junho 20, 2007

A gente nasce do nada. Não do nada absoluto. Claro, sempre tem antes aquela história do amor do papai e da mamãe e da viagem na cegonha. Mas quando se nasce, não se tem nada... Nada nos bolsos porque não há bolsos. Nem bolsa, nem idéias, nem noção de nada. Nascemos uma mistura de gosma, sangue e choro. De cara, no meio do desespero, ganhamos a segunda coisa de todas: depois do tapinha nas costas do doutor, a promessa incondicional do amor de nossos pais. Mas, mesmo assim, não somos nossos pais. Ganhamos leite, roupas, presentes... Mas não somos nada disso. Vamos para a escola, aprendemos, brigamos com estranhos, rimos com os amigos. Mas não somos nossos inimigos, colegas, ou nossas brincadeiras e encrencas. Namoramos. No entanto, não somos esses beijos, amassos ou outra coisa para os mais adiantadinhos. Passamos no vestibular. Mas, definitivamente, as centenas de cruzinhas marcadas não dizem nada sobre a gente. Vagabundeamos um pouco, arranjamos estágio... Ganhamos um troquinho que dá para alguma bebida ou roupinhas. Mas não somos nossas roupas ou porres. Então, ganhamos um canudo e um emprego. Ou canudo e empreguinho. Ou até mesmo sem canudo, um empregão. Daí até conseguimos comprar mais roupas, viajar de vez em quando, inventar algumas coisas, e beber todas ocasionalmente... Mas, claro, se novamente, eu for escrever que “não somos nada disso”... O que nós somos, afinal? Para o bem e para o mal, somos a essência daquilo que se originou lá na primeira linha desse texto, no nascimento. Na equação da vida, esse material bruto somado a todo o resto que aparece (das brigas, aquisições, amizades, guerras, batalhas, conquistas e álcool...) é que origina o fato de que podemos ser uma pessoa incrível ou terrível. Mas a mágica é que até mesmo esses rótulos são falhos. Porque ser tenebroso ou fantástico não resume uma pessoa. Nós somos muito mais complexos do que isso... Então, não somos a outra pessoa do nosso lado, a família, o dinheiro, o carro, um rabisco na carteira de trabalho. Somos uma promessa e uma esperança... Eu acredito cada vez mais nisso.

E Maricota... Tua vida não se resumia ao teu emprego... Se tem uma palavra que pode resumir a tua trajetória é: POTENCIAL. Acredita em ti sempre. Se o empregão fechou a porta, sei que vais encontrar outro empregão maior ainda, com uma ampla janela e vista para o mar... Porque tu pode. Sei que tua estrada foi construída com aqueles raros tijolinhos dourados. Então, mesmo com rótulos falhos, lá vai: tu és incrível, pequena...

3 comentários:

Mari Thomé disse...

Tu és incrívelmente grande e incrivel, minha pequena.
Te amo muito!

Nao sou mais nada nesse mundo alem duma busca constante pela paixao. Da minha familia, dos meus amigos, colegas e cachorros.

O empregao eh soh aquilo que garante que no fim do mes eu nao dependa tanto assim dos pais, que eu possa comprar um ou outro presente pra alguem que eu gosto muito, ou ajudar alguem que precisa. Essa sempre foi minha motivacao pra conseguir esses tijolinhos. E isso, de mim, ninguem nunca tira!!!

Te amo demais, Lu!

Ps.: Alguma coisa inexplicavelmente me fez vir aqui ler antes de ir dormir... Que bizarro :D

Lu Thomé disse...

Te amo, Cotinha!
E quero saber de todas as novidades! Estou torcendo!

Beijos!

Moni Thomé disse...

Eu também... mesmo aqui penso em todos vocês todos os dias...

Um grande beijo... e tudo de bom pra nós!!!