? hehehehehehe... Beijos!!!