janeiro 21, 2008

Sou adepta do turismo, mesmo que dentro da cidade onde se mora. E entenda-se por turismo: o inusitado, diferente, desconhecido, nunca praticado. Imbuída desse espírito, do respeito e do companheirismo por minha família, embarquei numa aventura diferente ontem.

Às cinco horas da tarde, chegamos na Igreja dos Navegantes. A meta era acompanhar a mãe na missa e procissão que seguiria Nossa Senhora dos Navegantes até o Centro de Porto Alegre, na Igreja do Rosário. A missa foi bonita. A igreja é aconchegante e clara. E, desde o início, me impressionei pela devoção e simpatia das pessoas que estavam no corredor, mesmo sem lugar para sentar. Sorrisos e mãos para o alto são as coisas que mais me lembro. Às 18h20min, acompanhamos a saída da Santa da Igreja. Fogos de artifício e uma nuvem azul que parecia, por alguns segundos, ter transformado o céu em fundo do mar. Acompanhamos de perto a mãe, que coordenava eu, o pai e a Moni e indicava todas as etapas. Experiente na Festa de Navegantes, a mãe participa de algumas edições desde que era criança. Nesse ano, o motivo era especial. E por isso decidimos acompanhá-la pela primeira vez.

Da Sertório, as milhares de pessoas seguiram pela Presidente Roosevelt. Rezando, concentradas, muitas com crianças no colo, mais ainda de pés descalços, resistindo ao calor do asfalto. Sempre a passos curtos, próximos... A procissão seguiu até a Farrapos e de lá até a Vigário José Inácio. A maior parte do tempo, andei de braços dados com o pai, prestando atenção nas pessoas ao meu redor, me concentrando na Ave Maria e no Pai Nosso. E quando chegamos ao destino, e as palmas aumentaram, os choros se pronunciaram ainda mais e eu vi as lágrimas da mãe, tive certeza de que não poderia existir cansaço em mim ou desânimo.

Porque caminhamos muito em pouco mais de duas horas. E se me contassem que tínhamos flutuado, eu acreditaria.

2 comentários:

Ana disse...

Lindo.

Lu Thomé disse...

Sim...