dezembro 22, 2008

"Por fim tornaram-se estranhos, seus passados foram esquecidos. Eram também estranhos para si próprios, pois já não lembravam quem eram nem onde estavam. A porta da biblioteca era espessa e barrava todos os sons comuns que poderiam tê-los lembrado, tê-los contido. Estava além do presente, fora do tempo, sem lembranças e sem futuro. Só existiam as sensações que tudo obliteravam, mais e mais intensas, e ao som de pano sobre pano e pele sobre pano, e braços e pernas deslizando uns contra os outros naquele corpo-a-corpo sensual. A experiência dele era limitada; sabia apenas, de segunda mão, que não era necessário que se deitassem. Quanto a ela, além de todos os filmes que tinha visto e dos romances e poemas que tinha lido, não tinha experiência nenhuma. Apesar dessas limitações, não se surpreenderam de ver que sabiam muito bem de que necessitavam."

Reparação, de Ian McEwan

5 comentários:

Samir Machado de Machado disse...

Melhor livro da minha vida até agora.

E essa passagem é fantástica. Pouco antes, ou pouco depois, ele consegue fazer a coisa mais banal, os personagens dizerem "eu te amo" um para o outro, sem precisar dizer isso, de um modo genial.

Milton Ribeiro disse...

Hum, seria ótimo se pudéssemos tomar cafés de vez em quando por aí. Meu eixo mais comum é o Menino Deus e o Centro, mas me movimento por aí. Lembro daquelas histórias do gato delinqüente do teu prédio; sim, o que te atacava. Na minha cabeça, aquilo ocorria na Cidade Baixa, porém, revisando minha memória novamente, creio que seja um cenário montado por mim.

Bom, sobre McEwan: lendo o livro, fiquei com a impressão que os portugueses têm razão ao chamá-lo de Expiação. Grande livro.

Besos.

Milton Ribeiro disse...

São tantos "ão" na última frase que só vendo...

Emily disse...

só por essa passagem eu preciso ler.
enquanto li, um nó se formou na garganta.

beijos, lu!

Lu Thomé disse...

Samir: grande indicação tua. Como disse antes - obrigada por ter insistido tanto para que eu lesse. Valeu cada linha!

Milton: eu circulo por todos os lados também. Vamos combinar um café então!!!!! Quando puderes, e num lugar com ar- condicionado (hehehehehe). Ah! Sim: o gato delinqüente mora no Mont'Serrat! Mas com certeza fica mais interessante próximo de um casario bacana da Cidade Baixa - hehehehe. Me avisa! Te aguardo!

Emi: Lê! Lê!! Lêêê!!! hehehehehehe. Muito bom!

Beijos, beijos!